segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Amônio Sacas


A Academia Platônica do século IV AC preservou a luminosa marca de seu fundador, e foi modelada sobre os ensinamentos e metodologia de Pitágoras. Estudantes mais jovens empreendiam os rigorosos estudos de matemática, astronomia e filosofia, estabelecidos por Platão, enquanto que discípulos maduros do mestre se engajavam em discussões exploratórias das proporções dinâmicas entre as idéias arquetípicas e a geometria viva do cosmos. Spêusipo, Xenócrates e Pólemon mantiveram a tradição Pitagórica dentro da escola, elaborando os ensinamentos de Platão e aplicando-os a cada departamento da Natureza. Durante o século III a Antiga Academia declinou, quando sob Crates e Arcesilau, e a Academia Média voltou sua atenção para disputas filosóficas com os Estóicos. Embora discípulo de Platão, Aristóteles, houvesse há muito estabelecido o rival Liceu, em oposição aos elementos Pitagóricos essenciais nas doutrinas Platônicas, foi a Média, ou Nova, Academia que os abandonou por uma forma de ceticismo filosófico grego. A argumentação deixou de ser um subsídio para viver a vida filosófica e se tornou um fim em si mesmo, e os ensinamentos de Platão foram virtualmente abandonados por aqueles que viam a si mesmos como seus herdeiros. Por volta do século I AC, Atenas ainda permanecia como um centro intelectual, mas seu papel social e político havia sido eclipsado por outras cidades, e seus filósofos eram inábeis tanto para gerar originalidade no pensamento quanto para chegar além dos limites da Grécia. A tocha da criatividade passou para Alexandria, onde surgiu uma outra Academia para ofuscar e sobreviver à sua progenitora.

Alexandria era o ponto focal do mundo Mediterrâneo, atraindo para suas fervilhantes ruas romanos, gregos, judeus, egípcios, núbios, persas, indianos e uma hoste de outros. Uma intensa inter-fertilização religiosa e intelectual produziu incontáveis facções litigantes e cultos abortivos, mas forneceu também a arena em que emergiram uma profunda visão espiritual e filosófica. Mesmo conquanto parcialmente destruída por tropas de Júlio César no tempo de Cleópatra, a mundialmente afamada Biblioteca continuava a encorajar a investigação erudita nos sistemas filosóficos. As idéias religiosas orientais estimularam uma volta ao pensamento original de Pitágoras e Platão. De acordo com Cícero, Públio Nigídio Fígulo clamou por uma renovação do ensino Pitagórico já no início do século I DC. Na época de César Augusto, Juba II, Rei da Líbia, mostrou tamanho interesse em Pitágoras que tratados espúrios foram produzidos para seu consumo, enquanto que Apolônio de Tiana esposou tanto o ensinamento e prática Pitagóricos em sua vida que foi amplamente reconhecido por seu entendimento intuitivo de seu mestre.

O interesse em Pitágoras naturalmente conduziu a um renovado interesse nos ensinamentos de Platão. Eudoro de Alexandria escreveu comentários sobre o Timeu em torno de 25 DC, E Trasilo, um mago na tradição Caldéia e astrólogo do imperador Tibério, arranjou os diálogos Platônicos em uma ordem imaginada para auxiliar a apresentação do pensamento Platônico para o leitor. Theon de Esmirna elaborou as doutrinas matemáticas de Platão em um tratado que até hoje sobrevive. Cláudio Galeno - o celebrado Galeno da medicina - seguiu a filosofia Platônica ao menor detalhe, e Celso, que disputou a verdade e as fontes da ortodoxia Cristã com Orígenes, era um declarado Platônico. Numênio de Apaméia reuniu os ensinamentos de Pitágoras e Platão e sustentava que sua sabedoria havia originalmente vindo do Oriente. A receptividade Alexandrina às idéias preservadas no Oriente, o interesse filosófico nos puros ensinamentos da tradição Pitagórico-Platônica e o reconhecimento de que as verdades devem ser vivenciadas para ser plenamente entendidas, estabeleceu o campo onde os ensinamentos da Religião-Sabedoria poderiam germinar e crescer novamente. O que era preciso era um instrutor que pudesse emoldurar idéias universais em uma linguagem comum compreensível e que pudesse treinar discípulos de visão e devoção suficientes para evocar aquelas idéias de cada tradição.

Amônio Sacas nasceu em torno de 175 DC de pais Cristãos que tentaram educá-lo na fé. Desde a tenra meninice, contudo, ele foi repelido pelo extremo dogmatismo que caracterizava o vociferante movimento Cristão de Alexandria. Desgostoso com as tendências mediúnicas e supersticiosas permitidas por numerosos devotos Cristãos, ele mergulhou na análise filosófica da antiga religião helenística. Ao contrário de muitos intelectuais da época, Amônio voluntariamente trabalhava para sustentar-se, e enquanto a tradição vulgar sustenta que o sobrenome "Sacas" seja derivado de sua ocupação como estivador, seu nome poderia igualmente ser tomado no sentido de "escudo de Amon". Sua busca de um entendimento da natureza das coisas foi nutrido pela convicção de que o indivíduo deveria praticar as verdades que aprendesse em todos os contextos caso objetivasse compreendê-las completamente. A devoção aos seus estudos levou-o a uma profunda apreciação do ensinamento de Platão, e ele encontrou ali um espírito de questionamento que ajustou-se ao seu interesse em descobrir uma filosofia universal. Sua meditação persistente sobre estes ensinamentos abriu caminho para que recebesse insights iluminados através de sonhos e visões. Com propriedade, Hiérocles chamou-o de Theodidaktos, "ensinado por Deus", pois ele fundia uma mente vigorosa com uma intuição desperta. Esta combinação emprestou tamanha claridade e força à sua compreensão de Platão e apreciação de Pitágoras que ele foi reconhecido amplamente como o fundador do Neoplatonismo. Este movimento enfim insuflaria uma vida nova nas Academias Alexandrina e Ateniense e encorajaria os estudantes a viver a vida filosófica ao invés de apenas discutí-la.

Depois de um longo período de retiro para estudo e meditação, Amônio estabeleceu uma escola de filosofia em Alexandria em 193 DC. Ele ensinava oralmente, e invariavelmente recusava confiar seu pensamento à forma escrita. Porfírio escreveu que "Erênio, Orígenes e Plotino fizeram uma promessa mútua de não divulgar a doutrina de Amônio: mas tendo Erênio quebrado o acordo, Orígenes e Plotino já não se sentiram obrigados por ele". De qualquer modo, Amônio mantinha um círculo interno, ao qual os três pertenciam. Enquanto que a revelação de Erênio foi perdida para a história, Orígenes e Plotino transmitiram muito do que Amônio lhes ensinou, mas velado pela linguagem de seus próprios pensamentos. Ambos honravam os Mistérios. Clemente de Alexandria, que louvou extensamente a Amônio, estava bem a par de que havia uma escola esotérica no Cristianismo primitivo, pois era um de seus membros, e é provável que Orígenes soubesse o mesmo. Plotino, de acordo com o testemunho de Porfírio, conheceu o significado dos Mistérios diretamente através de suas próprias iluminações extáticas. Os detalhes dos ensinamentos de Amônio podem ser desconhecidos, mas o fato de que tenha tido discípulos tão leais de diferentes escolas de pensamento demonstra que sua doutrina era tão universal que podia acomodar uma larga variedade de formulações.

Seu ensinamento iniciava-se com a proposição de que a Deidade é um princípio absoluto, completamente transcendente, indescritível e incompreensível. Nemésio de Emesa escreveu que desta pressuposição inicial Amônio concluíra que a alma humana é uma radiação imortal da alma universal, ou Éter, idêntica a ela em essência, e portanto imperecível. Se a alma é imortal e de origem divina, então é possível a teurgia - a obra divina, a arte da total autotransformação e transvalorização de toda experiência. Amônio insistia que havia uma base universal para a ética no coração de todo sistema metafísico, e que o valor do pensamento mais altamente abstrato reside em sua habilidade de transformar a natureza humana através da luz sagrada que ele revela. Ele sustentava que cada homem deveria derivar sua ética do cerne da tradição de seu próprio povo e elevar sua mente através da meditação. A sabedoria universal dos antigos era a única mãe de todas as verdades, e deixando de lado as querelas sectaristas os povos poderiam viver uma vida cheia de reverência mútua, compromisso com a humanidade e compaixão para com todas as criaturas. A prática da contemplação, como indicava Plotino, deveria passar através dos estágios da opinião, limitada pelos sentidos e pela percepção; da ciência, baseada na dialética; e enfim atingindo a iluminação intuitiva. Amônio ensinava que a memória, também caracterizada por Olimpiodoro como fantasia, era a inimiga do êxtase divino da alma, e o primeiro obstáculo para a clarividência espiritual. Mas, dizia Amônio, para a alma pura não seria estranho que outras almas semelhantes revelassem a ela visões e concepções nobres através de seu toque. Seus ensinamentos mais preciosos eram secretos na melhor tradição de Pitágoras, e seus discípulos não os revelaram.

