
por C. W. Leadbeater
Todos os estudantes estão teoricamente familiarizados com a idéia do plano búdico e sua maravilhosa característica de unidade de consciência; mas a maioria deles provavelmente considera a possibilidade de obter qualquer experiência pessoal daquela consciência como algo pertencendo ao longínquo futuro. O completo desenvolvimento do veículo búdico para a maioria de nós ainda está distante, pois isso pertence ao estágio da Quarta Iniciação, a de Arhat; mas talvez não seja inteiramente impossível para os que ainda estão longe daquele nível obterem algum toque deste tipo superior de consciência de uma maneira bastante diferente.
Eu próprio me conduzi ao longo do que poderia descrever como a linha mais usual e comum de desenvolvimento oculto, e tive de abrir meu caminho acima laboriosamente, conquistando um subplano após o outro, primeiro no mundo astral, depois no mental, e então no búdico; o que significa que eu tinha um completo domínio de meus veículos astral, mental e búdico antes que qualquer coisa me sucedesse que eu pudesse definir com certeza como sendo uma verdadeira experiência búdica. Este método é lento e cansativo, ainda que eu pense que tem suas vantagens no desenvolvimento da acuidade de observação, assegurando- me de cada passo antes de dar o próximo. Não tenho quaisquer dúvidas de que foi o melhor para uma pessoa do meu temperamento; de fato, provavelmente foi o único caminho possível para mim; mas isso não implica que outras pessoas não possam ter oportunidades bem distintas.
Aconteceu-me no decorrer de meu trabalho de entrar em contato com diversas pessoas que estão empreendendo treinamento oculto; e talvez o fato que desponta mais proeminentemente de minha experiência nesta direção é a maravilhosa variedade de métodos empregados por nossos Mestres. O treinamento é tão intimamente adaptado ao indivíduo que nenhum é igual ao outro; não só cada Mestre tem seu próprio plano, mas o mesmo Mestre adota um esquema diverso para cada discípulo, e assim cada pessoa é conduzida exatamente ao longo da linha que lhe é mais adequada.
Um exemplo notável desta variabilidade de método chamou minha atenção não faz muito tempo, e creio que uma explanação dele pode talvez ser de utilidade para alguns de nossos estudantes. Deixe-me primeiro lembrá-los da estranha maneira invertida com que o Ego se reflete na personalidade; o manas superior, ou intelecto, reflete-se no corpo mental, a intuição, ou buddhi, se reflete no corpo astral, e o próprio espírito, ou atma, de algum modo corresponde ao físico. Estas correspondências se apresentam como três métodos de individualizaçã o, e desempenham suas funções em certos desenvolvimentos internos; mas até há pouco não havia me ocorrido que elas poderiam ser levadas em conta de modo prático em um estágio muito precoce por quem aspira por progresso oculto.
Um certo estudante de natureza profundamente afetiva desenvolveu (como seria correto e apropriado fazer) um intenso amor pelo instrutor que havia sido designado por seu Mestre para assisti-lo no treinamento preliminar. Ele desenvolveu uma prática diária de formar uma forte imagem mental daquele instrutor, e então derramar seu amor sobre ele com toda a sua força, inundando por conseguinte seu próprio corpo astral de carmesim, e temporariamente aumentando-o enormemente de tamanho. Ele costumava chamar este processo de “expandindo a sua aura”. Ele demonstrou uma aptidão tão notável neste exercício, e era-lhe tão obviamente benéfico, que um esforço adicional ao longo da mesma linha lhe foi sugerido. Recomendou-se- lhe que, mantendo a imagem claramente diante de si, e emitindo a força amorosa tão fortemente como sempre, tentasse elevar sua consciência a um nível superior e a unificasse com a de seu instrutor.
Sua primeira tentativa de fazer isso foi extraordinariamente bem-sucedida. Ele descreveu uma sensação de como se estivesse realmente subindo pelo espaço; ele encontrou o que supôs ser o céu como sendo um teto bloqueando seu caminho, mas a força de sua vontade parecia formar uma espécie de cone nele, que logo se tornou um tubo através do qual viu-se passando. Ele emergiu em uma região de luz ofuscante que ao mesmo tempo era um oceano de beatitude tão arrasadora que não poderia achar palavras para descrevê-lo. Não era em nada sequer semelhante ao que já havia antes sentido; arrebatou-o tão definitiva e instantaneamente como se uma gigantesca mão o tivesse agarrado, e infundido em toda sua natureza num instante uma corrente de eletricidade. Foi mais real do que qualquer outro objeto físico que jamais ele tivesse visto, e ao mesmo tempo, absolutamente espiritual. “Foi como se Deus tivesse me levado para dentro de Si, e eu senti a Sua Vida passando através de mim”, ele disse.
Ele gradualmente se recompôs e foi capaz de examinar sua condição; e ao fazê-lo começou a perceber que sua consciência já não estava mais limitada como havia estado até então – que ele estava de algum modo simultaneamente presente em cada ponto daquele maravilhoso mar de luz; na verdade, que de um modo inexplicável ele próprio era aquele mar, mesmo que aparentemente ao mesmo tempo ele fosse só um ponto flutuando nele. Pareceu-nos que ele estava tateando em busca de palavras para expressar a consciência que, como disse Madame Blavatsky tão bem, tem “seu centro em toda parte e sua circunferência em parte alguma”.
Uma percepção posterior lhe revelou que ele havia sido bem-sucedido na tentativa de unificar sua consciência à de seu professor. Ele viu-se integralmente compreendendo e compartilhando dos sentimentos do professor, e possuindo uma noção da vida muitíssimo mais larga e elevada do que jamais havia tido antes. Uma coisa que impressionou- o profundamente foi a imagem de si mesmo vista pelos olhos do professor; ela o encheu de uma sensação de indignidade, mas também de elevada determinação; como ele singularmente explicou.
“Eu me achei amando a mim mesmo através do intenso amor de meu instrutor por mim, e eu soube que eu poderia e me faria digno dele”.
Ele sentiu também uma profundidade de devoção e reverência que ele jamais havia alcançado antes; ele soube que ao tornar-se um com seu instrutor terreno ele havia também entrado no sacrário de seu verdadeiro Mestre, com quem era um, por sua vez, aquele professor, e ele vagamente sentiu-se em contato com uma Consciência de incompreensível esplendor. Mas aqui sua força faltou-lhe; ele pareceu deslizar de volta para dentro do tubo, e abriu seus olhos no plano físico.
Consultado a respeito desta experiência transcendente, eu a analisei minuciosamente, e convenci-me facilmente de que havia sido uma inquestionável entrada no mundo búdico, não através de penoso progresso através dos vários estágios do mental, mas por um caminho direto ao longo do raio de reflexão do subplano astral mais alto até o subplano mais baixo do mundo intuicional. Eu procurei por efeitos físicos, e constatei que não houve nenhum; o estudante estava em radiante saúde. Assim eu recomendei que ele repetisse o esforço, e tentasse com a mais profunda reverência pressionar ainda mais para o alto, e se elevasse, se assim pudesse ser feito, àquela Consciência Augusta. Pois eu vi que se tratava de um caso daquela combinação de dourado amor e vontade férrea que é tão raro de ocorrer em nossa Estrela Tristonha; e eu sabia que um amor que é completamente altruísta e uma vontade que não conhece obstáculos pode levar seu possuidor aos pés do próprio Deus.O estudante repetiu este experimento, e novamente foi bem sucedido além de qualquer esperança ou expectativa. Ele foi capaz de entrar naquela Consciência mais vasta, pressionando para frente e para cima n’Ela como se nadasse num vasto lago. Muito do que trouxe de volta consigo ele não poderia compreender; reminiscências de glórias inefáveis, fragmentos de concepções tão vastas e tão deslumbrantes que nenhuma mente meramente humana poderia captá-las em sua totalidade. Mas ele ganhou uma idéia nova do que o amor e devoção poderiam ser – um ideal pelo qual esforçar-se pelo resto de sua vida.
Dia após dia ele continuou seus esforços (consideramos que uma vez por dia seria a freqüência máxima com que ele prudentemente poderia tentar); mais e mais ele penetrou naquele grande lago de amor, mas ainda não achou o seu fim. Mas gradualmente ele se tornou consciente de algo muito maior ainda; ele de algum modo percebeu que este esplendor indescritível era permeado por uma glória mais sutil mas inconcebivelmente ainda mais esplêndida, e tentou alçar-se até ela. E quando conseguiu, soube por suas características que era a Consciência do próprio grande Instrutor do Mundo. Ao tornar-se um com seu professor terreno ele inevitavelmente havia se unido à consciência de seu Mestre, ao qual aquele professor já estava unido; e nesta maravilhosa experiência ulterior ele estava apenas comprovando a estreita união que existe entre aquele Mestre e o Bodhisattva, que por sua vez O ensinara. Naquele mar ilimitado de Amor e Compaixão ele mergulha diariamente em sua meditação, com uma elevação e fortalecimento tais para si como prontamente pode ser imaginado; mas ele jamais pode alcançar seus limites, pois nenhum mortal pode medir um oceano como aquele.
Tentando penetrar sempre mais fundo neste novo reino estupendo que tão subitamente se abrira para ele, ele conseguiu um dia alcançar um desenvolvimento adicional – uma beatitude tão mais intensa, um sentimento tão mais profundo, que pareceu-lhe a princípio tão superior como aquele primeiro toque de consciência búdica estivera acima de suas experiências astrais anteriores. Ele disse: “Se eu não soubesse que me é impossível ainda atingi-lo, eu diria que isso deve ser o Nirvana”.
Na verdade era apenas o próximo subplano do búdico – o segundo de baixo para cima, e o sexto de cima para baixo; mas sua impressão é significativa por mostrar que a consciência não só se expande ao subirmos, mas a razão em que se expande aumenta rapidamente. Não só o progresso é acelerado, mas a razão desta aceleração cresce em progressão geométrica. Agora este estudante atinge aqueles subplanos elevados diária e comumente, e está trabalhando com vigor e perseverança esperando avançar ainda mais além. E o poder, o equilíbrio e segurança que isso introduz em sua vida física diária é algo espantoso e belo de se ver.
