sábado, 4 de outubro de 2008

Teosofia Brasileira - A Religiosidade Ecológica Nativa do Brasil


O que é Teosofia Brasileira?

Para esclarecermos isso, vamos considerar em primeiro lugar, o que é Teosofia.

Teosofia ou Sabedoria Iniciática das Idades, ou ainda Sabedoria Divina é um cabedal de saber transmitido de uma humanidade à outra humanidade. De Seres Humanos evoluídos à Seres Humanos em estado de desenvolvimento, os primeiros muitas vezes considerados deuses. Assim Seres Humanos de outras plagas siderais legaram as seres da Terra seu “Saber dos Ciclos dos Céus” (Arandu Arakuaa), e os remanescentes da Civilização Atlânte, transmitiram aos homens da atual humanidade, no início de sua jornada essa mesma Sabedoria, que foi transmitida, era após era, civilização após civilização, à egípcios, fenícios, caldeus, babilônicos, persas, hebreus, tibetanos, hindus, chineses, celtas, gregos, romanos, etc. Idade após idade, até chegar aos nossos dias, isso que veio a ser chamado atualmente de Teosofia.

Por que então ser chamada de Sabedoria Iniciática, isso porque o conhecimento outrora livre e de fácil acesso, foi com o tempo restrito a um conjunto cada vez menor de iniciados se convertendo no que veio a ser chamado mais tarde de “Sabedoria Oculta” (Tuyabaé-Cuaá) . Isso ocorreu em parte, devido a degeneração humana e em parte devido as perseguições religiosas. Assim a Sabedoria Oculta foi se tornando cada vez mais restrita de modo a proteger esse cabedal de conhecimentos e seus detentores das fogueiras da ignorância e da perseguição obscurantista.

Sendo assim, vamos encontrar a Teosofia, ou Sabedoria Iniciática das Idades, a Sabedoria Oculta, mantida viva por grupo de iniciados que no passado, assim como nós hoje, sentavam-se em círculo e estudavam a Sabedoria legada à eles pelos seus ancestrais divinos e enriquecida através da experiência dos séculos de seus antepassados. Assim, houve épocas, bem como lugares, onde esses conhecimentos puderam ser estudados livremente, seguidos de períodos obscuros. E hoje, devido aos esforços de uma corrente ininterrupta de iniciados essa Sabedoria chega até nós, não como um conjunto de conhecimentos teóricos e mortos, mas como um saber vivo e atualizado, sempre renovado pela contribuição humana, através dos séculos.

Considerando o exposto, vemos que cada povo foi o guardião de uma parte, pelo menos por um momento da “Ciência das Idades” que chegou até os nossos dias.

Mas qual é o objeto de estudo da Teosofia? Por que ela também seria acertadamente chamada de “O Saber do Movimento do Universo” (Arandu Arakuaa)? Isso por que entre seus principais objetos de estudo encontram-se as Leis Universais e o estudo dos Arquétipos Cósmicos que controlam a existência humana na Terra e que são capazes de dar ao Homem o domínio sobre a vida.

Cada povo por sua vez, revelou (re + velou), ou como dizia o professor Henrique José de Souza, “velou com outros véus” essa Sabedoria, vertendo-a em signos, símbolos e alegorias que a tornavam inteligível para eles.

Assim, vamos encontrar a Teosofia Egípcia apresentada através de signos, símbolos e alegorias comuns as Terras dos Faraós e ao nível cultural e de desenvolvimento psicológico de seu povo, revelada de acordo com sua cultura e sua realidade. O mesmo ocorreu na babilônia, entre os caldeus, fenícios, chineses e hindus. Dessa forma, podemos dizer tivemos uma Teosofia Caldaica, uma Teosofia Fenícia, uma Teosofia Chinesa, Hindu, Tibetana, etc.

Porém, apesar disso, a Teosofia, não está ligada, nem limitada a nenhum povo ou cultura, pois ela não é ligada a nenhum conjunto de signos, símbolos e alegorias específicos.

No sec. XIX Helena Petrovna Blavatsky (H.P.B.), fundadora do moderno movimento Teosófico, trouxe esse Saber do Oriente para o Ocidente, das Índia, principalmente do Tibet, onde esse conhecimento tinha sido mais preservado. Na época ambas as regiões eram áreas de influência inglesa, um dos povos que representava a vanguarda da civilização européia ocidental. Era necessário demonstrar a Sabedoria existente ainda na Índia e no Tibet, para evitar que eles, os ingleses, no seu afã modernizador, “não jogassem fora a água suja (da superstição e do erro), junto com a criança (a sabedoria verdadeira)”, ou seja que no ímpeto de lutar contra a ignorância e o erro, destruíssem também algo precioso, que ainda não eram capazes de compreender.

Por ter sido inicialmente dirigida aos ingleses e através deles aos europeus de um modo geral, que uma das características da moderna Teosofia é o seu cartesianismo europeu.