Como Apolônio antes dele, Amônio ensinava que a sabedoria mais profunda devia ser encontrada nas tradicionalmente honoráveis filosofias do Oriente. Ele remontava as origens de sua escola à mesma origem das de Platão e Pitágoras - os Livros de Toth-Hermes. As doutrinas deste Thot ou seu "colégio", dizia, se originaram com os primeiros sábios Brâmanes da Índia. A tolerância universal de Amônio é característica do catenoteísmo da verdadeira tradição Hermética que jamais adorou "um deus" individual, mas sempre "os Deuses Unos" de todas as teogonias. Ele ensinou seus discípulos a não venerar as imagens exotéricas e supersticiosas dos diversos deuses, mas procurar por hypnóia, ou "significado oculto" destes deuses. Seus discípulos vieram a ser chamados de Analogistas por causa de seu ensinamento de que todas as lendas, mitos e mistérios sacros deviam ser entendidos à luz do princípio da analogia e correspondência, onde todos os eventos externos manifestados representam processos interiores e operações da alma. Este ecletismo, que foi delineado por Diógenes Laércio até o Pot-Amon ptolemaico, era, para Amônio, central para a pesquisa da Universal Sabedoria Divina - a Theosophia - dos antigos. Aplicando estes princípios, Amônio procurou demonstrar, por exemplo, que as filosofias de Platão e Aristóteles poderiam ser harmonizadas se corretamente entendidas, e que se o Evangelho segundo São João fosse tomado em seu fundamento filosófico, a doutrina Cristã poderia ser vista como uma expressão autêntica da sabedoria perene. Jesus, ele ensinava, foi um homem excelente e "amigo de Deus", que buscou reinstituir e restaurar a pristina sabedoria dos antigos à sua integridade original, purgando a religião popular de seu acúmulo de conceitos, mentiras e superstições, e expondo os princípios filosóficos necessários à uma vida de pura devoção. Amônio sustentava que o sectarismo surge pelo amálgama da superstição com a fraqueza humana. Quem não pratica a vida filosófica invariavelmente corromperá tanto a filosofia como a religião, personalizando e materializando-as. A escola de Amônio existia longe dos círculos da moda de sua época. Os estudantes se lhe eram atraídos um a um, muitas vezes depois de considerarem estéreis os ensinamentos convencionais dos outros, e cada um estudaria com ele e depois iria pelo mundo para praticar o que havia aprendido, de acordo com seu melhor entendimento. A escola de Amônio era dividida em três graus - neófitos, iniciados e mestres - e todos eram ligados por votos e juramentos de preservar o segredo dos ensinamentos de seus respectivos graus. As regras da escola eram derivadas dos Mistérios de Orfeu, que, segundo Heródoto, foram trazidos da Índia.

Entre os discípulos mais importantes de Amônio estava Orígenes Adamâncio, o Cristão, que mais tarde se tornou o diretor da escola catequética em Alexandria, onde se distinguiu como o mais habilidoso porta-voz da nova fé no mundo Mediterrâneo. Seus extensos comentários alegóricos e espirituais sobre as escrituras do Velho e Novo Testamentosderam origem à tríplice interpretação da escritura - literal, simbólica e espiritual - que influenciou poderosamente os pensadores da Renascença, incluindo Pico della Mirandola. Orígenes também ensinava uma doutrina de reencarnação e de perfectibilidade através de meios e esforços auto-desenvolvidos. Orígenes foi solicitado pela Igreja para refutar os escritos de Celso, também um membro da escola de Amônio. Celso havia demonstrado que as formas originais e mais puras da doutrina Cristã haviam de ser encontradas nos ensinamentos de Platão. Ele também havia acusado o Cristianismo popular de aceitar os elementos mais supersticiosos do pensamento pagão e de interpolar passagens mal-entendidas do Livro das Sibilas nas suas doutrinas. Orígenes conseguiu citar Celso copiosamente, mas fez pouco para refutá-lo, de modo que na altura do século V a Igreja não teve recurso senão ordenar a destruição de todos os escritos de Celso. É dito que uma cópia de seu Verdadeira Doutrina ainda sobrevive nos recessos do Monte Athos.

Muitos dos discípulos de Amônio buscaram demonstrar a sabedoria universal que subjaz nas várias tradições, incluindo um segundo Orígenes que estudou com Amônio e se tornou filósofo Neoplatônico e escreveu comentários sobre vários diálogos. Erênio, um outro estudante, destacou-se ao definir a metafísica como aquilo que está por trás da esfera da natureza. Longino, um filólogo mais do que um filósofo, levou as idéias de Amônio para o âmbito político como ministro da Rainha Zenóbia de Palmira. Ele é identificado como o autor do Sobre o Sublime, uma obra substancial e penetrante sobre a estética. Porfírio estudou com Longino antes de se tornar um discípulo de Plotino. O próprio Plotino foi o mais ilustre discípulo de Amônio, estudando com o mestre por onze anos antes de fundar uma escola própria em Roma. Como Amônio, ele era conhecido por uma vida de simplicidade, integridade e pureza, e não confiou seus ensinamentos ao escrito até que foi convencido disto por seus discípulos, tarde na vida. Sua Enéadas, organizadas por Porfírio, é a mais profunda elaboração do pensamento Neoplatônico.

Os discípulos de Amônio receberam vários nomes associados às suas atividades, mas talvez o mais significativo foi o de Filaleteus - amigos da verdade - porque estavam abertos à sabedoria onde quer que ela pudesse ser encontrada. Também eram conhecidos como Extáticos, porque buscavam, através da meditação, a união consciente com a fonte inefável que transcende todas as limitações de forma e matéria. Amônio chamava sua filosofia espiritual de Teosofia Eclética, pois ele buscava a Sabedoria Divina em todas as tradições que a preservavam em suas doutrinas veladas e nos seus fragmentos imaculados da verdade. Amônio morreu em torno da metade do século III, mas sua escola perdurou até o início do século V e as depredações de Teófilo e São Cirilo, o assassino de Hipátia. Em Roma, através da escola de Plotino, e em Atenas, através da Academia revitalizada com Neoplatônicos como Proclo, os ensinamentos de Amônio continuaram a fermentar o mundo Mediterrâneo até o início do século VI. Depois, com o zeloso sectarismo de Justiniano, a Academia foi fechada e suas propriedades confiscadas. Os últimos sete homens sábios do Oriente, o grupo de Neoplatônicos remanescentes, partiu para a Pérsia e Índia, e o reinado da sabedoria terminou. Os Filaleteus não mais existiam e os sagrados Livros de Thot-Hermes não tinham intérpretes na Europa Cristã. Amônio havia ensinado os segredos dos Mistérios como e quando apropriado, não registrando nada, mas abrindo tantas portas quantas em que a pessoa pudesse sabiamente adentrar. Ele trabalhou pelo o futuro em meio das limitações de sua época. A marca que deixou na história da aspiração humana é tão profunda e durável quanto invisível. Mesmo quando a estrutura institucional e a prática dos Mistérios estavam rapidamente entrando em decadência, ele as estabeleceu em uma nova fundação que as garantiu para indivíduos que chegariam a elas separadamente, com a vontade e capacidade de seguir as disciplinas mentais e morais necessárias para descerrar a porta do espírito imortal.

Fonte: Levir

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Ordem dos Templários

O fato de que nunca se teve a oportunidade de se ter acesso a documentos originais dos julgamentos contra os templários motivou o surgimento de muitos livros e filmes, com grande repercussão pública, porém, sem nenhum embasamento histórico. Também muitas sociedades secretas como a maçonaria se colocam como herdeiras dos templários, entretanto, a partir de documentos históricos, e, não a partir de fábulas e astúcia é possível entendermos melhor esse episódio da história.

A obra, publicada pela Biblioteca Vaticana: “Processus contra templários”, restaura a verdade histórica sobre Os Cavaleiros da Ordem do Templo, conhecidos como templários, cuja existência e ulterior desaparecimento foram motivo de numerosas especulações e lendas.

Os pergaminhos são relativos ao processo contra os templários, realizados sob o pontificado do Papa Clemente V, cujos originais são conservados no Arquivo Secreto do Vaticano. O principal valor da publicação reside na perfeita reprodução dos documentos originais do citado processo e nos textos críticos que acompanham o volume; explicam como e por que o pontífice Clemente V absolveu os Templários da acusação de heresia e suspendeu a Ordem sem dissolvê-la, reintegrando os altos dignitários Templários e a própria Ordem na comunhão da Igreja.

A Ordem dos Cavaleiros do Templo

Os templários foram fundados por Hugo de Payens, depois da primeira Cruzada em 1119. São Bernardo escreveu a regra dessa ordem monacal e militar.

Os Templários eram membros de uma ordem religiosa de monges guerreiros. O nome de Cavaleiros do Templo lhes veio porque seu convento principal e primeiro fora estabelecido junto ao local onde existira o Templo de Salomão, em Jerusalém. A finalidade da Ordem dos Cavaleiros do Templo era a de defender a Terra Santa dos ataques dos maometanos, mantendo os reinos cristãos que as Cruzadas haviam fundado no Oriente.

A Ordem do Templo e sua regra fora aprovada pela Igreja. Os Templários foram, durante muito tempo, fiéis à sua regra e à sua finalidade.

Estes cavaleiros fizeram voto de pobreza e seu símbolo passou a ser o de um cavalo montado por dois cavaleiros. Em decorrência do local de sua sede, do voto de pobreza e da fé em Cristo surgiu o nome da Ordem, "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão", ou simplesmente "Cavaleiros Templários".

Sob a divisa Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam (Sl 115,1) - (Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória).

Seu crescimento vertiginoso ao mesmo tempo que ganhava grande admiração da Europa se deu pelo grande fervor religioso e pela sua incrível força militar. Os Papas guardaram a ordem acolhendo-a sob sua imediata proteção, excluindo qualquer intervenção de qualquer outra jurisdição fosse ela secular ou episcopal. Não foram menos importantes também os benefícios temporais que tal ordem recebeu dos soberanos da Europa.

Um contemporâneo (Jacques de Vitry) descreve os Templários como "leões de guerra e cordeiros no lar; rudes cavaleiros no campo de batalha, monjes piedosos na capela; temidos pelos inimigos de Cristo, a suavidade para com Seus amigos".

Levando uma forma de vida austera não tinham medo de morrer para defender os cristãos que iam em peregrinação a Terra Santa. Como exército nunca foram muito numerosos aproximadamente não passavam de 400 cavaleiros em Jerusalém no auge da ordem, mesmo assim foram conhecidos como o terror dos maometanos. Quando presos rechaçavam com desdém a liberdade oferecida a preço de apostatarem (negar a Fé cristã).

O grande crescimento da Ordem e a perda de sua missão

Com o passar do tempo a ordem ficou riquíssima e muito poderosa: receberam várias doações de terras na Europa, ganharam enorme poder político, militar e econômico, o que acabou permitindo estabelecer uma rede de grande influência no continente, o que pode ter provocado um relaxamento da moral, sede pelo poder, pelo dinheiro.