Um outro fenômeno que ele observa, acompanhando isso, é que a intensa beatitude daquele plano superior agora persiste além do tempo de meditação e mais e mais está-se tornando parte de toda a sua vida. No começo esta persistência era só de uns vinte minutos após cada meditação; então chegou a uma hora; depois duas horas; e ele confiante olha à frente vislumbrando um tempo em que será uma posse permanente – uma parte de si mesmo. Uma característica notável do caso é que esta prodigiosa exaltação diária não é seguida de nenhum sinal da mais leve que seja reação de depressão, mas em vez produz uma radiância solar crescente.
Tornando-se gradualmente mais acostumado a atuar neste mundo mais elevado e glorioso, ele começou a olhar para si em alguma extensão, e logo foi capaz de identificar- se com muitas outras consciências menos exaltadas. Ele as achou existindo como pontos dentro de seu eu expandido, e descobriu que focalizando a si mesmo em quaisquer destes pontos ele poderia de imediato perceber as mais altas qualidades e aspirações espirituais da pessoa que representavam. Buscando uma simpatia mais completa com alguém que ele conhecia e amava, ele discerniu que estes pontos de consciência eram também, como ele disse, buracos através dos quais ele poderia colocar-se dentro de seus veículos inferiores; e assim ele entrou em contato com aquelas partes de suas vidas e disposições que não poderiam encontrar expressão nenhuma no plano búdico. Isto lhe deu uma simpatia por estas suas características, uma compreensão de suas fraquezas, que foi realmente notável, e que não poderia provavelmente ter sido adquirida de nenhum outro modo – uma qualidade valiosíssima para o trabalho de um discípulo no futuro.
A unidade maravilhosa daquele mundo intuicional se manifestava a ele em exemplos insuspeitados. Um dia, segurando na mão o que ele considerava um pequeno objeto especialmente formoso, parte do qual era branco, ele caiu numa espécie de êxtase de admiração por sua forma graciosa e harmônica coloração. Subitamente, através do objeto, enquanto o olhava, ele viu desdobrar-se diante dele uma paisagem, exatamente como se o pequeno objeto houvesse se tornado uma janelinha, ou talvez um cristal. A paisagem é uma que ele conhece bem e ama, mas não havia uma razão óbvia pela qual o pequeno objeto devesse tê-la trazido para diante dele. Uma característica curiosa era que a parte branca daquele objeto era representada no céu de sua imagem. Impressionado por este fenômeno inteiramente inesperado, ele tentou a experiência de elevar sua consciência enquanto deleitava-se na beleza do panorama. Ele teve a sensação de passar através de algum meio resistente para dentro de um plano superior, e percebeu que a vista diante dele havia se transformado em uma que lhe era estranha, mas ainda mais bela que a que ele conhecia tão bem. As colunas de nuvens brancas haviam se tornado uma alta montanha coberta de neve, com seu longo perfil mergulhando abaixo num mar de cor mais rica que qualquer um que nesta encarnação havia visto. As baías rochosas, as construções, a vegetação, eram-lhe de todo estranhas, ainda que bem conhecidas por mim; e por uma cuidadosa pesquisa eu logo me certifiquei sem margem de dúvida que a cena que ele estava vendo era o que eu suspeitara – um panorama físico real, mas milhares de quilômetros distante do local de onde ele o contemplava. Uma vez que aquele lugar santo está muitas vezes em minha mente, ainda que eu certamente não estivesse pensando nele no momento, o que o estudante viu pode ter sido uma forma-pensamento minha. Eu imagino que neste ponto o que ocorreu pode ser descrito com muita simplicidade. Eu presumo que a emoção do estudante estivesse excitada pela admiração, e que as vibrações aceleradas que eram originadas desta maneira puseram em operação seus sentidos astrais, e isto o tornou capaz de ver um panorama que não era fisicamente visível, mas estava bem ao alcance astral. A tentativa de pressionar mais além temporariamente abriu o sentido mental, e através deste poder ele foi capaz de ver minha forma-pensamento.
Mas o estudante não se quedou satisfeito com isso; ele repetiu sua tentativa para subir ainda mais alto, ou (como ele diz) ainda mais fundo no real significado de tudo isso. Uma vez mais ele teve a experiência de irromper em um estado de matéria mais exaltado e refinado; e desta vez não havia cena terrestre alguma para recompensar seus esforços, pois o cenário desdobrou-se em um universo ilimitável cheio de massas de esplêndidas cores, pulsando com vida gloriosa, e a montanha nevada tornou-se um grande Trono Branco mais vasto que qualquer montanha, velado em deslumbrante luz dourada. Um estranho fato ligado a esta visão é que o estudante a quem esta experiência ocorreu está inteiramente desfamiliarizado com as Escrituras Cristãs, e não era ciente de qualquer texto que pudesse ter alguma influência no que vira. Eu lhe perguntei se poderia repetir esta experiência à vontade; ele não o sabia, mas mais tarde ele tentou o experimento, e conseguiu novamente passar através daqueles estágios na mesma ordem, dando alguns detalhes adicionais da paisagem estrangeira que me provaram que isto não era meramente uma proeza da memória; e desta vez o atemorizado vidente sussurrou que em meio às fulgurâncias daquela luz ele uma vez teve um fugaz vislumbre do contorno de uma Poderosa Figura que assentava-Se no Trono. Isto também, diríamos, poderia ser uma forma-pensamento, construída por algum Cristão de imaginação vívida; mas quando alguns dias depois surgiu uma oportunidade, e eu perguntei a um Sábio qual o significado que poderíamos associar a tal visão, Ele replicou:
“Você não vê que, já que só existe Um Amor, então só existe Uma Beleza? O que quer que seja formoso, em qualquer plano, o é somente porque se remontamos muito acima, sua conexão se torna manifesta. Toda a Beleza é de Deus, assim como todo o Amor é de Deus; e através deles, Suas Qualidades, o puro de coração pode sempre alcançá-lo.”
Nossos estudantes fariam bem em ponderar nestas palavras, e seguir a idéia nelas contida. Toda a beleza, seja de forma ou cor, seja na natureza ou na moldura humana, em altas conquistas da arte ou no mais humilde utensílio doméstico, não passa de uma expressão da Beleza Única, e portanto mesmo na coisa mais insignificante que seja bela toda a beleza está implicitamente contida, e assim através dela toda a beleza pode ser percebida, e Aquele que em Si é a própria Beleza pode ser alcançado. Para entendermos isso plenamente necessitamos da consciência búdica pela qual nosso estudante chegou a esta percepção; mas mesmo em níveis muito inferiores a idéia pode ser útil e frutífera.
Admito plenamente que o estudante cujas experiências relatei seja excepcional – que ele possui uma força de vontade, um poder de amar, uma pureza de coração e um completo altruísmo que são, infelizmente, raros.
Não obstante, o que ele fez com tão marcado sucesso pode seguramente ser copiado em alguma medida por outros menos dotados. Ele desdobrou sua consciência num plano que normalmente não é atingido por aspirantes; lá ele está construindo rapidamente para si um veículo muito capaz e valioso – pois este é o significado da persistência sempre crescente da sensação de felicidade e poder. Que esta é uma linha definida de progresso, e não um mero exemplo isolado, é evidenciado pelo fato de que mesmo já o desenvolvimento búdico anormal está produzindo seu efeito sobre os corpos causal e mental aparentemente negligenciados, estimulando- os à atividade de cima em vez de deixá-los ser influenciados laboriosamente a partir de baixo como o usual. Todo este sucesso é resultado de contínuo esforço ao longo da linha que eu descrevi.
“Ide e fazei o mesmo”. Nenhum mal pode advir a qualquer homem derivado de um esforço diligente para aumentar seu poder de amar, seu poder de devoção, e de seu poder de apreciar a beleza; e com tal esforço é possível pelo menos que ele possa atingir um progresso com que sequer sonhou. Somente seja lembrado que, neste caminho como em qualquer outro, o crescimento é conseguido só por quem o deseja não só por si, mas por amor ao serviço. O esquecimento do eu e um ávido desejo de ajudar os outros são as mais proeminentes características no estudante cuja história interior eu contei aqui; estas características devem ser igualmente proeminentes em qualquer um que aspire seguir seu exemplo; sem elas nenhuma consumação semelhante é possível.
Publicado originalmente em "The Teosophist" - Agosto de 1915
Tradução: Ricardo Frantz
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
A consciência búdica
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Revelação, Inspiração, Observação - Sua abordagem pelo estudante teosófico

Por Annie Besant
Aqueles que assumem com seriedade o estudo da Teosofia não devem ficar satisfeitos com a mera leitura da volumosa literatura Teosófica que foi derramada sobre o mundo durante os séculos passados e continua a fluir em nossos dias. Eles devem, também, se tiverem alguma aptidão interna para esta investigação, preparar-se para desenvolver as faculdades pelas quais podem verificar por si mesmos o que lhes é contado por outros. Mas em todo o caso, muito estudo teórico é desejável antes que se passe para o estudo prático e, na maior parte dos casos, não será possível desenvolver os sentidos mais sutis dentro dos limites da atual encarnação, embora possa ser construído um bom alicerce para este desenvolvimento na próxima. Assim, o estudo teórico deve ocupar uma grande parte do treinamento de cada estudante Teosófico, e sua atitude com relação a este estudo é uma questão de séria importância. O estudante necessita discriminar os livros que lê, e adequar sua atitude ao tipo de livro; deve procurar compreender o que significa Revelação, e o que é Inspiração, sabendo distinguir literatura revelada de literatura inspirada, e, a ambas dos registros de observações.
Algumas escrituras tidas como autorizadas estão por trás de todas as grandes religiões.
O Hinduísmo divide todo conhecimento em dois tipos - o supremo e o inferior. No inferior ele coloca todos os seus livros sagrados juntamente com qualquer outra literatura, com toda ciência, toda instrução; na categoria do supremo, ele coloca apenas o "conhecimento Daquilo através do qual todo o resto é conhecido". Uma vez que o supremo conhecimento é atingido e a iluminação e experimentada, todas as Escrituras passam a ser inúteis. Isso é afirmado com toda clareza e coragem numa conhecida passagem do Bhagavad Gita: "Todos os Vedas são tão úteis para um Brahmane iluminado quanto um reservatório de água num lugar coberto pelas águas". A revelação é inútil para aquele a quem o Ser está revelado.