Assim quando H.P.B. trouxe a moderna Teosofia do oriente para o ocidente, ela veio carregada de signos, símbolos e alegorias Indianas e Tibetanas, a ponto de muita gente confundir Teosofia com Hinduismo ou Budismo, ou ainda considerar que para se aprender Teosofia, tem que se aprender sânscrito. Ledo engano, a Teosofia ou Sabedoria das Idades, não está limitada a cultura dos povos Tibetanos, ou Hindus, como muitos pensam.

Assim a Teosofia moderna, organizada originalmente em língua inglesa por H.P.B. e extraída originalmente da tradição esotérica hindu e tibetana, ficou carregada de sânscrito e de signos, símbolos e alegorias hindus e tibetanos, além de ficar impregnada por um forte cartesianismo europeu, por que era principalmente aos aos europeus que ela era orientada.

Mas temos também na Teosofia ensinada por H.P.B. muitos elementos das alegorias dos povos egípcios, porém o bloco principal encontra-se radicado no Hinduismo e no Budismo Tibetano. Da mesma forma, se H.P.B. tivesse ido buscar a Teosofia no Japão, a principal corrente da Teosofia, que foi por ela ensinada, estaria impregnada de Zen Budismo e de Xintoísmo japonês, ou caso ela tive-se buscado esse saber em meio aos gregos, a Sabedoria das Idades seria fortemente impregnada dos signos, símbolos e alegorias gregas.

Assim, é importante desfazermos de uma vez por todas a idéia errônea de que “temos que aprender sânscrito para estudar Teosofia” ou mesmo que para isso seria necessário aprender filosofia oriental. Isso é totalmente errado, com já dizemos nem sânscrito, nem hinduismo ou mesmo budismo, ou qualquer cultura, oriental, ou ocidental, são capazes de conter a Sabedoria Iniciática das Idades. Pelo contrário, é esta Sabedoria que abarca todas estas e muitas outras culturas.

Considerando isso, ao apresentarmos a Teosofia Brasileira, procuramos apenas resgatar alguns signos, símbolos e alegorias que também pertencem a Sabedoria Iniciática das Idades, que foram guardados pelos Mestres e Guias da Raça Vermelha dos Senhores da Atlântida, e que chegaram até nossos dias através dos nativos brasileiros, seus últimos guardiões, os antigos Tupis.

Mas quais seriam os motivos que nos levaram a buscar revelar a Sabedoria das Idades, através dos signos, símbolos e alegorias dos nativos desta terra?

Respondemos isso, afirmando que cada povo tem uma maneira muito peculiar de aprender e guardar informações, um modo de aprender que é mais comum a todos os seus membros.

Assim através de um atavismo cultural cada povo responde melhor a determinados signos, símbolos e alegorias. Se nos dirigimos a orientais, ou a ocidentais, a europeus ou americanos, temos que considerar os meios de mobilizar o conteúdo subconsciente que existe no interior do povo ao qual nos dirigimos, isso se quisermos facilitar o entendimento das Verdades Arquetípicas que estamos tentando transmitir. É claro que sabemos que cada pessoa possui maneiras individuais de aprender e assimilar informações, porem como membro de um determinado povo, cada pessoa apresenta também alguns elementos de aprendizado comuns em relação aos seus conterrâneos.

Além disso, nossos antepassados possuem uma tradição extremamente rica em sabedoria, principalmente para ensinar as pessoas ditas civilizadas, um sistema de vida e relações humanas baseado no desenvolvimento e progresso de corações valorosos.

Comparando o saber acumulado pela humanidade com a alegoria de um grande banquete, onde várias culturas e povos sentam-se a mesa com uma parte da Sabedoria das Idades que receberam dos que os antecederam e que eles próprios enriqueceram, contribuindo de uma forma ou de outra para alimentar de saber a humanidade sedenta de conhecimentos.

Da mesma forma que os demais povos e civilizações da Terra, o povo brasileiro não precisa sentar-se a esta mesa, onde é servido o alimento do saber, como um indigente. Ao contrário, ele também é detentor de uma vasta cultura esotérica e de uma espiritualidade ecológica mágica que herdou de seus antepassados ameríndios. Uma riqueza de saber e conhecimento que só precisa ser resgatada.

A Teosofia Brasileira é um dos caminhos para acessar esses conhecimentos adormecidos, mas de maneira nenhuma perdidos. A Teosofia Brasileira, não é uma dissidência da Teosofia Clássica, na realidade procuramos através dela, enriquecer a Teosofia Clássica, resgatando mais um de seus filões esquecidos, que é a Espiritualidade Ecológica e Esotérica dos ameríndios pré-colombianos, com seus totens, animais de poder, suas ervas, seus cantos e suas danças de cura, etc. Considerando isto, vemos que quem estuda Teosofia Brasileira, aprende Teosofia Clássica, estudando a Sabedoria Iniciática das Idades baseada nos conhecimentos hindus, tibetanos, egípcios, celtas, etc. mas também aprende os signos, símbolos e alegorias Tupi, povo que encontra-se praticamente todo encarnado no Brasil, formando o grosso do povo brasileiro.