Também começaram a ser admitido na ordem devido à necessidade de contingente, pessoas sem levar em conta os mesmos critérios do seu inicio. Logo, o fervor cristão, a vida austera e a vontade de defender os cristãos da morte deixaram de ser as motivações principais dos cavaleiros templários.

A grande riqueza da ordem atrai a atenção do Estado

Felipe IV pensou em apropriar-se dos bens dos Templários, e por isso havia posto em andamento uma estratégia de descrédito, acusando-os de heresia. A perseguição aos templários começou em 1307, quando o rei da França, acusou os templários de heresia e imoralidade.

No dia 13 de Outubro de 1307 o rei obrigou o comparecimento de todos os templários da França. Os templários foram encarcerados em masmorras e submetidos a torturas para se declararem culpados de heresia, no pergaminho redigido após a investigação dos interrogatórios, no castelo de Chinon, no qual Felipe IV da França (Felipe o Belo) havia prendido ilicitamente o último grão-mestre do Templo e alguns altos dignitários da Ordem.

O Pergaminho de Chinon atesta que o Papa Clemente V absolveu os templários, das acusações de heresia, evidenciando, assim, que a queda histórica da Ordem deu-se por causa da perda de sua missão e de razões de oportunismo político.

Da perda de sua missão o que caracterizou não mais uma vida austera como no inicio da ordem se aproveitou o Rei Felipe IV, o Belo, para se apoderar dos bens da Ordem, acusando-a de ter se corrompido. Ele encarcerou os Superiores dos Templários, e, depois de um processo iníquo, os fez queimar vivos, pois obtivera deles confissões sob tortura, que eram consideradas nulas pelas leis da Igreja e da Inquisição (Concílio de Viena (França) em 1311 e Concílio regional de Narbona (França) em 1243).

A sentença do Papa Clemente V a Ordem dos Templários

A ata de Chinon declara que os Templários não dissolvidos, mas absolvidos, suscitou a reação da monarquia francesa, tanto que obrigou Clemente V à ambígua discussão sancionada em 1312, durante o Concílio de Vienne, com a bula «Vox in Excelso», na qual declarava que o processo não havia comprovado a acusação de heresia, mas só a indignidade e os maus hábitos difundidos entre muitos membros da Ordem.

Ao declarar que o processo não tinha comprovado a acusação de heresia, Clemente V suspendeu a Ordem dos Templários mediante uma sentença não definitiva, sem dissolvê-la, para impedir um cisma com a França, reintegrando os altos dignitários Templários na comunhão da Igreja.

O Pergaminho de Chinon atesta que o Papa Clemente V absolveu os templários, das acusações de heresia, mostrando assim, que o Pontífice não considerou a ordem como sendo herege (conforme se especulava). E que deu a absolvição ao último grã-mestre dos Templários, Jacques de Molay, e aos cavaleiros da Ordem. O Pontífice ainda permitiu a eles "receber os sacramentos cristãos e serem acompanhados por um capelão" até os últimos momentos de sua vida.

Considerações finais

A destruição da Ordem do Templo propiciou ao Rei francês não apenas os tesouros imensos da Ordem (que estabelecera o início do sistema bancário), mas também a eliminação do exército da Igreja, o que o tornava senhor rei absoluto, na França.

Nos demais países a riqueza da ordem pertencente à Igreja em sua maioria também ficou com os respectivos Estados. A ordem dos Hospitalarios também herdou uma parte do dinheiro.

Jacques de Molay

Grãos-Mestres

1. Hugo de Payens (Huguens de Payns) (1118-1136)
2. Hugue, conde de Champagne
3. Rossal de Clairvaux
4. Geoffro de Bissor
5. André de Condemare
6. Archambaud de Saint-amande
7. Philippe de Milly (Philippus de Neapoli/de Nablus) (1169-1171)
8. Odo de St Amand|Odo (Eudes) de St Amand ou Odon de Saint-Chamand (1171-1179)
9. Arnaud de Toroge (Arnaldus de Turre Rubea/de Torroja) (1179-1184)
10. Gérard de Ridefort (1185-1189)
11. Robert de Sablé (Robertus de Sabloloi) (1191-1193)
12. Gilbert Horal (Gilbertus Erail/Herail/Arayl/Horal/Roral) (1193-1200)
13. Phillipe de Plessis / Plaissie`/ Plesse` /Plessiez (1201-1208)
14. Guillaume de Chartres ou Willemus de Carnoto (1209-1219)
15. Pedro de Montaigu|Pierre (Pedro) de Montaigu (Petrus de Monteacuto) (1219-1230)
16. Armand de Périgord (Hermannus Petragoricensis) ou Hermann de Pierre-Grosse (???-1244)
17. Richard de Bures (1245-1247)
18. Guillaume de Sonnac (Guillelmus de Sonayo) (1247-1250)
19. Renaud de Vichiers (Rainaldus de Vicherio) (1250-1256)
20. Thomas Bérard (1256-1273)
21. Guillaume de Beaujeu (Guillelmus de Belloico) (1273-1291)
22. Thibaud Gaudin (Thiband Ggandin) (1291-1292)
23. Jacques de Molay (1292-1314)

Fonte: Wikipedia

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Meditação


Para nós, ocidentais, meditar significa refletir a respeito de alguma coisa. No oriente, meditar é algo bem diferente. É entrar num estado de consciência onde se torna mais fácil compreender a si mesmo. Nisargadatta Maharaj, um mestre indiano, nos explica com simplicidade no seu livro I am That:

"Nós conhecemos o mundo exterior de sensações e ações mas, do nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos, nós conhecemos muito pouco. O objetivo primário da meditação é que nos tornemos conscientes e que nos familiarizemos com a nossa vida interior. O objetivo final é alcançar a fonte da vida e da consciência."

Assim, através da meditação vamos prestar atenção e descobrir como funcionamos. Como agimos em determinadas situações, porque respondemos uma coisa quando gostaríamos de dizer outra, porque fugimos daquilo que mais queremos, porque vivemos mergulhados na ansiedade, na depressão e no cansaço quando queremos apenas a tranqüilidade.

Grande parte dessa confusão é criada pela mente. Podemos dizer que ela é o instrumento de nossa consciência e contém a somatória de nossos condicionamentos, padrões de pensamento, nossa memória e nosso lado racional. A mente é como um lago agitado. Ao ver a lua refletida nesse lago turbulento poderíamos supor que a própria lua é algo disforme e agitado, mas estaríamos totalmente enganados. Da mesma forma, quando olhamos para o reflexo do nosso Eu-Superior no lago inquieto de nossa mente, não conseguimos perceber sua verdadeira natureza. Meditar nada mais é do que aquietar os turbilhões dos pensamentos, serenar a mente para que possamos reconhecer com clareza nossa essência. Durante esse processo de aquietar a mente nos damos conta de nossos padrões de pensamento e de ação e, assim, podemos transformá-los.

Dicas para a prática

A prática da meditação, embora simples, requer bastante disciplina e regularidade. Abaixo estão algumas dicas de como iniciar sua prática de meditação.

* Escolha um lugar sereno onde você possa sentar-se de maneira confortável e com a coluna ereta. Pode ser numa cadeira ou no chão com as pernas cruzadas. Sentar-se sobre uma pequena almofada ajuda a manter as costas eretas. Use roupas que não apertem nem incomodem.

* Acender um incenso ou colocar uma música bem suave pode ajudar a criar um clima de tranqüilidade no início. Depois de algum tempo, pode ser que você prefira dispensá-los.

* Evite meditar quando estiver com sono ou muito cansado. Você se sentirá frustrado por não conseguir se concentrar e desanimará de sua prática diária. Um bom horário para meditar é pela manhã, quando estamos mais tranqüilos e descansados. Porém, isso também é individualizável. Se você sentir que consegue melhores resultados à noite, escolha esse horário.

* Comece com dez minutos diários. Coloque um relógio para despertar após esse tempo, assim sua mente não poderá sabotá-lo fazendo-o acreditar que já se passaram muito mais que dez minutos.

* Não se mova durante esse tempo. O corpo é como um pote e a mente é a água dentro dele. Mover o recipiente faz com que a água também se mova e, lembre-se, o que você quer é que sua mente permaneça quieta e imóvel.

* A atenção deve estar voltada para o objeto da meditação (a respiração, um símbolo, etc.) sem que isso necessite de grandes esforços. Caso você disperse, reconduza sua atenção suavemente ao objeto escolhido.

* Qualquer coisa que aconteça estará bem. Se houver um monte de pensamentos desfilando pela sua cabeça, se você tiver vontade de chorar ou de rir, se você achar que nunca vai conseguir se concentrar, tudo bem. Apenas continue sentado e, sempre que possível, volte a sua atenção para o objeto sobre o qual está meditando.

Exercícios de meditação

1. Um dos exercícios mais simples é observar a respiração. Sinta o ar entrando e saíndo pelas narinas. Acompanhe seu caminho por todo o corpo. Repare nos movimentos da barriga, do peito. Veja se há movimentos ou sensações na pelve, pernas, cabeça, etc. Esteja com o ar o tempo todo.

2. Quando estiver em contato com a natureza, sente-se diante de uma paisagem e observe-a. Ouça os sons, veja as cores, sinta os aromas mas não fique dando nome às coisas ou analisando-as: "esse cheiro deve ser daquela flor", "como é bonita a forma daquela montanha", "o som desses passarinhos me deixa tão relaxado...". Apenas ouça, veja e sinta sem criar frases na sua mente, sem ficar tagarelando internamente.

3. Sente-se diante de uma janela e deixe que a claridade invada seu corpo. Sinta a luz penetrando pelo alto de sua cabeça e fluíndo por todo o corpo. Mantenha sua atenção nesse fluxo.

4. Repita o mantra OM durante todo o tempo da sua meditação. Mantras são sons que trazem uma determinada qualidade de energia para quem os vocaliza. O mantra OM é um dos mais antigos do hinduísmo e sua qualidade é o equilíbrio e a serenidade. Ele nos traz energia e ajuda a clarear a mente.