A condição da liberdade intelectual para os budistas está contida no sábio conselho do seu Instrutor: "Não acreditem em uma coisa dita simplesmente porque é dita, nem em tradições porque vêm sendo transmitidas de um para outro desde a antigüidade; nem em rumores enquanto rumores; nem em escritos de sábios apenas porque foram sábios que os escreveram, nem na mera autoridade de seus próprios instrutores ou mestres. Mas devemos acreditar quando o escrito, a doutrina ou dito, é corroborado pela razão e consciência. Por isso tenho ensinado a vocês a não acreditar apenas por haverem escutado, mas acreditarem quando a crença ocorre a partir de sua própria consciência, e então agirem de acordo com isto e intensamente". Mesmo a revelação, deve ser confrontada com a pedra de toque da razão e da consciência; deve haver uma resposta a ela a partir de dentro, o testemunho interior do Ser, antes que posa ser aceita como verdadeira.
REVELAÇÃO
O que é revelação? É a comunicação, feita por um Ser superior à humanidade, de fatos conhecidos por Ele mas desconhecidos por aqueles a quem ele faz a revelação - fatos que eles não podem perceber pelo exercício dos poderes que desenvolveram até agora. Estes fatos podem ser verificados a qualquer momento por quem haja alcançado o nível do revelador, que pode ser um Avatar, um Rishi, ou o Fundador de uma religião. Eles “falam com autoridade", a autoridade do conhecimento, a única autoridade diante da qual todos os homens sensatos se curvam. Verificamos que estes grandes Seres não escreveram seus próprios ensinamentos; ensinaram mas não fizeram registros. Algum seguidor ou discípulo, talvez depois de muitos anos e mesmo séculos, registrou o que ele ou seus antepassados escutaram por isso, a revelação - quase sem exceção - é inevitavelmente, em alguma medida, colorida, estreitada e distorcida por quem a transcreve.
Qual deve ser a atitude do estudante Teosófico em relação a revelação? Ele deve tratar as escrituras do mundo com reverência, lembrando sua origem, mas não sentir submissão diante de nenhuma delas, sabendo que são transmitidas a ele através de vários canais. Deve usar seu melhor senso crítico, para separar a verdade essencial revelada de todos os acréscimos que podem haver se acumulado ao seu redor. Se já desenvolveu suas qualidades psíquicas mais elevadas, o estudante deve tentar investigar e dist1ngu1r o antigo do moderno e pesqu1sar os registros akáshicos para uma comparação, confirmação ou contradição da revelação tal como ela chegou até suas mãos.
E sem este equipamento externo, muita coisa pode ser feita através do desenvolvimento interno: ele pode desenvolver dentro de si mesmo seus próprios poderes espirituais; pode procurar, em meditação profunda, a verdade que brilha na revelação sob os muitos véus de ignorância e das construções errôneas e purificar de tal modo, sua vida que seus corpos se tornarão translúcidos à luz do espírito dentro dele, iluminando as palavras escritas. O estudante Teosófico deve manter seu julgamento em suspenso diante das pretensões de cada revelação. Ela não é verdadeira para ele até que possa dar-lhe eco na voz de seu espírito, seu mais profundo Ser.
INSPIRAÇÃO
Que é inspiração? É a elevação das faculdades humanas normais por alguma 1nfluênc1a externa através de um grau após outro de poder 1ntelectual, moral e espiritual, até o ponto em que a influência externa pode até mesmo afastar o homem de seu corpo e usar este último para a expressão de outro indivíduo quando o novo possuidor é um Ser de uma estatura que transcende inteiramente o homem, a inspiração pode transformar-se em revelação.
Os graus inferiores de inspiração estão ao alcance da experiência de muitas pessoas. Será que você nunca sentiu, quando escutava alguém cujo poder e conhecimento eram maiores que os seus, que as suas capacidades mentais eram elevadas a um nível mais alto do que o nível que você podia alcançar sem ajuda? Em tais ocasiões você capta aspectos da realidade que até então eram incompreensíveis; você vê plenamente onde antes havia obscuridade; o campo de pensamento se torna iluminado, e os objetos são vistos em relações até então inimagináveis; você sente que você sabe. No dia seguinte você quer compartilhar com um amigo os tesouros que adquiriu, e fracassa: onde está a luz, onde estão as cenas distantes e amplas que seus olhos haviam percorrido? Sua mente mergulhou de novo em seu nível normal; a inspiração passou.
O que ocorre com as faculdades intelectuais ocorre com as faculdades morais. Você havia visto uma beleza desconhecida, havia sentido uma avassaladora admiração pelo elevado e puro: o que aconteceu com o ardor e a intensidade? Você foi elevado para um nível superior ao nível que você pode chegar sem ajuda, mas não obstante, o ideal moral e seu poder foram mostrados a você “na montanha", e o fato de que você já experimentou uma vez o seu poder que a tudo domina o deixará mais suscetível a ele no futuro, e virá o dia em que aquilo que você sentiu quando inspirado por outro se transformará no exercício normal das suas próprias faculdades morais.
Quanto aos graus mais elevados de inspiração, alguns de nós podemos saber o que é estar em presença dos Mestres e sent1r a maravilhosa elevação da Sua presença. Não há necessidade de palavras nem de ensinamento; Sua presença é suficiente.
As faculdades intelectuais e morais daqueles que falaram ou escreveram sob inspiração foram assim estimuladas e erguidas a um nível muito acima do normal. Seus próprios temperamentos e caráteres dão colorido ao que dizem e deixam marcas no que escrevam. Mas escrevem e falam com muito mais nobreza e poder do que fariam sem ajuda. Assim podemos nos elevar a graus cada vez ma1ores de inspiração, até que atingimos o estágio em que a mente e as emoções do homem já não controlam seu corpo, mas este é controlado inteiramente por alguém maior.
Neste ponto a inspiração pode transformar-se em revelação. O processo em que tudo isto ocorre é muito simples. Sabemos que, devido à correlação entre as mudanças na consciência e as vibrações da matéria, cada mudança na onisciência é acompanhada por uma vibração da matéria apropriada pela onisciência e que forma o seu corpo; cada vibração da matéria de um corpo é acompanhada por uma mudança na consciência corporificada. Quando duas ou mais pessoas estão juntas, sendo uma delas mais evoluída que a outra ou outras, a pessoa mais evoluída, pensando, desejando, atuando, estabelece em seus próprios corpos mental, astral e físico, uma serie de vibrações que correspondem às mudanças em sua consciência; estas vibrações causam vibrações similares na matéria mental, astral e física que está entre ela e a pessoa ou pessoas menos avançadas presentes. Estas vibrações na matéria interveniente causam vibrações similares no corpo ou corpos vizinhos. Elas são imediatamente respondidas por mudanças correspondentes na consciência ou consciências corporificadas, e a pessoa ou pessoas colocadas assim en rapport com alguém mais avançado, pensam, desejam e agem a um nível mais elevado do que seria possível por sua própria iniciativa. Será mais fácil para elas responderem uma segunda vez, e assim sucessivamente, até que se estabeleçam permanentemente no nível mais elevado.
Resultados semelhantes podem ser alcançados através da leitura dos escritos daqueles que são mais evoluídos do que nós. Uma série de mudanças similares tem lugar, embora menos poderosamente do que quando estimulados pela presença direta. Além disso, o estudo reverente e determinado pode atrair a atenção do escritor. O conhecimento destas leis terá pouca utilidade para o estudante Teosófico se ele não se aplicar em sua propr1a ajuda e em favor dos outros ao seu redor.
Qual deve ser a atitude do estudante Teosófico em relação ao homem ou livro inspirado? Ele deve ser receptivo, paralisando todas as suas vibrações normais tanto quanto possível, e abrindo toda sua natureza para o impacto e influxo das ondas de vibração que se derramam sobre ele. Mas sua atitude necessitaria ser mais do que receptiva: deveria tentar sintonizar suavemente a si mesmo e cooperar com o influxo das ondas. Ele deveria tentar fortalecer as vibrações simpáticas, de modo que as mudanças correspondentes na consciência fossem tão completas quanto possível. Para isso ele deve fazer fluir, em direção ao Objeto inspirador, seu amor, sua fé, sua completa confiança e auto-entrega, pois só assim ele pode sintonizar seus corpos em harmonia com os corpos do Inspirador. Ele deve, na ocasião, esvaziar-se de suas próprias idéias e sentimentos, atividades, dedicando-se a reproduzir, não a iniciar.
Se você vai ler um dos livros inspirados do mundo - “A Imitação de Cristo”; “Os Versos Áureos de Pitágoras”, “A Luz no Caminho”; “A Voz do Silêncio” - será bom anteceder a leitura com uma oração ou um manta. Então leia uma frase, releia, medite sobre ela. Saboreie-a mentalmente, absorva sua essência, sua vida. Assim o seu corpo sutil se tornará, ao menos parcialmente, sintonizado com o do autor inspirado, e repetindo suas vibrações você estabelecerá em sua consciência as mudanças correspondentes. Os livros inspirados têm um valor incalculável: são passos de uma escada situada entre a terra e céu, uma verdadeira “escada de Jacó" por onde sobem e descem os anjos de Deus.
OBSERVAÇÃO
Ainda há um terceiro tipo de livro que merece a atenção do estudante Teosofico, mas em relação ao qual sua atitude deve ser inteiramente diferente da adotada frente ao que é revelado e inspirado. São livros contendo as observações de estudantes mais avançados, observações de estudantes que estão evoluindo no conhecimento e poder sobre os planos mais sutis, e ainda não alcançaram a estatura de um Homem Perfeito. Há livros escritos por discípulos como "A Doutrina Secreta" e "Budismo Esotérico", que não são registros de observações diretas dos estudantes, mas mais propriamente transcrições dos ensinamentos dos Mestres, nos quais podem aparecer erros de compreensão daqueles ensinamentos. A própria H. P. Blavatsky nos disse que havia, inevitavelmente erros em “A Doutrina Secreta”; e como nós temos lido naquele livro maravilhoso suas próprias descrições de quadros mostrados a ela pelo seu Mestre, há uma abertura para possíveis erros de observação: provavelmente estes não são sérios, na medida em que ela foi cuidadosamente ajudada e supervisionada durante a produção da obra. Estes dois livros se destacam do conjunto de nossa literatura, porque os Mestres participaram diretamente da sua produção.