Assim a utilização dos signos, símbolos e alegorias de nossos ancestrais nativos americanos falam diretamente a alma do brasileiro, que é essencialmente uma Alma Tupi no seu âmago mais profundo. Nela as revelações da Teosofia Brasileira encontram eco e fazem brilhar a luz da compreensão do “Saber dos Ciclos dos Céus”.

Podemos dizer então que a Teosofia Brasileira é uma tentativa dentro do movimento Teosófico de encontrar uma perspectiva brasileira da Teosofia, e o SETE – Sociedade de Estudos Teosóficos, está realizando o desafio de apresentar essa nova perspectiva da Teosofia, enriquecendo seu aprendizado e tornando-a magicamente mais assimilável pela Alma do povo brasileiro.

Dessa maneira, iniciamos uma nova abordagem do saber esotérico, através dos ensinamentos da Religião Ecológica de nossos antepassados nativos, cujo objetivo é tratar das origens espirituais do nosso povo, auxiliá-lo no presente e apontar-lhe um caminho para um futuro melhor. Porém, essa revelação se dirige aquelas poucas pessoas que ainda forem capazes de assimilar algo que vai além do cartesianismo europeu e do estreito intelecto do Mental Concreto, algo que fala a nossa mais profunda intuição.

Ao apresentarmos esses ensinamentos dirigimo-nos principalmente as pessoas que são na realidade reencarnações dos antigos Tupis que outrora viveram nesta mesma terra e que tendo reencarnado aqui constituem o melhor do nosso povo.

Porém, muitos são os que andam confusos, e orgulhosamente procuram ressaltar suas origens genéticas na descendência européia por parte de um avô português, espanhol, ou italiano, sem considerar a parte nativa, ou negra envolvida nisso. Todos os estrangeiros que vieram para cá, nos primeiros tempos da colonização, misturaram o seu sangue por séculos, com aquele dos índios nativos, e paralelamente com a raça negra. Só mais tarde, é que vieram para cá, imigrantes de outras culturas e etnias, mas mesmo assim essas emigrações tardias jamais sobrepujaram a presença ameríndia nativa na formação biológica e espiritual do povo brasileiro. De qualquer forma, qualquer espiritualista mediano sabe que do ponto de vista espiritual, a genética fica em segundo plano. Assim, não estamos tratando aqui de descendência biológica, mas das origens espirituais do nosso povo.

Mas é triste ver, o efeito do colonialismo, não só material, mas também espiritual sobre este povo. Muitos que se dizem espiritualistas, afirmando acreditar na reencarnação, consideram-se almas vindas do Oriente, da Ásia, da Europa, mas não cogitam, em momento nenhum, onde estão encarnadas 5 milhões de almas nativas, que viviam no Brasil na época do “descobrimento”. Para termos uma proporção em Portugal na mesma época só havia 1 milhão de pessoas. Responda-me com sinceridade, em sua maioria onde elas reencarnaram? No Egito, na França, no Japão? Eu afirmo com toda tranqüilidade, a maioria delas reencarnaram aqui nas Américas, principalmente no Brasil, onde hoje constituem, o melhor do povo brasileiro.

Aqui, é onde nós, que buscamos nossas verdadeiras raízes, muitas vezes radicadas nos nativos Sul-americanos; Quíchuas, mbyá-guarani, Incas e Tupis, poderemos nos reunir, nos reconhecermos e nos reencontrarmos. E o objetivo de nossos encontros é tratar das origens espirituais do povo desta terra.

Nossos encontros são dedicados àquelas poucas pessoas que ainda são capazes de assimilar algo que vai além do estreito intelecto, que consideram-se reencarnações dos nativos sul-americanos que outrora viveram nestas mesmas terras e tendo renascidos aqui, se empenham para melhorar material, cultural e espiritualmente as condições de vida do nosso povo.

São essas pessoas, que agora no início do novo milênio, encontram-se com seu Veículo Intuitivo (Arandu) amadurecido apto à assimilar uma nova revelação da Lei Justa e Perfeita (Dharma em sânscrito, ou Tekoa em tupi), através de uma Espiritualidade Ecológica condizente com sua natureza. É essa nova revelação de algo perene que já era conhecido por vários povos do passado, e também por nossos ancestrais Tupis que apresentamos à vocês com o nome moderno de Teosofia Brasileira, mas que o Homem Vermelho chamava de o “Saber que Movimenta o Cosmos” (Arandu Arakuaa).

Esse Material é parte integrante do Livro de Introdução à Teosofia Brasileira.
Fonte: SETE - Sociedade de Estudos Teosóficos

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