5. Olhe atentamente para um símbolo ou um objeto que lhe chame a atenção naturalmente. Pode ser um desenho, uma estatueta, um yantra (diagramas cósmicos do hinduísmo), etc. No Yoga, usamos o simbolo do OM para meditar (veja o desenho ao lado). Olhe para esse símbolo e envolva-se com ele. Observe-o atentamente até que você possa mantê-lo com clareza na sua mente, mesmo de olhos fechados.

6. Sente-se em silêncio e preste atenção a cada som que surgir ao seu redor. Ouça tudo ao mesmo tempo. Não se detenha em nenhum deles. Nenhum é mais importante do que os outros, nenhum é melhor ou mais agradável. Não julgue, apenas ouça. Evite relacioná-los com os objetos ou seres que os produzem. Permita-se ouvir o som puro e perceber sua qualidade intrínseca.

7. Você pode meditar com as cores também. Pergunte ao seu corpo de qual cor ele necessita para estar em harmonia. Aceite qualquer cor que lhe venha à mente. Imagine um grande jorro de luz dessa cor fluindo sobre você ou mergulhe num oceano tingido com a cor escolhida. Não se preocupe em "ver" a cor, você pode apenas sentí-la com seus sentidos interiores.

8. Observe seus pensamentos e tente perceber o espaço que existe entre um e outro. Mesmo numa mente completamente confusa, os pensamentos surgem e desaparecem deixando um breve espaço entre si. Descubra esse espaço, nem que seja apenas um segundo. Observe-o e você vai perceber que ele começará a se ampliar. Ao penetrar nesse espaço em branco, você estará além da mente.

O observador passivo

Existem centenas, talvez milhares, de técnicas de meditação. Cada um deve descobrir a que melhor combina consigo e a que produz melhores resultados. Alguns preferem meditar com mantras, muitos gostam de observar a respiração e outros usam imagens ou símbolos. Porém, o que essas técnicas têm em comum é o fato de despertarem o observador passivo.

Eu chamo de observador passivo aquela parte nossa que se mantém distante da turbulência da nossa vida diária. Ele é como um sábio que olha o vilarejo do alto de uma colina. Ele vê as pessoas correndo de um lado para outro, as crianças brincando, um cachorro procurando comida, alguém morrendo, um bebê nascendo, a geada queimando a colheita e nada disso o afeta. Ele permanece sentado no alto de seu monte, eqüânime, pois sabe que a dor ou a alegria brotam da mesma fonte e nenhuma delas é permanente. O observador passivo sabe que a verdadeira felicidade pertence ao Eu-Superior e que quando estamos conscientes dele, nada mais nos afeta.

Mas ele também é um grande professor. Se você ficar com alguém 24 horas por dia observando como ele come, como se veste, como fala e age, como dorme, no final de uma semana você conhecerá muito dessa pessoa. Assim, se nos observarmos tempo suficiente, aprenderemos muito a nosso respeito. Aprenderemos como é que funcionamos, como agem nossos pensamentos e sentimentos, como eles influenciam nossas escolhas, etc. Quando desenvolvemos o observador passivo, podemos olhar de longe a paisagem de nossa vida e encarar os desafios que ela nos propõe com insenção de ânimos, sem deixar que o emocional nuble nossa percepção. É por isso que é tão fácil aconselhar um amigo com problemas. Como não estamos envolvidos emocionalmente, temos uma visão panorâmica da situação e podemos perceber as falhas e as possibilidades que ele não vê. Quando olhamos as coisas com uma certa distância, entendemos o contexto e os motivos por trás dos fatos. E, com essa compreensão, podemos encontrar saídas criativas, podemos ver portas onde antes parecia existir apenas muros.

A técnica

Sente-se confortavelmente e faça algumas respirações profundas.

Comece a observar os pensamentos que lhe chegam. Tome consciência deles e deixe que sumam em seguida. Não os evite nem os incentive.

Não dê continuidade a nenhum pensamento. A tendência da mente é fazer associações. Quando vem o pensamento "preciso pagar uma conta no banco" a mente dá continuidade: "será que tenho dinheiro suficiente? Se não tiver, posso pedir emprestado ao fulano. Caso ele não possa emprestar...". E assim vai. Portanto, corte o fio antes que toda a meada se desenrole.

Tente ver cada pensamento como um quadro estático, como uma cena de um grande video-clip que não merece muita atenção.

A mente está representando uma grande peça diante de você. Mas você não é o protagonista. Você é apenas o expectador. Portanto não se envolva.

Caso haja uma grande confusão de pensamentos fluindo, apenas "olhe" essa confusão. Não tente controlar seus pensamentos, deixe que eles venham da maneira que vierem.

Não espere nada de especial da sua meditação: fogos de artifício explodindo diante de você, deuses e iluminados desfilando, flores de lótus ou luzes maravilhosas. As imagens que surgem podem ser apenas produto da atividade mental, truques da mente para distraí-lo. Portanto, continue apenas observando como outro pensamento qualquer. Não se envolva com a beleza ou beatitude delas. Se elas forem mais que um produto da mente, você saberá.

Com a prática contínua você será capaz de manter a mente em branco e ouvir a voz de sua intuição que também é um atributo do observador passivo.

Fonte: Yogasite

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Paramahansa Yogananda, um guru imortal


Paramahansa Yogananda foi o primeiro grande mestre da Índia a viver no Ocidente por um longo período (mais de trinta anos).

Ele foi o último de uma sucessão de três grandes mestres indianos (Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya e Swami Sri Yukteswar), tendo a missão de trazer para o ocidente a redentora mensagem e técnica de kriya yoga através da Self-Realization Fellowship.

Excepcional autodidata, explica com clareza em seu livro, "Autobiografia de Um Iogue", as leis sutis, mas definidas, pelas quais os verdadeiros iogues realizam milagres e atingem o autodomínio.

Vida e Obra

Paramahansa Yogananda nasceu em 5 de janeiro de 1893, com o nome de Mukunda Lal Gosh, no norte da Índia, na cidade de Gorakhpur, nos contrafortes das montanhas do Himalaia.

Desde os primeiros anos, ficou evidente que sua vida estava marcada por uma destinação divina. Segundo os que lhe eram mais íntimos, mesmo em criança, a profundeza da sua percepção e experiência do mundo espiritual estava muito além do comum. Na juventude, ele procurou muitos sábios e santos da Índia, esperando encontrar um mestres iluminado que o guiasse em sua busca espiritual.

Nascido na Índia no dia 5 de janeiro de 1893, Paramahansa Yogananda dedicou sua vida a ajudar pessoas de todas as raças e credos a realizarem e expressarem com maior plenitude a beleza, nobreza e verdadeira divindade do espírito humano.

Depois de sua formatura pela Universidade de Calcutá em 1915, Sri Yogananda fez os votos formais como monge da venerada Ordem Monástica dos Swamis, da Índia. Dois anos depois, ele iniciou importantíssima obra, fundando uma escola "como viver", que desde então cresceu, transformando-se numa instituição composta de vinte e um estabelecimentos educacionais espalhados pela Índia, onde as tradicionais matérias acadêmicas são oferecidas juntamente com o treinamento em yoga e instruções sobre ideais espirituais.

Em 1920, ele foi convidado a representar a Índia no Congresso Internacional dos Liberais Religiosos, realizado em Boston. Sua conferência nesse Congresso e subseqüentes palestras na Costa Leste dos Estados Unidos foram entusiasticamente acolhidas, e em 1924 ele partiu para uma turnê de conferências através do continente.

Durante as três décadas seguintes, Paramahansa Yogananda contribuiu de maneira profunda no sentido de criar no Ocidente uma percepção e apreciação mais agudas da sabedoria espiritual do Oriente. Em Los Angeles ele estabeleceu a Sede Internacional da Self-Realization Fellowship, uma instituição não sectária fundada por ele em 1920.

Através de suas obras escritas, das palestras e seminários realizados em suas longas viagens, e da criação de centros de meditação e templos da Self-Realization Fellowship, ele apresentou a milhares de buscadores da verdade a antiga ciência e filosofia da yoga, com os seus métodos de meditação universalmente aplicáveis.

Num artigo sobre a vida e obra de Sri Yogananda, o Dr.Quincy Howe Jr, professor de Línguas Antigas no Scripps College escreveu: "Paramahansa Yogananda trouxe ao Ocidente não apenas a perene promessa da realização de Deus, mas também um método prático por meio do qual os buscadores espirituais de todos os níveis sociais podem progredir rapidamente em direção àquela meta. Originalmente apreciada no Ocidente apenas em níveis elevados e abstratos, a herança espiritual da Índia é agora acessível como prática e experiência a todos que aspiram conhecer a Deus, não no além, mas aqui e agora... Yogananda colocou os métodos supremos de contemplação ao alcance de todas as pessoas."

Incorruptibilidade

Paramahansa Yogananda entrou em mahásamádhi (a derradeira vez que um iogue abandona conscientemente seu corpo) em Los Angeles, na Califórnia, em 7 de março de 1952, após concluir seu discurso num banquete em homenagem a Sua Excelência Binay R. Sen, embaixador da índia.

O grande instrutor mundial demonstrou o valor da ioga (técnicas científicas para chegar à percepção de Deus como realidade) não apenas em vida, mas também na morte. Semanas após haver partido, sua face inalterada brilhava com o divino esplendor da incorruptibilidade.

O sr. Harry T. Rewe, diretor do Cemitério de Forest Lawn, de Los Angeles (onde o corpo do grande mestre jaz temporariamente) enviou a SeIf‑Realization Fellowship uma carta com firma reconhecida, abaixo transcrita na íntegra:

"A ausência de quaisquer sinais visíveis de decomposição no cadáver de Paramhansa Yogananda constitui o mais extra-ordinário caso de nossa experiência. Se as proteínas musculares e o fluxo sangüíneo não estivessem comparativamente livre de bactérias, a deterioração do corpo deveria ter-se iniciado a partir de seis horas após o óbito.