Os livros de que falo são aqueles escritos por discípulos usando suas próprias faculdades normais, faculdades ainda em curso de evolução: livros que abordam principalmente os planos astral, mental e búdico, a constituição do homem, o passado de indivíduos, nações, raças e mundos. Com relação a estes, é prec1so levar em conta que os estudantes em questão estão em processo de evolução, e as faculdades que eles usaram hoje estão mais desenvolvidas e alcançam planos mais elevados do que há dez ou quinze anos. Qual é a observação verdadeira? Em cada caso o olho dá testemunho verdadeiro daquilo que ele vê. As diferentes condições lhe impõem visões diferentes. Os livros dedicados a observações são inúteis, e até nocivos, quando o estudante Teosófico os trata como revelações ou inspiração ao invés de observações.
Qual deve ser a atitude do estudante Teosófico diante dos livros de observação? Vocês devem assumir a atitude do estudante científico, não do crente. Devem enfoca-los com uma clara inteligência, uma mente sagaz, um intelecto ávido, uma razão ponderada e crítica. Não aceitar como finais observações feitas por outros estudantes, mesmo que estes estudantes estejam usando faculdades que vocês ainda não desenvolveram. Devem aceita-las apenas pelo que são - observações sujeitas à modificação, correção e revisão, e mante-las dentro de uma visão flexível, como hipóteses temporariamente aceitas até que sejam confirmadas ou negadas por observações ulteriores, inclusive as suas próprias. Se elas iluminam obscuridades, se conduzem a uma sã moralidade, pegue-as e use-as; mas nunca deixe que se transformem em grilhões para sua mente nem obstáculos para seu pensamento. Estude estes livros, mas não perca o senso crítico; entenda-os mas deixe seu julgamento em suspenso; estes livros são úteis como auxiliares, mas perigosos como mestres; devem ser estudados, não adorados.
Não devemos aumentar o número já existente daqueles que acreditam cegamente, mas sim o número dos estudantes sóbrios e sensatos, que pac1entemente formam suas própr1as opiniões e educam suas próprias faculdades. Use seu próprio julgamento para cada observação que lhe for submetida; examine-a tão completamente quanto possível; cr1tique-a do modo mais completo possível. Vocês não nos prestam um bom serviço quando transformam estudantes em papas e repetem, como papagaios, afirmações que não sabem se são verdadeiras. Além disso, a crença cega gera o ceticismo igualmente cego.
Já não será tempo de deixarmos de ser crianças e começarmos a ser homens e mulheres, compreendendo a grandeza das nossas oportunidades e a pequenez das nossas realizações? Já não é hora de oferecermos à Verdade a homenagem do estudo em vez da credulidade cega? Estejamos sempre prontos a corrigir uma impressão errada ou observação imperfeita, e a caminhar com olhos abertos e mente alerta, lembrando que o melhor serviço à Verdade é o exame. A Verdade é um sol que brilha com sua própria luz; uma vez visto, não pode ser rejeitado. "Que lutem a Verdade e a falsidade; quem alguma vez viu a Verdade perder uma justa confrontação?"
Do livro "A Doutrina do Coração" de Annie Besant, Ed. Teosófica
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Sábado, 4 de Outubro de 2008
Teosofia Brasileira - A Religiosidade Ecológica Nativa do Brasil
Para esclarecermos isso, vamos considerar em primeiro lugar, o que é Teosofia.
Teosofia ou Sabedoria Iniciática das Idades, ou ainda Sabedoria Divina é um cabedal de saber transmitido de uma humanidade à outra humanidade. De Seres Humanos evoluídos à Seres Humanos em estado de desenvolvimento, os primeiros muitas vezes considerados deuses. Assim Seres Humanos de outras plagas siderais legaram as seres da Terra seu “Saber dos Ciclos dos Céus” (Arandu Arakuaa), e os remanescentes da Civilização Atlânte, transmitiram aos homens da atual humanidade, no início de sua jornada essa mesma Sabedoria, que foi transmitida, era após era, civilização após civilização, à egípcios, fenícios, caldeus, babilônicos, persas, hebreus, tibetanos, hindus, chineses, celtas, gregos, romanos, etc. Idade após idade, até chegar aos nossos dias, isso que veio a ser chamado atualmente de Teosofia.
Por que então ser chamada de Sabedoria Iniciática, isso porque o conhecimento outrora livre e de fácil acesso, foi com o tempo restrito a um conjunto cada vez menor de iniciados se convertendo no que veio a ser chamado mais tarde de “Sabedoria Oculta” (Tuyabaé-Cuaá) . Isso ocorreu em parte, devido a degeneração humana e em parte devido as perseguições religiosas. Assim a Sabedoria Oculta foi se tornando cada vez mais restrita de modo a proteger esse cabedal de conhecimentos e seus detentores das fogueiras da ignorância e da perseguição obscurantista.
Sendo assim, vamos encontrar a Teosofia, ou Sabedoria Iniciática das Idades, a Sabedoria Oculta, mantida viva por grupo de iniciados que no passado, assim como nós hoje, sentavam-se em círculo e estudavam a Sabedoria legada à eles pelos seus ancestrais divinos e enriquecida através da experiência dos séculos de seus antepassados. Assim, houve épocas, bem como lugares, onde esses conhecimentos puderam ser estudados livremente, seguidos de períodos obscuros. E hoje, devido aos esforços de uma corrente ininterrupta de iniciados essa Sabedoria chega até nós, não como um conjunto de conhecimentos teóricos e mortos, mas como um saber vivo e atualizado, sempre renovado pela contribuição humana, através dos séculos.
Considerando o exposto, vemos que cada povo foi o guardião de uma parte, pelo menos por um momento da “Ciência das Idades” que chegou até os nossos dias.
Mas qual é o objeto de estudo da Teosofia? Por que ela também seria acertadamente chamada de “O Saber do Movimento do Universo” (Arandu Arakuaa)? Isso por que entre seus principais objetos de estudo encontram-se as Leis Universais e o estudo dos Arquétipos Cósmicos que controlam a existência humana na Terra e que são capazes de dar ao Homem o domínio sobre a vida.
Cada povo por sua vez, revelou (re + velou), ou como dizia o professor Henrique José de Souza, “velou com outros véus” essa Sabedoria, vertendo-a em signos, símbolos e alegorias que a tornavam inteligível para eles.
Assim, vamos encontrar a Teosofia Egípcia apresentada através de signos, símbolos e alegorias comuns as Terras dos Faraós e ao nível cultural e de desenvolvimento psicológico de seu povo, revelada de acordo com sua cultura e sua realidade. O mesmo ocorreu na babilônia, entre os caldeus, fenícios, chineses e hindus. Dessa forma, podemos dizer tivemos uma Teosofia Caldaica, uma Teosofia Fenícia, uma Teosofia Chinesa, Hindu, Tibetana, etc.
Porém, apesar disso, a Teosofia, não está ligada, nem limitada a nenhum povo ou cultura, pois ela não é ligada a nenhum conjunto de signos, símbolos e alegorias específicos.
No sec. XIX Helena Petrovna Blavatsky (H.P.B.), fundadora do moderno movimento Teosófico, trouxe esse Saber do Oriente para o Ocidente, das Índia, principalmente do Tibet, onde esse conhecimento tinha sido mais preservado. Na época ambas as regiões eram áreas de influência inglesa, um dos povos que representava a vanguarda da civilização européia ocidental. Era necessário demonstrar a Sabedoria existente ainda na Índia e no Tibet, para evitar que eles, os ingleses, no seu afã modernizador, “não jogassem fora a água suja (da superstição e do erro), junto com a criança (a sabedoria verdadeira)”, ou seja que no ímpeto de lutar contra a ignorância e o erro, destruíssem também algo precioso, que ainda não eram capazes de compreender.
Por ter sido inicialmente dirigida aos ingleses e através deles aos europeus de um modo geral, que uma das características da moderna Teosofia é o seu cartesianismo europeu.
Assim quando H.P.B. trouxe a moderna Teosofia do oriente para o ocidente, ela veio carregada de signos, símbolos e alegorias Indianas e Tibetanas, a ponto de muita gente confundir Teosofia com Hinduismo ou Budismo, ou ainda considerar que para se aprender Teosofia, tem que se aprender sânscrito. Ledo engano, a Teosofia ou Sabedoria das Idades, não está limitada a cultura dos povos Tibetanos, ou Hindus, como muitos pensam.
Assim a Teosofia moderna, organizada originalmente em língua inglesa por H.P.B. e extraída originalmente da tradição esotérica hindu e tibetana, ficou carregada de sânscrito e de signos, símbolos e alegorias hindus e tibetanos, além de ficar impregnada por um forte cartesianismo europeu, por que era principalmente aos aos europeus que ela era orientada.
Mas temos também na Teosofia ensinada por H.P.B. muitos elementos das alegorias dos povos egípcios, porém o bloco principal encontra-se radicado no Hinduismo e no Budismo Tibetano. Da mesma forma, se H.P.B. tivesse ido buscar a Teosofia no Japão, a principal corrente da Teosofia, que foi por ela ensinada, estaria impregnada de Zen Budismo e de Xintoísmo japonês, ou caso ela tive-se buscado esse saber em meio aos gregos, a Sabedoria das Idades seria fortemente impregnada dos signos, símbolos e alegorias gregas.
Assim, é importante desfazermos de uma vez por todas a idéia errônea de que “temos que aprender sânscrito para estudar Teosofia” ou mesmo que para isso seria necessário aprender filosofia oriental. Isso é totalmente errado, com já dizemos nem sânscrito, nem hinduismo ou mesmo budismo, ou qualquer cultura, oriental, ou ocidental, são capazes de conter a Sabedoria Iniciática das Idades. Pelo contrário, é esta Sabedoria que abarca todas estas e muitas outras culturas.
Considerando isso, ao apresentarmos a Teosofia Brasileira, procuramos apenas resgatar alguns signos, símbolos e alegorias que também pertencem a Sabedoria Iniciática das Idades, que foram guardados pelos Mestres e Guias da Raça Vermelha dos Senhores da Atlântida, e que chegaram até nossos dias através dos nativos brasileiros, seus últimos guardiões, os antigos Tupis.
Mas quais seriam os motivos que nos levaram a buscar revelar a Sabedoria das Idades, através dos signos, símbolos e alegorias dos nativos desta terra?
Respondemos isso, afirmando que cada povo tem uma maneira muito peculiar de aprender e guardar informações, um modo de aprender que é mais comum a todos os seus membros.
Assim através de um atavismo cultural cada povo responde melhor a determinados signos, símbolos e alegorias. Se nos dirigimos a orientais, ou a ocidentais, a europeus ou americanos, temos que considerar os meios de mobilizar o conteúdo subconsciente que existe no interior do povo ao qual nos dirigimos, isso se quisermos facilitar o entendimento das Verdades Arquetípicas que estamos tentando transmitir. É claro que sabemos que cada pessoa possui maneiras individuais de aprender e assimilar informações, porem como membro de um determinado povo, cada pessoa apresenta também alguns elementos de aprendizado comuns em relação aos seus conterrâneos.
Além disso, nossos antepassados possuem uma tradição extremamente rica em sabedoria, principalmente para ensinar as pessoas ditas civilizadas, um sistema de vida e relações humanas baseado no desenvolvimento e progresso de corações valorosos.
Comparando o saber acumulado pela humanidade com a alegoria de um grande banquete, onde várias culturas e povos sentam-se a mesa com uma parte da Sabedoria das Idades que receberam dos que os antecederam e que eles próprios enriqueceram, contribuindo de uma forma ou de outra para alimentar de saber a humanidade sedenta de conhecimentos.
Da mesma forma que os demais povos e civilizações da Terra, o povo brasileiro não precisa sentar-se a esta mesa, onde é servido o alimento do saber, como um indigente. Ao contrário, ele também é detentor de uma vasta cultura esotérica e de uma espiritualidade ecológica mágica que herdou de seus antepassados ameríndios. Uma riqueza de saber e conhecimento que só precisa ser resgatada.
A Teosofia Brasileira é um dos caminhos para acessar esses conhecimentos adormecidos, mas de maneira nenhuma perdidos. A Teosofia Brasileira, não é uma dissidência da Teosofia Clássica, na realidade procuramos através dela, enriquecer a Teosofia Clássica, resgatando mais um de seus filões esquecidos, que é a Espiritualidade Ecológica e Esotérica dos ameríndios pré-colombianos, com seus totens, animais de poder, suas ervas, seus cantos e suas danças de cura, etc. Considerando isto, vemos que quem estuda Teosofia Brasileira, aprende Teosofia Clássica, estudando a Sabedoria Iniciática das Idades baseada nos conhecimentos hindus, tibetanos, egípcios, celtas, etc. mas também aprende os signos, símbolos e alegorias Tupi, povo que encontra-se praticamente todo encarnado no Brasil, formando o grosso do povo brasileiro.
Assim a utilização dos signos, símbolos e alegorias de nossos ancestrais nativos americanos falam diretamente a alma do brasileiro, que é essencialmente uma Alma Tupi no seu âmago mais profundo. Nela as revelações da Teosofia Brasileira encontram eco e fazem brilhar a luz da compreensão do “Saber dos Ciclos dos Céus”.
Podemos dizer então que a Teosofia Brasileira é uma tentativa dentro do movimento Teosófico de encontrar uma perspectiva brasileira da Teosofia, e o SETE – Sociedade de Estudos Teosóficos, está realizando o desafio de apresentar essa nova perspectiva da Teosofia, enriquecendo seu aprendizado e tornando-a magicamente mais assimilável pela Alma do povo brasileiro.
Dessa maneira, iniciamos uma nova abordagem do saber esotérico, através dos ensinamentos da Religião Ecológica de nossos antepassados nativos, cujo objetivo é tratar das origens espirituais do nosso povo, auxiliá-lo no presente e apontar-lhe um caminho para um futuro melhor. Porém, essa revelação se dirige aquelas poucas pessoas que ainda forem capazes de assimilar algo que vai além do cartesianismo europeu e do estreito intelecto do Mental Concreto, algo que fala a nossa mais profunda intuição.
Ao apresentarmos esses ensinamentos dirigimo-nos principalmente as pessoas que são na realidade reencarnações dos antigos Tupis que outrora viveram nesta mesma terra e que tendo reencarnado aqui constituem o melhor do nosso povo.
Porém, muitos são os que andam confusos, e orgulhosamente procuram ressaltar suas origens genéticas na descendência européia por parte de um avô português, espanhol, ou italiano, sem considerar a parte nativa, ou negra envolvida nisso. Todos os estrangeiros que vieram para cá, nos primeiros tempos da colonização, misturaram o seu sangue por séculos, com aquele dos índios nativos, e paralelamente com a raça negra. Só mais tarde, é que vieram para cá, imigrantes de outras culturas e etnias, mas mesmo assim essas emigrações tardias jamais sobrepujaram a presença ameríndia nativa na formação biológica e espiritual do povo brasileiro. De qualquer forma, qualquer espiritualista mediano sabe que do ponto de vista espiritual, a genética fica em segundo plano. Assim, não estamos tratando aqui de descendência biológica, mas das origens espirituais do nosso povo.
Mas é triste ver, o efeito do colonialismo, não só material, mas também espiritual sobre este povo. Muitos que se dizem espiritualistas, afirmando acreditar na reencarnação, consideram-se almas vindas do Oriente, da Ásia, da Europa, mas não cogitam, em momento nenhum, onde estão encarnadas 5 milhões de almas nativas, que viviam no Brasil na época do “descobrimento”. Para termos uma proporção em Portugal na mesma época só havia 1 milhão de pessoas. Responda-me com sinceridade, em sua maioria onde elas reencarnaram? No Egito, na França, no Japão? Eu afirmo com toda tranqüilidade, a maioria delas reencarnaram aqui nas Américas, principalmente no Brasil, onde hoje constituem, o melhor do povo brasileiro.
Aqui, é onde nós, que buscamos nossas verdadeiras raízes, muitas vezes radicadas nos nativos Sul-americanos; Quíchuas, mbyá-guarani, Incas e Tupis, poderemos nos reunir, nos reconhecermos e nos reencontrarmos. E o objetivo de nossos encontros é tratar das origens espirituais do povo desta terra.
Nossos encontros são dedicados àquelas poucas pessoas que ainda são capazes de assimilar algo que vai além do estreito intelecto, que consideram-se reencarnações dos nativos sul-americanos que outrora viveram nestas mesmas terras e tendo renascidos aqui, se empenham para melhorar material, cultural e espiritualmente as condições de vida do nosso povo.
São essas pessoas, que agora no início do novo milênio, encontram-se com seu Veículo Intuitivo (Arandu) amadurecido apto à assimilar uma nova revelação da Lei Justa e Perfeita (Dharma em sânscrito, ou Tekoa em tupi), através de uma Espiritualidade Ecológica condizente com sua natureza. É essa nova revelação de algo perene que já era conhecido por vários povos do passado, e também por nossos ancestrais Tupis que apresentamos à vocês com o nome moderno de Teosofia Brasileira, mas que o Homem Vermelho chamava de o “Saber que Movimenta o Cosmos” (Arandu Arakuaa).Esse Material é parte integrante do Livro de Introdução à Teosofia Brasileira.
Fonte: SETE - Sociedade de Estudos Teosóficos
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Cagliostro

O mistério envolve os homens que passam suas vidas a serviço da humanidade e mantêm-se extremamente dedicados somente aos seus superiores. Os padrões de julgamento social e a moralidade convencional não podem ser separados de seus caracteres. O mistério que envolve Alessandro, Count di Cagliostro, foi montado por boatos e calúnias sem fundamento a uma tal extensão que, “Sua história aceita é muito bem conhecida para precisar ser repetida, e sua verdadeira história nunca foi contada”. A pesquisa conscienciosa tem dissipado as nuvens dos boatos e da difamação o suficiente para revelar à análise imparcial uma vida nobre permeada com sabedoria e envolvida pela compaixão.
“Não posso”, testemunhou Cagliostro, “falar positivamente com relação ao lugar onde nasci, nem dos pais de quem nasci”. Seus inimigos diziam que ele era José Balsamo, um famoso aventureiro e criminoso da Sicília, mas suas palavras e atos negam essa identificação. Ninguém que reconhecesse Balsamo veio a público para estabelecer a relação. De acordo com o próprio Cagliostro, ele viveu como uma criança chamada Acharat no palácio do Mufti Salahayyam em Medina. Seu governador, um Adepto Oriental chamado Althotas, disse-lhe que ele nascera de nobres pais cristãos, porém se recusou a falar mais. Referências casuais, contudo, levaram Cagliostro a acreditar que ele nascera em Malta. Althotas tratava-o como um filho e cultivava sua aptidão para as ciências, especialmente botânica e química. Cagliostro aprendeu a respeitar a religião e a lei em cada cultura e região. “Ambos nos vestimos como Maometanos e estamos externamente de acordo com a devoção do Islam, mas a verdadeira religião foi impressa em nossos corações”. Quando criança, aprendeu os idiomas árabe e orientais e também muito sobre o Egito antigo.
Aos doze anos, Althotas levou-o a Mecca, onde permaneceram por três anos. Quando Acharat encontrou o Sharif, ambos imediatamente sentiram uma forte ligação e choraram na presença um do outro. Embora passassem muito tempo juntos, o Sharif recusou-se a discutir a origem de Acharat, embora uma vez o tivesse avisado de que “se algum dia eu deixasse Mecca, estaria ameaçado com as maiores infelicidades, e acima de tudo ordenou-me cautela com a cidade de Trebizond”. A uniformidade da vida no palácio falhou em saciar a sede por conhecimento e experiência de Acharat e a tempo ele decidiu ir para o Egito com Althotas. Na hora da partida, o Sharif despediu-se dele chorando, com as palavras, “Filho infeliz da natureza, adeus”.
No Egito, ele aprendeu que as pirâmides continham segredos desconhecidos pelo turista. Foi admitido pelos sacerdotes do templo “a lugares tais, que nenhum outro viajante comum jamais havia entrado antes”. Após três anos de viagem “pelos principais reinos da África e da Ásia”, ele chegou a Rhodes em 1766, onde pegou um navio francês para Malta. Enquanto estava hospedado no palácio de Pinto, Grão Mestre de Malta, o Cavalheiro d’Aquino de Caramanica apresentou-o à ilha. “Foi aqui que eu pela primeira vez assumi o modo de vestir Europeu e com ele o nome de Conde Cagliostro”. Althotas apareceu com a roupa e a insígnia da Ordem de Malta.
“Tenho todas as razões para acreditar que o Grão Mestre Pinto estava familiarizado com minha verdadeira origem. Freqüentemente me falava do Sharif e mencionava a cidade de Trebizond, porém jamais consentiria em entrar em outros detalhes particulares sobre o assunto.”