Nenhuma desintegração física era visível no corpo, mesmo vinte dias após a morte.

O corpo estava sendo observado diariamente no Necrotério do Forest Lawn Memorial-Park, desde 11 de março de 1952, o dia dos últimos ritos públicos, até 27 de março de 1952, quando o urna de bronze foi lacrada com fogo.

Durante este tempo, nenhum indício de bolor revelava-se em sua pele e nenhum dessecamento (secagem) ocorreu nos tecidos orgânicos. Tal estado de preservação perfeita de um corpo, até onde vão nossos conhecimentos dos anais mortuários, é algo sem paralelo.

Funcionários do Forest Lawn viram o cadáver de Paramahansa Yogananda uma hora após sua morte no dia 7 de março de 1952. Ele foi então levado a Mount Washington, em Los Angeles, onde muitos amigos se reuniram para contemplar seu corpo.

Para a proteção da saúde pública, é aconselhável embalsamar um cadáver que será exposto durante vários dias à visitação. O embalsamamento do corpo de Paramhansa Yogananda foi feito vinte e quatro horas após seu falecimento. Na temperatura normal, a ação das enzimas dos intestinos causa a distensão dos tecidos na região abdominal, aproximadamente seis horas após a morte. Tal distensão não aconteceu em qualquer momento no caso de Paramhansa Yogananda. Quando nosso Necrotério recebeu o corpo para embalsamamento, este não apresentou nenhum sinal de deterioração física e nenhum odor de putrefação - duas ausências incomuns, quando se trata de uma morte que aconteceu vinte e quatro horas antes.

O corpo de Paramhansa Yogananda foi embalsamado na noite de 8 de março, com a quantidade de fluidos que é normalmente utilizada em qualquer corpo de tamanho semelhante. Nenhum tratamento incomum foi ministrado.

No caso de pessoas que são embalsamadas e exibidas para os amigos por um período de duas ou três semanas, é necessário, para uma boa apresentação, o embalsamador aplicar, na face e nas mãos do cadáver, uma emulsão cremosa para os poros, a qual temporariamente previne o aparecimento externo de fungos. No caso de Paramhansa Yogananda, nenhuma emulsão foi usada. Eram supérfluas, pois os tecidos de seu corpo não sofreram nenhuma transformação visível.

Após o embalsamamento, na noite de 8 de março, o corpo de Paramhansa Yogananda retornou para a sede da Self-Realization Fellowship, em Mount Washington. Ao final dos ritos públicos, na tarde de 11 de março, foi fechada a tampa de vidro da urna de bronze e essa não foi mais removida. Seu corpo nunca mais foi tocado por mãos humanas.

A urna com o corpo foi levada aproximadamente às 10 horas da noite do dia 11 de março ao nosso Necrotério para observação diária. A razão deste procedimento era a esperança dos dirigentes da Self-Realization Fellowship de que dois discípulos indianos de Paramhansa Yogananda poderiam chegar à Los Angeles algum tempo depois, quando então eles poderiam ser levados ao Necrotério para ver o corpo.

Em qualquer urna lacrada, na qual o ar não pode entrar nem sair, a umidade interna de um cadáver embalsamado forma rapidamente fungos brancos sobre a pele. Isso não ocorreria se um creme protetor fosse utilizado, o que não tinha sido feito. Uma das características da proteína muscular é quebrar os aminoácidos em ácidos de ptomaína. Quando os ácidos de ptomaína ficam ativos, deterioram rapidamente os tecidos. O corpo de Paramhansa Yogananda estava aparentemente destituído de qualquer impureza pela qual poderiam se converter proteínas musculares em ácidos de ptomaína. Seus tecidos permaneceram intactos.

Ao receber o corpo de Paramhansa Yogananda, os funcionários do cemitério esperavam observar, através da tampa de vidro do caixão, os costumeiros e progressivos sinais de decomposição física. Nossa admiração crescia à medida que os dias passavam sem trazer qualquer mudança visível no corpo em observação. O corpo de Paramhansa Yogananda permanecia evidentemente num estado fenomenal de imutabilidade.

No final da manhã de 26 de março, observamos uma leve pequena mudança: o aparecimento na ponta do nariz de uma mancha marrom, de um quarto de polegada de diâmetro. Esta pequena mancha indicava que o processo de dessecamento (secagem) poderia estar finalmente começando. Porém, nenhum fungo visível apareceu.

Durante todo este tempo, as mãos permaneceram em seu tamanho normal, não revelando nenhum sinal de enrugamento ou encolhimento nas pontas dos dedos - local onde a desidratação é rapidamente observada. Os lábios, que esboçavam um leve sorriso, continuavam firmes. Nenhum odor de decomposição emanou de seu corpo em qualquer momento. Embora a urna estivesse fechada com uma pesada tampa de vidro, ela não estava hermeticamente selada.

Qualquer odor do corpo, se existisse, teria sido percebido imediatamente pelas pessoas que estivessem por perto. A natureza volátil destes odores faz-se que seja impossível não percebê-los, salvo em raras circunstâncias, que não se fizeram aplicar neste caso.

Quando foi confirmado que os dois discípulos da Índia não viriam mais para a América antes de 1953, os dirigentes da Self-Realization Fellowship concordaram, no dia 27 de março de 1952, em que o sepultamento do ataúde de Paramhansa fosse providenciado. A tampa de vidro interna foi então lacrada com fogo na parte mais baixa da urna; a volumosa cobertura de bronze foi colocada em cima e fixada com um selador e parafusos. O processo de selagem por fogo foi realizado nos dias 27 e 28 de março. O caixão foi removido no dia 28 de março de 1952 para uma cripta no mausoléu de Forest Lawn Memorial-Park, permanecendo lá até que um lugar definitivo para o corpo fosse providenciado pela Self-Realization Fellowship.

A aparência física de Paramhansa Yogananda em 27 de março, pouco antes de colocar-se a tampa de bronze no ataúde, era a mesma de 7 de março. Ele parecia, em 27 de março, tão cheio de frescor e intocado pela corrupção, como na noite de sua morte. Em 27 de março, não havia, em absoluto, motivo para se afirmar que seu corpo sofrera qualquer desintegração física visível. Por estas razões, declaramos novamente que o caso de Paramhansa Yogananda é único em nossa experiência.Em 11 de maio de 1952, durante uma conversa por telefone entre um funcionário do Forest Lawn e um dirigente da Self-Realization Fellowship, foi trazida pela primeira vez toda esta história surpreendente. Previamente, o dirigente da Self-Realization Fellowship não sabia dos detalhes, pois ele não tinha estado em contato com o Diretor Mortuário, apenas com o Departamento Administrativo de Forest Lawn. No interesse da verdade, estamos felizes em apresentar este relato escrito para publicação na [revista] Self-Realization Magazine."


Poemas de Yogananda


Samadhi

Levantados os véus de luz e sombra,
Evaporada toda a bruma de tristeza,
Singrado para longe todo o amanhecer de alegria transitória,
Desvanecida a turva miragem dos sentidos.

Amor, ódio, saúde, doença, vida, morte:
Extinguiram-se estas sombras falsas na tela da dualidade.

A tempestade de maya serenou
Com a varinha mágica da intuição profunda.

Presente, passado, futuro, já não existem para mim,
Somente o Eu sempiterno, onifluente, Eu, em toda parte.

Planetas, estrelas, poeira de constelações, terra,
Erupções vulcânicas de cataclismos do juízo final,
A fornalha modeladora da criação,
Geleiras de silenciosos raios X, dilúvios de elétrons ardentes,
Pensamentos de todos os homens, pretéritos, presentes, Futuros,
Toda folhinha de grama, eu mesmo, a humanidade,
Cada partícula da poeira universal,
Raiva, ambição, bem, mal, salvação, luxúria,
Tudo assimilei, tudo transmutei
No vasto oceano de sangue de meu próprio Ser indiviso.

Júbilo em brasa, freqüentemente abanado pela meditação,
Cegando meus olhos marejados,
Explodiu em labaredas imortais de bem-aventurança,
Consumiu minhas lágrimas, meus limites, meu todo.

Tu és Eu, Eu sou Tu,
O Conhecer, o Conhecedor, o Conhecido, unificados!

Palpitação tranqüila, ininterrupta, paz sempre nova,
Eternamente viva.

Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação,
Beatitude do samadhi!

Nem estado inconsciente,
Nem clorofórmio mental sem regresso voluntário,
Samadhi amplia meu reino consciente
Para além dos limites de minha moldura mortal
Até a mais longínqua fronteira da eternidade,
Onde Eu, o Mar Cósmico,
Observo o pequeno ego flutuando em Mim.

Ouvem-se, dos átomos, murmúrios móveis;
A terra escura, montanhas, vales são líquidos em fusão!

Mares fluidos convertem-se em vapores de nebulosas!

Om sopra sobre os vapores, descortinando prodígios.

Mais além,
Oceanos desdobram-se revelados, elétrons cintilantes,
Até que ao último som do tambor cósmico,
Transfundem-se as luzes mais densas em raios eternos
De bem-aventurança que em tudo se infiltra.

Da alegria eu vim, para a alegria eu vivo, na sagrada alegria,
Dissolvo-me.

Oceano da mente; bebo todas as ondas da criação.

Os quatro véus do sólido, líquido, gasoso, e luminoso,
Levantados.

Eu, em tudo, penetro no Grande Eu.

Extintas para sempre as vacilantes, tremeluzentes sombras,
Das lembranças mortais:
Imaculado é meu céu mental – abaixo, à frente e bem acima;
Eternidade e Eu, um só raio unido.

Pequenina bolha de riso, eu,
Converti-me no próprio Mar da Alegria.

Copyright© Self Realization Fellowship. All Rights Reserved.
Paramahansa Yogananda - (Portuguese)



Minha Chegada à Antiga-Nova Terra da América

Memórias adormecidas
De amigos outra vez a encontrar
saudaram-me - a mim, viajante de além mar -
Pois sentiam que eu viria
À terra dos Peregrinos para a ela prestar culto.

A praia adormecida é só um vulto.
Desfeita a luz do dia, seus contornos distantes
Desmaiam sob estrelas cintilantes.
A brisa sopra forte sob o céu.
Idéias inesperadas
Me invadem de esperança em tropel,
Suaves, doces, ricamente trabalhadas.

O corvo triste da melancolia
pousou na minha mente. A alma ele queria,
A fim de minhas forças vencer pelo receio.
Então eu vislumbrei multidões e, no seu meio,
Alegre contemplei diáfanos amigos
Que agora vinham para estra comigo
Em jubiloso clamor.
Assim foi dissipado todo o meu temor!

Copyright© Self Realization Fellowship. All Rights Reserved.
Paramahansa Yogananda - (Portuguese)



Quando eu for Somente um Sonho

Venho para falar Dele a todos,
De como guardá-lo no peito
E da disciplina que atrai Sua graça.
A ti, que me pediste

Guiar-te à presença do meu Bem-amado,
Com minha silenciosa mente te advertirei,
Ou falarei contigo, através de um doce e expressivo olhar,
Sussurrarei baixinho com a voz do meu amor,
Ou te alertarei em voz alta quando te afastares Dele.

Mas quando eu me tornar apenas uma lembrança,
Ou imagem mental, ou voz silenciosa,
Quando nenhum apelo terrestre revelar
Meu paradeiro no espaço insondável,
Quando nenhuma leve súplica ou ordem severa
Trouxer de mim uma resposta,
Sorrirei na tua mente quando estiveres certo,
E quando errares, chorarei através de meus olhos,
Fitando-te veladamente na escuridão.

E chorarei através de teus olhos talvez;
E murmurarei através de tua consciência,
E raciocinarei contigo usando da tua razão,
E amarei todos através do teu amor.

Quando não mais puderes me falar,
Lê meus "Sussurros da Eternidade";
Por meio deles, falarei contigo eternamente.

Incógnito, andarei a teu lado
Protegendo-te com braços invisíveis.
E assim que conheceres o meu Bem-amado
E ouvires a Sua voz no silêncio,
Reconhecer-me-ás novamente, mais tangível
Do que me conheceste na Terra.

Mas quando eu for somente um sonho para ti,
Voltarei para te lembrar que também não passas
De um sonho do meu Bem-amado Celestial.

E quando souberes que és um sonho, como agora eu sei,
Estaremos despertos Nele para sempre.

Copyright© 1995 Self Realization Fellowship. All Rights Reserved.
Paramahansa Yogananda - "When I Am Only a Dream" (Portuguese)



Deus! Deus! Deus!

Das profundezas do sono,
Ao subir a escada em espiral do despertar,
Murmuro:
Deus! Deus! Deus!

És o alimento, e ao romper o jejum
da separação noturna entre nós,
Sinto o teu sabor e digo mentalmente:
Deus! Deus! Deus!

Não importa onde eu vá, o farol de minha mente
Sempre se volta sobre Ti,
E no fragor da batalha da atividade
meu silencioso grito de guerra é sempre:
Deus! Deus! Deus!

Se ruidosas tornentas de provas gritam
E a inquietação uiva junto a mim,
Abafo seus ruídos cantando em voz alta:
Deus! Deus! Deus!

Quando a mente tece sonhos
Com os fios da memória,
Nesse tecido mágico faço estampar:
Deus! Deus! Deus!

Todas as noites, quando o sono é mais profundo,
Minha paz em sonhos chama: Alegria! Alegria! Alegria!
E a alegria vem cantando sempre:
Deus! Deus! Deus!
Despertando, comendo, trabalhando, sonhando, dormindo,
Servindo, meditando, cantando, amando divinamente,
Minha alma sussurra o tempo todo, sem que ninguém ouça:
Deus! Deus! Deus!

Copyright© Self Realization Fellowship. All Rights Reserved.
Paramahansa Yogananda - "God! God! God!"
(Portuguese)

Fonte: Yogananda.com.br

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Os Ritos Maçônicos

A Maçonaria é uma instituição fraternal iniciática, composta por homens que congregam ideais construtivistas como a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade. Na maçonaria exerce-se a caridade que é um dos seus princípios. Seus ensinamentos são tradicionalmente transmitidos por meio de suas simbologias, alegorias e analogias. Sobre a sua origem temos uma grande discussão: alguns acreditam que a maçonaria descende das Sociedades Iniciáticas do Antigo Egito, outros dos Antigos Construtores Medievais, e tem alguns que reivindicam a origem aos Cavaleiros Templários. A Maçonaria denominada simbólica, possui 3 graus de extrema importância que formam a base de seus ensinamentos.

Os ensinamentos maçônicos são muito profundos, mas cabe ao verdadeiro maçom decifrá-los, os que conseguem descobrem "grandes verdades".

Se denomina de rito maçônico um conjunto sistemático de cerimônias e ensinamentos maçônicos. Esses variam de acordo com o período histórico, conotação, objetivo e temática dada pelo seu criador; os ritos hoje mais difundidos no mundo são: O rito de York, O rito Escocês Antigo e Aceito, O rito Francês ou Moderno.

Os Ritos e suas características

Adonhiramita: Criado pelo Barão de Tschoudy, ilustre escritor, em Paris, França, no ano de 1766. De caráter místico e cerimonial, atualmente só está em funcionamento no Brasil

Brasileiro: Rito que se originou em 1878 em Recife, com o primeiro movimento maçônico brasileiro, ficou adormecido até que em 1976 por iniciativa de Lauro Sodré, Grão Mestre, deu o caráter de regular, legítimo e legal para o rito. Este sofreu ainda atualizações, para a sua forma atual.

Escocês Antigo e Aceito: Derivou-se do Rito de Heredon. Em 1º de Maio de 1786 foram fixadas as regras e seus fundamentos, composto até hoje de 33 graus. Atualmente é o rito mais difundido nos USA e nos países latinos.

Escocês Retificado: Este Rito maçônico é inspirado na história e nas tradições dos Cavaleiros Templários. Ele surgiu em 1778 em Lyon em França e deve sua origem a um Rito da Alemanha chamado Estrita Observância Templária.

Estrita Observância: Criado em 1764 pelo Barão Hund, com fundamento nas antigas "Ordens de Cavalaria". Era composto originalmente de 12 graus.

Francês ou Moderno: A história deste rito se inicia em 1774, com a nomeação de uma comissão para se reduzir os graus, deixando apenas os simbólicos. No princípio houve uma forte oposição, então a comissão decidiu deixar 4 dos principais graus filosóficos. Com o decorrer do tempo, lojas adotaram o rito e hoje em dia é muito praticado na França e nos países, que estiveram sob sua influência.

Heredom ou Perfeição: Iniciado em Paris, no ano de 1758. Foi o antepassado do Rito Escocês Antigo e Aceito e não passa de uma sua variante. Na década de 1840 confundia-se com o Rito Escocês, coexistindo, em diplomas, as duas terminologias. Tem 25 graus, com os mesmos títulos e características dos primeiros 25 graus do Rito Escocês, com a exceção dos 20, 21, 23 e 24, onde se registravam variações

York (ou Real Arco): Acredita-se ter sido criado por volta de 1743. Foi levado à Inglaterra por volta de 1777. Inicialmente foi composto de 4 graus, hoje possui 13 e atualmente é o rito mais difundido no mundo.

Mizraim ou Egípcio: Acredita-se ter surgido na Itália em 1813, e em seguida foi levada à França por Marc, Michel e Joseph Bédarride. Mizr significa Edito em hebraico, e seus divulgadores afirmam ser derivado dos Antigos Mistérios Egípcios; possuem 90 graus, dividido em quatro classes.

Mênphis ou Oriental: Foi introduzido em Marselha(França) pelos Maçons Marconis deNégre e Mouret, no ano de 1838; esse rito dirige seus ensinamentos como o de Mizraim para a tradição Egípcia, compõe-se de 92 graus, dividido em 3 séries.

Mênphis-Mizraim: Rito criado com a reunião dos ritos de Mênphis e Mizraim em 1899 no Grande Oriente da França.

Mizraim-Mênphis: Rito criado com a reunião dos dois ritos, com conotação mais voltada ao Mizraim.

Adoção: Criado pelo grande Cagliostro na França em 1730, e reconhecido pelo Grande Oriente da França em 1774; trata-se de um rito de temática egípcia, voltado para mulheres.

Schröeder: Criado por Frederick Louis Schoröeder, em 1766 na Alemanha, com a idéia de a Maçonaria conter apenas a sua características fundamentais iniciais, sem nenhum acréscimo. Estudou muito as origens maçônicas para compor este rito.

Swenderborg: Criado em 1721 pelo Sueco Emmanue lSwenderborg, grande iluminista, teósofo, filósofo, psicólogo, e físico, e estudioso dos mistérios maçônicos desenvolveu este rito com oito graus, e deu origem posteriormente aos ritos denominados de Iluministas.

Fonte: www.hermanubis.com.br

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Arquétipo do Graal

Por Rosane Volpatto

De todos os mitos celtas, o Mito do Graal é o mais fecundo em quanto suas proporções, suas variantes e suas interpretações. Em sua origem,o Graal e a lenda que o rodeia procede de um tema celta de "vingança por sangue". Não obstante, pretender que a Busca do Graal é só uma narração de vingança, há autores que atribuem essa "busca" há uma espécie de iniciação à realeza e à soberania. Já outros, a vêem na regeneração do País do Graal por um Cavaleiro eleito, como uma espécie de ritual de fecundidade. Enquanto que Jessie Weston, em uma série de obras discutíveis, mas apaixonantes, emitiu a hipótese de que os elementos do Cortejo do Graal tinham todos um valor simbólico e ritual, e que, a lança que sangra representa o princípio masculino, o Graal, ou seja, a taça, representa o princípio feminino. Seria pois, a união dos princípios que devolveria ao País do Graal, devastado e estéril, sua riqueza e fertilidade de antigamente.