Com base nesta referência, alguém especulou que Cagliostro era o filho do Grão Mestre Pinto e uma nobre senhora de Trebizond, mas Cagliostro, ele mesmo, jamais expressou esta opinião. Enquanto ainda em Malta, Althotas faleceu. Minutos antes de sua passagem, ele declarou a Cagliostro: “Meu filho, conserve para sempre diante de seus olhos o temor a Deus e o amor de suas pequenas criaturas; logo você estará convencido, pela experiência, de tudo aquilo que tenho lhe ensinado”.
Com a permissão relutante do Grão Mestre, Cagliostro deixou Malta na companhia do Cavalheiro d’Aquino para a Sicília, as Ilhas Gregas, e finalmente, Nápoles, o lugar natal do Cavalheiro. Enquanto o Cavalheiro se ocupava com assuntos pessoais, Cagliostro prosseguiu para Roma. Retirou-se para um apartamento para melhorar seu italiano, mas logo o cardeal Orsini solicitou sua presença e, através dele, conheceu vários cardeais e príncipes romanos.
Em 1770, com a idade de vinte e dois anos, ele conheceu e se apaixonou por Seraphina Feliciani. Embora ela fosse a dona do seu amor e devoção pelo resto de suas vidas, ela nunca foi capaz de totalmente romper com a Igreja e seria usada como “a ferramenta dos Jesuítas”. Aconteceu que a natureza de Cagliostro, boa ao extremo, e a total confiança que colocava em seus amigos foram a causa de seus desapontamentos. A generosidade de Cagliostro logo esgotou suas fontes e o casal foi desfeito quando viajavam para visitar amigos em Piemonte e Genova. Mas em julho de 1776, quando chegaram a Londres, estavam outra vez em boas situação, porém a causa de seu progresso fica, como sempre, perdida em mistério.
Eles se hospedaram e logo atraíram admiradores, ainda que ninguém tivesse certeza de onde se originavam, ou qual era seu itinerário recente. Um laboratório foi montado num aposento para estudos de Física e Química. A grande generosidade de Cagliostro levou um grupo de impostores gananciosos a tentar trapaceá-lo através de processos legais que exigiam dinheiro, acusando-o de praticar bruxaria. Esta última acusação foi retirada imediatamente, mas uma coalizão de advogados e juízes desonestos arrancaram-lhe cada centavo que puderam antes que o Conde ficasse livre de suas intrigas. Suas intenções ficaram evidentes pelo fato de que, finalmente, todos eles, de alguma forma, morreram na prisão ou foram executados por fraude, perjúrio e outros crimes. Cagliostro recusou a oportunidade de propor recursos reparatórios, mas decidiu deixar a Inglaterra.
Antes da partida, contudo, tanto ele como a condessa foram admitidos na Loja Esperança da ordem da Estrita Observância. Seu lema era “União, Silêncio, Virtude”, seu trabalho filantropia e seu estudo, ocultismo. Através desta Ordem, Cagliostro espalharia a Maçonaria Egípcia por toda a Europa. Deixando Londres em Novembro de 1777 com apenas cinqüenta guinéus, viajou para Bruxelas “onde encontrei a Providência esperando que enchesse meu bolso outra vez”. Esta é sempre a história de Cagliostro. Quando ele aparece na história, ele tem tudo, não pede nada e deixa tudo generosamente.
Veio para Hague, onde foi recebido como um Franco-maçom pela loja local da Ordem da Estrita Observância. Seu discurso sobre Maçonaria Egípcia, a mãe do puro impulso Maçônico, motivou a Loja a adotar o Rito Egípcio tanto para homens como para mulheres. A Condessa Cagliostro foi instalada como Grã-Mestra. Aqui emergiu a missão de Cagliostro de purificar, restaurar e elevar a Maçonaria ao nível de verdadeiro ocultismo. Esta tarefa comanda o centro das atenções pelo do resto de sua vida. Como suas numerosas profecias sobre grandes e pequenos assuntos indicavam, ele tinha uma visão clara da iminente arrancada da ordem social, política e religiosa da Europa. Ele antevia que somente nas Lojas unificadas os servidores dos homens sábios do Oriente poderiam, poderiam atuar junto tanto os nobres e os homens comuns em mútua lealdade aos mais altos ideais e guiar a Europa através da transição em direção a uma era iluminada.
Ao passar por Nuremberg, ele trocou sinais secretos com um Franco-Maçom, hospedando-se no mesmo hotel. Quando indagado quem era, Cagliostro desenhou num papel a serpente mordendo sua cauda. O hóspede, imediatamente, reconheceu um grande ser numa missão importante e, tirando um rico anel de diamante de sua mão, investiu-o em Cagliostro. Quando ele chegou a Leipzig, a Ordem estava preparada para homenageá-lo com um lauto banquete preparado para um dignitário visitante, mas havia chegado a época de ser colocada a Maçonaria Egípcia em sua verdadeira perspectiva. Após o jantar, Cagliostro fez um discurso sobre o sistema e seu significado. Ele convocou os Maçons reunidos para adotarem o Rito, porém a direção da Loja hesitou. Cagliostro avisou que o momento da escolha para Maçonaria havia chegado e profetizou que a vida do chefe – Herr Scieffort – estava na balança: se a Maçonaria Egípcia não fosse abraçada, Scieffort não sobreviveria durante aquele mês. Scieffort recusou a aceitar modificações em sua Loja, e cometeu suicídio poucos dias depois. Abalados e intrigados, os membros da Loja aclamaram Cagliostro, e seu nome foi ouvido pela cidade. Enquanto ele continuava a viagem, as Lojas da Ordem da Estrita Observância calorosamente lhe davam boas vindas.
Seguiu para Mittau, capital de Duchy de Courland e centro de estudos ocultos, ali chegando em março de 1791. Cagliostro explicou o significado da Maçonaria Egípcia em termos de regeneração moral da humanidade. Embora o homem tenha conhecido a natureza da deidade e o mundo, os profetas, apóstolos e padres da Igreja apropriaram-se deste conhecimento para seus próprios fins. A Maçonaria Egípcia continha as verdades que poderiam restaurar este conhecimento numa humanidade renovada. O Marechal Von Medem e sua família convidaram Cagliostro para ficar em Courland e apresentaram-no às pessoas de influência. O longo interesse de Von Medem pela alquimia logo se voltou para outros fenômenos, e ele pediu insistentemente a Cagliostro que demonstrasse os poderes que, segundo boatos, ele possuía. A princípio relutante, ele finalmente produziu uma quantidade de fenômenos, além suas curas medicinais universalmente aclamadas.
Cagliostro agora deixou que soubessem que ele era o Grande Cophta da Loja, um sucessor na linhagem de Enoch, e que ele, obedientemente, recebia ordens de “seus chefes”. Infelizmente, a vontade de apoiar a Maçonaria Egípcia alimentava-se da insaciável fome por mais fenômenos. Cagliostro mostrou seus poderes em numerosas ocasiões, mas recusava-se a ser empurrado para um mercado atacadista de milagres. E pela primeira vez ele se viu chamado de impostor, quando não atendia aos pedidos.
“O espiritismo nas mãos de um Adepto se torna magia”, H.P.Blavatsky escreveu, “pois ele é versado na arte de entremesclar as leis do Universo, sem quebrar nenhuma delas e sem por isso violar a natureza”. Ela disse que homens tais como Mesmer e Cagliostro “controlam os Espíritos, em vez de permitir que seus assuntos sejam controlados por eles; e o Espiritismo está a salvo nas suas mãos”. Mas, Cagliostro explicou, tais poderes eram para serem usados para o bem do mundo e não para a gratificação da curiosidade ociosa.
Ele decidiu ir para São Petersburg, onde foi aceito na Loja e inúmeras curas foram testemunhadas, mas não receberam com calor a idéia da Maçonaria Egípcia. Recusando-se a produzir os fenômenos, pensaram que era um curador, não um mago.
Varsóvia respondeu melhor, contudo. Lá ele encontrou o Conde Moczinski e o Príncipe Adam Poninski, que insistiu com Cagliostro para ficar em sua casa. Ele aceitou a Maçonaria Egípcia e uma grande parte da sociedade polonesa o seguiu. Dentro de um mês, uma Loja para o Rito Egípcio foi fundada. Em 1780 ele foi recebido em várias ocasiões pelo Rei Stanislaw Augustus. Descreveu o passado e predisse o futuro de uma senhora da Corte que duvidou de seus poderes. Ela, imediatamente, atestou o passado, enquanto a história provou a verdade no futuro.
Cagliostro deixou Varsóvia em 26 de junho e não foi visto até 19 de setembro, quando chegou a Strasburgo. Multidões aguardavam na Ponte de Keehl para ver sua carruagem e ele foi aclamado quando entrou na cidade. Imediatamente, começou a atender aos pobres, libertando devedores da prisão, curando os doentes e fornecendo remédios gratuitamente. Tanto os amigos quanto os inimigos concordavam que Cagliostro se recusava a receber qualquer remuneração ou benefício por seus incansáveis trabalhos. Embora a nobreza se tornasse interessada, ele se recusava a produzir fenômenos, salvo em seus próprios e estritos termos. Logo ficou íntimo do Cardeal de Rohan, para quem ele previu a hora exata da morte da Imperatriz Maria Theresa. O cardeal convidou-o a se hospedar em seu palácio e mais tarde declarou que ele havia testemunhado em várias ocasiões Cagliostro produzir ouro num vaso alquímico. “Posso dizer-lhe com certeza”, ele insistiu com uma senhora que duvidava da habilidade de Cagliostro, “que ele nunca pediu ou recebeu qualquer coisa de mim”.
O General Laborde escreveu que nos três anos que Cagliostro viveu em Strasburgo ele atendeu quinze mil pessoas doentes, das quais apenas três morreram. Sua reputação foi confirmada quando ele salvou o Marquês de Lasalle, Comandante de Strasburgo, de um caso desesperador de gangrena. Durante este período, o primo do Cardeal, Príncipe de Soubise, adoeceu em Paris. Os médicos não lhe deram nenhuma esperança de cura e o Cardeal, alarmado, suplicou a ajuda de Cagliostro. Este viajou incógnito a Paris com o Cardeal, e o Príncipe recuperou a saúde em uma semana. Somente após a cura foi sua identidade anunciada, para espanto da faculdade de medicina parisiense.