O simbolismo sexual do Graal é indiscutível: é uma taça e, como tal, é a imagem do seio que despensa alimento. Por analogia, é um continente, e seu conteúdo, na versão cristianizada, é o sangue de Jesus. Por isso, é fácil deduzir que o Graal, mais do que a imagem do seio, representa o útero da Deusa Mãe, que dá vida a todas as criaturas do Mundo, a condição de ser fecundada. Sabemos que o País do Graal é estéril, está devastado e que esperam o cavaleiro eleito que deve devolver a fertilidade perdida. Como o Rei Pescador tem um ferimento que afetou suas partes viris, portanto, a taça do Graal como "útero materno", só poderá ser fecundado por um homem eleito. Por analogia, Jesus seria esse eleito, mas qual foi o útero que Ele fecundou?

Portanto, "O Código da Vinci" de autoria de Dan Brown, não é um "insulto à inteligência", como muitas pessoas já se referiram à obra, mas sim, mais uma das muitas interpretações cabíveis no que se refere a "taça do Graal".

O Graal é pois, incontentavelmente um símbolo "Feminino" e a "Busca" que o cavaleiro empreende para encontrar o Graal, é uma busca de feminilidade.

Um estudo de várias versões de sua lenda, nos permitirá constituir um dossiê a favor dessa opinião.

Cortejo do Graal

No romance Perceval ou "Le Conte du Graal", Chrétien de Troyes, descreve que o jovem guerreiro encontra um velho aleijado (foi ferido na coxa e tornou-se impotente), pescando à beira de um rio. Mandado a um castelo cercado de terras estéreis a fim de passar a noite, Parsifal descobre que seu anfitrião é o pescador. Então uma estranha procissão acontece:

"As tochas iluminavam a sala com tal claridade que não se podia encontrar um alojamento alumbrado com mais brilho. Enquanto conversam à vontade, aparece um criado que sai de uma sala próxima, carregando uma lança de brancura deslumbrante...Uma gota de sangue pendia da ponta da lança e escorria até a mão do criado que a levava...Então, aparecem outros dois criados, homens muito belos, carregando cada um em sua mão um lustro de ouro niquelado, em cada lustro brilhavam a ao menos dez círios. Depois apareceu um graal entre as mãos de uma bela e gentil donzela, que seguia os criados. Quando entrou com o Graal, se expandiu pela sala uma claridade tão grande que os círios empalideceram como as estrelas ou a lua quando sai o sol. Atrás dessa donzela vinha outra, levando um ábaco de prata. O Graal que ia adiante era do ouro mais puro; tinha pedras preciosas encrustadas, as ricas e mais variadas que existam na terra ou no mar; nenhuma gema podia comparar-se com o Graal." (Tradução francesa de Lucien Foulet, pp. 75-75).

O cortejo faz referência a três elementos: o Graal, a lança e o ábaco. O Graal era transportado por uma mulher, assim como o ábaco, e esse último é de prata, o Graal é de ouro, ou ao menos tem o aspecto de ouro e brilha como o sol.

A lança que goteja sangue é um dos objetos mais maravilhoso da "busca celta", apesar da interpretação cristã tardia, pois trata-se da lança que teve Lug, que não perdia nenhuma batalha se a tivesse em suas mãos. É a "Lança de Assal".

Também é a lança do herói irlandês Celtchar, filho de Utechar, personagem bastante estranho que aparece em certas epopéias secundárias do Ciclo de Ulster.

Celtchar, foi ferido por Cet, filho de Maga e tornou-se impotente. Na narração de "A Morte de Celtchar, filho de Utechar", a maulher de Celtchar, Brig Bretach, o engana com Blai Briuga. Celtchar então, mata o amante, enquanto ele se encontra na mansão real jogando xadrez com Conchobar e Cuchulain. Afunda a lança através do corpo tão bem que uma gota de sangue foi parar sobre o tabuleiro do xadrez. Essa gota de sangue é importante, pois o lugar onde cai permite saber quem, se Conchobar ou Cuchulain, quem deve assumir a vingança contra Celtchar, pois este havia violado o direito de asilo e hospitalidade da mansão real. Finalmente, Celtchar é condenado a limpar o Ulster de três pragas.

A primeira das pragas é Conganches mac Dedad, irmão de Curoi, que assola o país e contra o qual as lanças e as espadas não surgem efeito. Celtchar arruma para casar com Conganches, sua filha, que curiosamente se chama Niam (Céu). Niam pergunta ao marido se há alguma maneira de poder matá-lo. Ele responde:

-"Devem cravar pontas de vermelho vivo nas plantas de meus pés e em minha tíbias".

Com conhecimento desse segredo, o pai de Niam consegue matar Conganches. Celtchar ataca a segunda praga, que é um cão infernal que consegue matar mediante uma artimanha. Finalmente, a terceira praga, também um terrível cão, será fatal para Celtchar. Ele consegue matar o cão, porém ao retirar a lança do animal e brandi-la, uma gota de sangue do cão cai da lança ao chão e mata Celtchar.

O tema da gota de sangue no extremo da lança aparece aqui com tanta insistência que não é possível ver uma simples coincidência. Existe no "Cortejo do Graal" uma reminiscência dessa misteriosa história de Celtchar, ou qualquer história do mesmo gênero? Com certeza. Não só o tema do cão infernal, uma espécie de Cérbero que se expande pelo país dos vivos para devastá-lo, faz pensar na desolação do país do Graal, assolado e estéril, assim como o personagem de Celtchar, ferido em suas partes sexuais e vítima de sua própria lança, está em relação ao Rei Pescador, ferido no mesmo lugar e que ordena a famosa lança com uma gota de sangue em seu extremo no Cortejo do Graal. Finalmente, existe uma história de vingança sanguinária, como no Graal primitivo. Enquanto o nome da filha de Celtchar, Niam, diz muito sobre as relações que unem Celtchar com o Outro Mundo, como o Rei Pescador, e não é impossível que a filha do rei, a portadora do Graal, que se converterá mais tarde na "Buscadora" cisterciense na mãe de Galaad, o sábio, seja o mesmo personagem mitológico que essa Niam, filha de Celtchar.

Graal Cabeça

Uma das narrações mais antigas do País de Gales, que representa a tradição britânica antes da separação dos bretões, nos apresenta uma história da Cabeça Cortada que é bem conhecida, é a história de Bran o Bendito, personagem mitológico considerado como um dos numerosos aspectos do Rei Pescador.

"A expedição a Irlanda organizada por Bran e os bretões, a fim de vingar afronta a sua irmã Branwen e recuperar o caldeirão mágico que ressuscita os mortos, acaba em um desastre. Bran, ferido no pé por uma lança envenenada, pede aos sete sobreviventes bretões que cortem sua cabeça e a levem consigo. Assim o fazem. Os sete sobreviventes em companhia de Branwen, atracam em Hardlech e se instalam aí. Começaram a prover-se de alimentos e bebidas em abundância e se puseram a comer e beber. Três pássaros passaram a cantar um canto que deixava sem valor tudo que tinham ouvido antes. Essa cena durou sete anos e depois partiram até Gwales, em Penvro. Ali se instalaram em uma grande sala com a cabeça de Bran exposta. Pelos muitos sofrimentos que houvessem visto, por muitos que houvessem padecido pessoalmente, não recordavam nada, nem nenhuma outra pena do mundo. Passaram oitenta anos de tal forma que não recordavam um tempo melhor, nem mais agradável em toda sua vida. Não estavam cansados; ninguém deles notava que o outro houvesse envelhecido em todo o tempo desde que chegaram. A companhia da cabeça não resultava mais penosa que quando Bendigeit Vran estava vivo. Depois desses oitenta anos, abrem uma porta, em seguida recuperam a memória, e também o cansaço e o sofrimento, e vão cumprir o último desejo de Bran: enterraram sua cabeça na Colina Branca, em Londres." (Joseph Loth, Mabinogion, I, pp. 142-149)

Essa história tem muitas analogias com o Cortejo do Graal. Para começar, aparece o caldeirão que ressuscita os mortos. Não conseguindo recuperá-lo, Bran entrega sua cabeça a seus companheiros, como uma espécie de substituto do caldeirão. Bran é ferido no pé por uma lança envenenada e como o Rei Pescador, se converte em impotente para governar, pois é um Rei Ferido. Enquanto a vingança, é clara: a expedição se havia organizado para vingar a afronta sofrida por Branwen. Quando os sobreviventes, em companhia de Branwen, expõe a cabeça no local onde se encontram, perdem a noção do tempo, não envelhecem.

A cabeça desempenha a mesma função do Graal: procura alimento e bebida e impede de envelhecer. Assim alcançam um paraíso comparável a Terra das Fadas, tantas vezes descritas na literatura irlandesa, onde não existe a morte, o sofrimento, nem a enfermidade.

A cabeça, em resumo, lhes restitui o paraíso que haviam perdido ao nascer, o que demonstra claramente uma função materna, feminina, e dita função se vê reforçada pela presença dos pássaros de Rhianonn, e também com a presença de Branwen, cujo nome significa "Seio Branco", e que muito bem poderia ser a portadora da cabeça e portanto, a portadora do Graal.

A narração é um dos aspectos do arquétipo primal do Graal. Os autores da Idade Média tinham conhecimento dessa lenda da cabeça cortada de Bran, pois a encontramos em obras que se referem aos cavaleiros do rei Arthur e a Busca do Graal.

Graal Pedra Filosofal

Parzival (Wolfram d'Eschenbach): "Tudo aquilo com que se alimentam, lhes vêm de uma pedra preciosa, que, em sua essência, é toda pureza. Se não conheceis, os direi seu nome: se chama Lapsit exillis. Mediante a virtude da dita pedra, a fênix se consome e se transforma em cinzas, porém das cinzas renasce a vida: graças a essa pedra a fênix realiza sua muda para reaparecer com todo seu brilho, mais belo do que nunca. Não há homem enfermo que, em presença dessa pedra, não está seguro de escapar da morte durante toda a semana que segue ao dia em que a tenha visto. Quem a vê, cessa de envelhecer. A partir desse dia em que essa pedra lhes aparece, todas as mulheres e todos os homens recuperam a aparência que tinham na época em que estavam em plenitude de forças. Se estiverem em presença da pedra durante duzentos anos, não morreriam: só seus cabelos se tornaram brancos. Essa pedra outorga tal vigor ao homem que seus ossos e sua carne recuperam de pronto sua juventude. Também recebe o nome de Graal...Cada sexta-feira santa (uma paloma) lhe dá a pedra a virtude de proporcionar as melhores bebidas e os melhores manjares...No paraíso não há nada mais delicioso...A pedra, ainda, procura para seus guardiães, caça de todo tipo" (Tradução francesa de Ernest Tonnelat, II, pp. 36-37)

Wolfram, em sua narração, considera o Graal como sendo uma grande esmeralda e sobre essa esmeralda há um poder que é trazido cada sexta-feira santa por uma paloma, algo que, simbolicamente, significa que a dita pedra possui um poder espiritual, ou de origem espiritual. Uma vez mais, o Graal é um recipiente, aqui na forma de um prato de esmeralda.

Existe uma outra lenda célebre de outra pedra mágica na tradição irlandesa, que se trata da "Pedra de Fal", que é a Pedra da Soberania. A Pedra Fal encontrava-se em Tara e quando um homem deveria ascender à realeza, ela gritava de maneira que todo mundo podia ouvi-la. Essa pedra não só poderia se comparar ao Graal, mas também desempenha um papel na própria busca do Graal.

Quando o rei Arthur funda a Távola Redonda, Merlim, o Encantador, lhe dá o seguinte conselho:

-"A direita de meu senhor o rei, sempre haverá um assento vazio em memória de Nosso Senhor Jesus Cristo, nada se poderá colocar ali, para não correr o perigo de ter a mesma sorte de Moisés, que foi engulido pela terra, exceto o melhor cavaleiro do mundo, que conquistará o Santo Graal e conhecerá seu sentido e verdade".

Se trata, pois, do Assento Perigoso, sobre o qual só deve sentar-se o Eleito. Quando Percival se sentou nele, imediatamente a pedra, debaixo do assento se dividiu, e gritou num tom de angústia que a todos pareceu que o mundo ia precipitar-se num abismo. Percival era indigno de sentar no assento e ao sentar-se nele, causou a enfermidade do Rei Pescador. E, o Rei Pescador só podia ser curado por aquele que levasse a cabo as aventuras do Graal: então a pedra voltaria a soldar-se. O caráter de Percival era demasiadamente pagão para ser o Herói do Graal. Então se prepara a entrada de Galaad o Puro, de tradições celtas. Assim, na versão completamente cristianizada do mito senta-se Galaad (filho de Elaine e Lancelot) no Assento Perigoso, sem que nada se suceda.

A Busca do Graal é uma luta sangrenta entre os membros da comunidade para apropriar-se da soberania, sendo dita soberania a Mulher, a Rainha ou Deusa, imagem simbólica da Mãe toda poderosa cujos filhos somos todos nós.

Agora sabemos o sentido profundo dessa busca que enfrentam os homens pela possessão da Mulher, e também o sentido que convêm dar a "Soberania".

O Graal Cristão

No período cristão, a cabeça cortada, os caldeirões e as pedras filosofais se transformam no cálice ou prato que Jesus Cristo utilizou na última ceia para instituir o sacramento da eucaristia. Embora as aplicações anteriores não se percam completamente, agora estamos diante de um posicionamento paternalista, que irá sepultar todas as qualidades femininas do Graal e sua associação com a Deusa, ou seja, sua atenção passará do terreno material para o espiritual.

O Graal passa para as mãos masculinas de José de Arimatéia, não é mais carregado por sua portadora original. Arimatéia é um homem rico que se encarregou do corpo de Jesus depois da crucificação e encarregado de o sepultar. Num cálice recolheu algumas gotas do sangue sagrado.

Como o Santo Graal, possui propriedades milagrosas e confere a seus proprietários um vínculo especial com Deus. Foi construída uma mesa para depositá-lo, em memória da mesa da última ceia. Os parentes e amigos de José de Arimatéia o transportaram à Britânia, aos vales de Avalon, que poderiam estar localizados em pleno coração de Sommerset, a futura localidade de Glastonbury.

A lenda assim, está claramente entroncada com as origens da abadia de Glastonbury, embora suas fontes e inter-relações permaneçam obscuras. Passou depois a diversos protetores do Graal, descendentes de José de Arimatéia, que viveu em um misterioso castelo chamado Corbenic. O Graal, embora oculto, conferiu à Britânia um lugar privilegiado na cristandade, e serviria de veículo de uma visão especial ou revelação à qual teria acesso o buscador que a merecesse.

Nos primeiros tempos do rei Arthur, o encarregado da custódia do Graal era Pelles, que em dado momento decide que chegou a hora para nascer um novo merecedor do Graal. Deveria ser um cavaleiro perfeito da estirpe de José, ou como o próprio Pelles.

Pelles tinha uma filha, Elaine e quando Lancelot chega a Corbenic, é o próprio Pelles, que entorpecendo-o com uma poção mágica, o faz acreditar que tem um encontro amoroso com Guinevere e não com sua filha. Assim, Elaine concebe um filho, que se chamará Galaad e será o cavaleiro mais perfeito que possa-se imaginar. É ele que ocupará o Assento Perigoso na Távola Redonda.

O Graal tinha passado da Britânia a um país distante, Sarras. Galaad, se dirige para lá, acompanhado por Percival e de Bors, um primo de Lancelot. É em Sarras onde alcança a visão suprema...e morre. Nenhum dos outros conseguiu. O final da procura está repleto de dor e, quando se alivia a dor porque já passou tudo, Camelot já não voltará a ser o que foi.

Iniciação ao Graal

Nas lendas arturianas dos séculos cristãos, está clara a iniciação que é retratada na procura do Santo Graal. Conta-se que todo aquele que saía a sua procura, tendo encontrado o castelo do Graal, tinha que passar por um certo teste. Se assim fizesse, o Rei Pescador seria curado e as Terras Desoladas tornar-se-iam férteis outra vez. P teste consistia em perguntar o que significavam as maravilhas que via, quando os objetos sagrados eram expostos, e a quem o cálice do Graal servia. Se não perguntasse, o castelo, o rei, o Graal, tudo se dissolveria como um sonho e as terras permaneceriam estéreis, até que ele ou um outro pudesse alcançar o castelo novamente, quando haveria uma segunda chance de fazer a pergunta.

Quando, Percival pela primeira vez alcançou o castelo do Graal, ficou tão dominado pelo terror e admiração, causado pela misteriosa procissão do Graal e da Lança e com seus seguidores que não perguntou sobre eles. Gawain, da mesma maneira, foi dominado pelo sono no momento crítico, de maneira que também não perguntou o seu significado.

Aqui vemos que é a compreensão que liberta a paralisia da inconsciência. Ver as imagens do inconsciente não é o bastante. Ao menos que entendamos seu significado permanecemos espiritualmente crianças, sujeitos ao feitiço do destino.

O inconsciente é uma presença poderosa e contínua. Toda a vida existe a partir dessa noite interior e fecunda sobre tudo o que fazemos, pensamos e sentimos. Somos todos cálices que contêm tesouros. No entanto, aspectos desses tesouros são mais escuros e mais perigosos do que nos permitimos imaginar. Quando o inconsciente se ilumina, suas forças escuras nos libertam. No entanto, é precisamente nesse limiar que cada indivíduo é guardião e sujeito da própria transformação. A maçaneta está do lado interno da porta, mas cabe somente a nós ter coragem para abri-la.

Terra Desolada

A vida atualmente teria alcançado uma paralisação. E assim, inesperadamente, o excesso de bem caiu em seu oposto e tornou-se o excesso do mal. Essa condição de estagnação corresponde a condição do mundo na lendas do Graal, onde a doença do Rei Pescador se reflete em seu país, transformando-o na Terra Desolada.

A Terra Desolada é o retrato de um grande número de indivíduos como também de nações ocidentais em geral. A atitude nacional em relação à vida, com sua tentativa de controlar a natureza em toda sua criação e destruição, resultou numa unilateridade que caiu em seu oposto. Todos os valores emocionais não considerados acumularam-se no inconsciente, enquanto a atitude consciente tem se tornado seca e insatisfatória por causa da ausência daqueles elementos que foram drasticamente eliminados.

Mas a energia emocional, confinada no inconsciente pode explodir violentamente em nossa vida ordenada cotidiana. S assim fizer irá derrubar as amarras do seguro e do familiar, construídos pelo costume e convenção. Quando tal erupção ocorrer, uma grande inundação afetará não somente um indivíduo, mas comunidades inteiras, talvez até nações. Esse dilúvio, ao invés de rejuvenescer a vida nacional, ameaçará remover todos os limites estabelecidos pelo homem e arrastará o mundo de volta ao caos original, a partir do qual todas as civilizações humanas foram construídas a tão alto preço. Não faltam indicações, atualmente, de que as marés estão subindo no inconsciente, tanto dos indivíduos como das nações. Se essas marés irromperem violentamente, um dilúvio pode uma vez mais devastar o mundo, obliterando as realizações da civilização humana.

Bibliografia consultada:
Hadas y Elfos - Édouard Brasey
La Mujer Celta - Jean Markale
Diccionario de Las Hadas - Katharine Briggs
El Gran Libro de la Mitologia - Diccionario Ilustrado de Dioses, Heroes y Mitos - Editora Dastin; Madrid
Os Mistérios Wiccanos - Raven Grimassi
Livro Mágico da Lua - D. J. Conway
Explorando o Druidismo Celta- Sirona Knight
O Livro da Mitologia Celta - Claudio Crow Quintino
O Amor Mágico -Laurie Cabot e Tom Cowan
Hadas - Jesus Callejo
Os Mitos Celtas - Pedro Pablo G. May
Diccionario Espasa - J. Felipe Alonso
A Deusa Tríplice - Adam Mclean
La Mythologie Celtique - Y. Brékillen
La Reine et le Graal - C. Méla

Fonte: site da autora