Quando estava em Strasburgo, Cagliostro recebeu a visita de Lavater, o fisiognomonista de Zurique, que indagou acerca da fonte do grande conhecimento de Cagliostro. “In verbis, in herbis, in lapidibus”, ele respondeu, sugerindo três grandes tratados de Paracelso.
Foi naquela época que Cagliostro foi tocado pela condição de pobreza de um homem chamado Sacchi e empregou-o em seu hospital. No espaço de uma semana, Cagliostro descobriu que o homem era um espião de alguns médicos invejosos e havia extorquido dinheiro de seus pacientes a fim de torná-lo desacreditado. Posto para fora do hospital, Sacchi ameaçou a vida de Cagliostro e foi imediatamente expulso de Strasburgo pelo Marquês de Lasalle. Sacchi inventou e publicou uma história difamatória na qual afirmava que Cagliostro era um filho criminoso de um cocheiro napolitano. Esse absurdo estava destinado a ser usado contra Cagliostro pelo resto de sua vida.
O Cardeal de Rohan, que havia instalado um busto de Cagliostro talhado pelo escultor Houdon em seu estúdio em Saverne, surgiu em sua defesa. Três cartas chegaram em março de 1783 da Corte de Versalhes, para o Real Baylor de Strasburgo. A primeira, do Conde de Vergennes, Ministro dos Negócios Estrangeiros, dizia: “O Sr. Di Cagliostro pede apenas por paz e segurança. A hospitalidade lhe assegura ambas. Conhecendo as inclinações naturais de V.S., estou convencido de que se apressará a cuidar para que desfrute de todos os benefícios e amenidades que ele pessoalmente merece”. A segunda veio do Marquês de Miromesnil, Guardador do Selo: “O Conde di Cagliostro tem estado comprometido ativamente no auxílio dos pobres e infelizes, e sou conhecedor de um fato notavelmente humanitário desempenhado por esse estrangeiro, que merece lhe seja garantida proteção especial”. A terceira, do Marechal de Segur, Ministro da Guerra, dizia: “O Rei encarrega V.S. que cuide não somente de que ele não seja atormentado em Strasburgo, como também que deva receber nessa cidade toda consideração totalmente merecida pelos serviços que tem prestado aos doentes e aos pobres”.
Em junho chegou uma carta de Nápoles, informando-lhe de que o Cavalheiro d'Aquino, seu companheiro em Malta, estava seriamente doente. Apressou-se a ir para Nápoles, apenas para encontrar o Cavalheiro morto. A Loja União Perfeita saudou-o com homenagens e ali ficou por vários meses, já que o governo napolitano tinha acabado de remover o banimento da Franco-Maçonaria. Bordeaux convidou-o a ir para lá, e ele decidiu assim fazer, viajando em lentas etapas.
O Conde de Saint-Martin já havia preparado terreno em Bordeaux e Lyons para instituir o Rito Retificado de Saint-Martin, que havia purificado e enobrecido a idéia da Maçonaria. O Duque de Crillon e Marechal de Mouchy pessoalmente lhe deram as boas vindas, mostrando-lhe a cidade e homenageando-o em banquetes. Os pobres afluíam até ele e eram curados. Em Bordeaux, Cagliostro teve um sonho no qual era levado a uma brilhante câmara, na qual sacerdotes egípcios e nobres Maçons estavam sentados. “Esta é a recompensa que você terá no futuro”, uma grande voz anunciou, “mas por enquanto você deve trabalhar ainda com mais diligência” Havia chegado o tempo de enraizar firmemente a Maçonaria Egípcia.
Alquier, Grão Mestre em Lyons, chefiou um grupo de delegações solicitando que ele se estabelecesse ali permanentemente. Aceito com toda a cerimônia dentro da Loja Lyons, foi convidado a fundar uma Loja para a Maçonaria Egípcia. Uma captação feita entre Maçons forneceu fundos para construírem um belo prédio, de acordo com as instruções de Cagliostro. Logo teve início a construção da Loja da Sabedoria Triunfante, a qual foi a Loja Mãe de todos os Maçons Egípcios, e a Cagliostro foi dado completo gerenciamento da Loja de Alquier.
Cagliostro instruiu seus novos discípulos a se retirarem em meditação por três horas diariamente, pois o conhecimento é adquirido pelo “preenchimento de nossos corações e mentes com a grandeza, a sabedoria e o poder da divindade, aproximando-nos dela através de nosso fervor”. Cada um deve cultivar a tolerância por todas as religiões, uma vez que existe a verdade universal em seus âmagos; segredo, porque é o poder da meditação e a chave da iniciação; e o respeito pela natureza, pois ela contém o mistério do divino. Com estas três diretrizes como base, o discípulo poderia esperar pela imortalidade espiritual e moral. A motivação que deverá estar sempre em mente é “Qui agnoscit mortem, cognoscit artem” – aquele que tem conhecimento sobre a morte, conhece a arte de dominá-la.
Tendo estabelecido a Maçonaria Egípcia sobre as firmes fundações erigidas por Saint-Martin, Cagliostro não estava destinado a testemunhar seu florescimento no grande templo para ela construído. O Cardeal de Rohan insistiu com veemência que ele viesse a Paris. A Ordem dos Philaléthes tinha organizado a Convenção Geral da Maçonaria Universal. Maçons proeminentes de todas as Lojas da Europa tinham vindo para a primeira assembléia realizada em novembro de 1784. Mesmer e Saint-Martin foram convidados. Agora era a chance para a bênção final do Rito Egípcio – “onde A Sabedoria triunfará” – fosse confirmada. Cagliostro decidiu ir em janeiro de 1785. Deixando os negócios da Loja em ordem, ele escolheu os oficiais permanentes e lembrou-lhes de seus compromissos.
“Nós, os Grandes Cophtas, fundadores e Grão Mestres da Suprema Maçonaria Egípcia em todas as quadrantes orientais e ocidentais do globo, damos ciência a todos aqueles que verão o que está aqui presente,que em nossa estada em Lyons muitos membros deste Oriente que seguem o rito ordinário, e que carregam o título de “Sabedoria”, tendo manifestado a nós seu ardente desejo de se submeterem ao nosso governo e de receberem de nós a iluminação e os poderes necessários para conhecerem e propagarem a Maçonaria em sua verdadeira forma e pureza original, atendemos aos seus pedidos, persuadidos de que, aos lhes fornecermos sinais de nossa boa vontade, conheceremos a grata satisfação de termos trabalhado para a glória do Eterno e para o bem da humanidade.”
“Em aditamento, instruímos cada um dos irmãos que andem constantemente no estreito caminho da virtude e que mostre, pela propriedade desta conduta, que conhecem e amam os preceitos e o propósito de nossa Ordem.”
Quando Cagliostro chegou a Paris, tentou viver uma vida retirada, de modo a trabalhar pela união das Ordens Maçônicas. Mas os doentes irromperam em sua casa e ele outra vez passou longas horas curando-os. Panfletos surgiram por toda Europa com um retrato do divino Cagliostro, desenhado por Bartolozzi, sob o qual se escreveram as seguintes palavras:
“Reconheçam as marcas do amigo da humanidade. Cada dia é marcado por novo benefício. Ele prolonga a vida e socorre o indigente, o prazer de ser útil é sua única recompensa.”
Cagliostro veio para auxiliar o progresso da Maçonaria Egípcia. Rapidamente fundou duas Lojas. Savalette de Langes convidou-o a se unir à Philaléthes, junto com Saint-Martin. Este último recusou, com base em que a Ordem seguia práticas espíritas, porém Cagliostro aceitou provisoriamente, e declarou sua missão:
“O desconhecido Grão Mestre da verdadeira Maçonaria lançou seus olhos sobre os Philalétheanos... Tocado pelo sincero reconhecimento de seus desejos, ele se digna estender sua mão sobre eles, e consente em conceder-lhes um raio de luz dentro da escuridão de seu templo. É o desejo do Desconhecido Grão Mestre provar a eles a existência de um Deus – a base de sua fé; a dignidade original do homem, seus poderes e destino... É por atos e fatos, pelo testemunho dos sentidos, que eles conhecerão DEUS, O HOMEM e as coisas espirituais intermediárias (princípios) existentes entre eles: dos quais a verdadeira Maçonaria dá os símbolos e indica o verdadeiro caminho. Que eles, os Philaléthes abracem as doutrinas desta verdadeira Maçonaria, submetam-se às normas de seu chefes, e adotem sua constituição. Mas, acima de tudo, que o Santuário seja purificado; saibam os Philaléthes que a luz pode apenas descer dentro do Templo da Fé (baseada no conhecimento), não dentro daquele do Ceticismo. Que se dediquem às chamas as vaidades acumuladas em seus arquivos; pois é apenas sobre as ruínas da Torre da Confusão que o Templo da Verdade pode ser erigido.”
Após infrutíferas negociações, ele enviou a seguinte mensagem:
“Saibam que não estamos trabalhando para um homem, porém para toda a humanidade. Saibam que desejamos destruir o erro – não somente um simples erro, porém todos os erros. Saibam que esta política é dirigida não contra exemplos isolados de perfídia, porém contra todo um arsenal de mentiras.”
Finalmente, após ter ficado claro que a grande Convenção não chegaria a nenhum acordo, ele enviou a última e triste carta: “Já que vocês não têm fé nas promessas do Deus Eterno ou de Seu ministro na terra, eu os abandono a vocês mesmos, e lhes digo esta verdade: não é mais minha missão ensinar-lhes. Infelizes Philaléthes, vocês semearam em vão; vocês colherão apenas ervas daninhas”. Assim, foi perdida a maior possibilidade de lançar as fundações da Fraternidade Universal à época de Cagliostro.
O restante da vida de Cagliostro é trágico. O cardeal de Rohan desejou obter um lugar na corte, porém Maria Antonieta não gostava dele. Madame de Lamotte, desconhecida da Rainha, viu uma chance para um grande ganho pessoal na frustração do Cardeal. Fazendo-se de confidente da Rainha, ela forjou cartas de Maria Antonieta para de Rohan e fingiu que levava respostas de volta a Versalhes. Finalmente ela induziu o Cardeal a comprar um ostentoso colar no valor de um milhão e seiscentos mil livres para a Rainha, colocando o valor em sua conta. Quando a primeira prestação venceu, a Rainha, que não sabia nada do negócio, não pagou e de Rohan foi forçado a honrá-lo. A batalha que se seguiu na Corte viu Madame de Lamotte defendendo-se e acusando a Rainha de trapaça e Cagliostro de roubar o colar que ela mesma havia quebrado e vendido. A Rainha ficou furiosa, e todas as partes envolvidas no caso foram encarceradas na Bastilha. Embora Cagliostro fosse completamente inocente, tanto ele como Seraphina passaram seis meses na prisão. O caso alcançou tão horríveis proporções que a velha e abusiva denúncia de Sacchi veio a público e lida contra Cagliostro, mas o Parlamento de Paris ordenou sua supressão por ser “injuriosa e caluniadora”. Finalmente Cagliostro foi declarado inocente e libertado diante de dez mil parisienses que esperavam por ele. O “Caso do Colar de Diamantes” é em geral admitido como sendo o prólogo da Revolução [francesa]. Maria Antonieta considerou a libertação de Cagliostro e do Cardeal como um ataque à sua reputação. O Rei ordenou que Cagliostro deixasse a França e afastou o Cardeal de suas atribuições.
Cagliostro viajou para a Inglaterra, porém seus inimigos, agora completamente cientes da total natureza de sua missão, viram a chance de destruí-lo. Mal havia chegado à Inglaterra quando o famoso editor do vicioso Correio da Europa o atacou. Cagliostro alojou Seraphina com o artista de Loutherbourg e viajou para a Suíça em 1787.
Seraphina juntou-se a ele na companhia de Loutherbourg imediatamente depois. A Maçonaria Egípcia era praticada por pequenos grupos em Bale e Bienne, mas não puderam apoiar o casal Cagliostro. Já que seus próprios poderes somente poderiam ser usados para os outros e não para si mesmo, e agora que os outros o rechaçavam, ele era forçado a viajar sem repouso.
Por volta de 1789 ele chegou a Roma para encontrar-se em segredo com Franco-Maçons da Loja Verdadeiros Amigos. A Igreja, porém, totalmente ciente da ameaça espiritual que Cagliostro apresentava para ela, enviou dois Jesuítas fazendo-se de convertidos para a Maçonaria Egípcia. Na ocasião em que eram admitidos à Ordem, eles convocaram a policia papal, e o casal os Cagliostro foi levado para a prisão no Castelo Santo Ângelo em 17 de dezembro. Se Seraphina se voltou contra Cagliostro ou sucumbiu por medo diante da Inquisição, não está claro. Mas seus depoimentos foram prejudiciais. Após dúzias de interrogatórios, nos quais a trama foi ameaçadoramente disposta, a Inquisição soube apenas o que todo mundo sabia: que Cagliostro era um Maçom, um herege pela sua crença de que todas as religiões são iguais, e que desprezava a intolerância religiosa. A farsa terminou em 21 de março de 1791, quando a Inquisição condenou Cagliostro à morte. Entretanto, antes de o Papa assinar a sentença, um estrangeiro apareceu no Vaticano. Dando uma palavra ao Secretário do Cardeal, foi imediatamente admitido em audiência. Após sua saída, o Papa comutou a sentença para prisão perpétua.
Seraphina foi libertada apenas para ser presa por novas acusações e internada no convento de Santa Apolônia de Trastevere. Nada mais se soube sobre ela e seu corpo nunca foi encontrado. Cagliostro foi enviado ao Castelo São Leo e colocado no topo inacessível de um rochedo. Lá ele pereceu até 1795. Uma inscrição que fez na parede de sua cela tem a data de 15 de março. Roma reportou que ele morreu em 26 de agosto.
Aqui acaba a história, mas a tradição maçônica sussurra que Cagliostro escapou da morte. Endreinek Agardi de Koloswar relatou que o Conde d’Ourches, que quando criança havia conhecido Cagliostro, jurou que o Senhor e a Senhora de Lasa, saudados em Paris em 1861, não eram ninguém menos que o Conde e a Condessa Cagliostro. Com o nascimento envolto em mistério, Cagliostro saiu desta vida também em mistério, conquanto sua existência tenha sido dedicada ao serviço da humanidade e à esperança da imortalidade espiritual.
Fonte: Levir
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
A alma e sua existência

Baseado no texto original de António Rocha Fadista
A busca da verdade passa pela questão da existência da alma. A resposta a esta questão colocou em campos opostos filósofos do quilate de Hume, Hamilton, Stuart Mill, Taine, que admitiam que a alma se reduzisse a um grupo de sensações, de idéias, de emoções, etc. Como dizia Broussais, "o homem racional não pode admitir a existência de uma coisa que não seja percebida por algum dos sentidos". Dizia ainda Broussais que o cérebro é a causa e o princípio do pensamento e, por conseguinte, o espírito é uma hipótese inútil.
Mas, sendo o cérebro composto de células, que se renovam a todo o instante como, aliás, em todo o corpo, se no homem existem apenas fenômenos sucessivos, sem um laço que ligue o passado ao presente, como então se explicam o hábito, a associação de idéias e a memória?
Deste modo, é forçoso admitir que existe em nós uma realidade que independe do cérebro, que é a sede das nossas mudanças psicológicas, e que é também a causa dos atos que praticamos. A esta realidade, chamamos de alma. Se existe a alma, qual será a sua natureza? Será espírito, ou será matéria? O espiritualismo defende a distinção da alma do corpo; o materialismo, só admite a existência do corpo e da matéria. No homem, ocorrem fenômenos quantitativos, como a digestão, a circulação, etc. e fenômenos qualitativos, só percebidos pela consciência, como a alegria, o pensamento, ou o remorso.
Assim sendo, existe no homem uma substância extensa, divisível e palpável, que é o corpo, e uma outra substância simples, perceptível somente pela consciência, a alma.
A alma é una, e o homem, por ter só uma alma, comprova a sua unicidade. Ela não é única só numericamente, mas é una também por ser simples e indivisível. Enquanto que todas as células do corpo se renovam em um curto período de tempo, isto é, o corpo muda em substância, a alma permanece sempre idêntica a si mesma, não havendo mudanças no nosso Eu ao longo do tempo, que permanece o mesmo, tanto no passado quanto no presente. É esta imutabilidade da alma que confere a identidade ao homem.
A ESPIRITUALIDADE DA ALMA
O ser espiritual é aquele que existe independente da matéria e das suas condições de ser e de operar.
É fato que a alma está unida ao corpo, e que exige o concurso dos órgãos do mesmo, para realizar as suas operações sensitivas. Apesar disso, também é fato que a alma é independente do corpo nas suas funções intelectuais. Deste modo, a alma pensa e quer sem o auxílio destes órgãos. Podemos assim concluir que a alma não está completamente imersa no corpo, que é independente dele sob diversos aspectos, e que, por conseguinte, é um ser espiritual.
Dizia Aristóteles que um ser se conhece por suas operações. Ora, a nossa alma forma idéias, e a idéia é imaterial. Em conseqüência, a inteligência, a faculdade do pensamento, também é imaterial. Deste modo, a alma, que opera pela inteligência, é imaterial pela mesma razão. Enquanto a matéria é indiferente à inércia ou ao movimento, isto é, ao determinismo, a alma, ao contrário, é livre para operar ou não, para resistir ou ceder aos impulsos da sensibilidade, isto é, a alma goza do livre arbítrio.
Conclui-se assim que a alma é simples, é idêntica a si mesmo, e é espiritual, necessariamente distinta do corpo, que é composto, mutável e material.
A ALMA, O FÍSICO E A MORAL
A simplicidade e a espiritualidade que caracterizam os fenômenos da inteligência impedem que afirmemos que o cérebro - substância material e em constante mutação - seja a verdadeira causa do pensamento. Por outro lado, a inteligência necessita para se expressar, para o seu funcionamento normal, de um cérebro saudável.
Deste modo, o cérebro nada mais é do que o instrumento material de que se vale o espírito, imaterial, para expressar os seus pensamentos. Aristóteles notou que pensamos sem órgãos, que o entendimento não está ligado a nenhum órgão corporal, e que pode trabalhar e existir separado do corpo.
Ocorre que, em nosso estado atual, nunca pensamos sem imagens, e a imaginação depende diretamente do sistema nervoso. Daí que o pensamento e a inteligência dependem indiretamente do corpo, e em particular do cérebro. Assim se explica a desordem na inteligência proveniente de uma lesão cerebral; não porque o entendimento tivesse sido atingido, mas porque essa lesão determina uma perturbação na imaginação, e as imagens extravagantes chamam idéias discordantes e incoerentes.
Se um louco pudesse ter transplantado o cérebro lesado por um outro que fosse são, com certeza pensaria de modo correto. Isto porque a desordem e a deterioração dos órgãos não lesam a inteligência em si mesma, mas somente a privam das condições e meios requeridos para o seu funcionamento normal. Pode-se dizer que o cérebro é a interface entre o espírito e o mundo material.
A UNIÃO DA ALMA E DO CORPO
Aristóteles, S. Tomás e a maior parte dos espiritualistas não admitem no homem dois princípios de vida. Afirmam que além da sua atividade consciente e psicológica, a alma inteligente possui também a faculdade de presidir às funções fisiológicas. Desta maneira, a alma seria o único princípio de toda a atividade vital do homem, da sua vida vegetativa e sensitiva, e também de sua vida propriamente espiritual.
Já vimos que a correlação íntima que existe entre as diversas operações da alma pensante (sensibilidade, inteligência e vontade), prova a unidade substancial do princípio de onde elas se originam. Esta mesma correlação se verifica entre as operações psicológicas e as funções orgânicas.
Uma comoção violenta da alma faz parar a circulação do sangue, o medo paralisa, e a confiança sustenta as forças físicas; o trabalho intelectual intenso retarda a digestão, etc.; poder-se-ia citar numerosos fatos que provam a influência do físico no moral, e reciprocamente. Demonstrada a união da alma e do corpo, como se faz esta união? O corpo não existe antes da sua união com a alma. Da alma, o corpo recebe a sua unidade, a organização, a vida e atividades próprias, numa palavra, tudo o que faz dele o ser humano.
Assim, o corpo apenas se separa da alma pela morte, quando perde todos estes caracteres, todas as suas determinações específicas, dissolvendo-se nos elementos químicos de que foi formado. Quanto à alma, sem dúvida que existirá separadamente do corpo, vivendo a sua vida espiritual, mas, sem o corpo, não mais poderá exercer as faculdades que exigem o concurso dos órgãos corporais, como a sensibilidade, a percepção externa e a imaginação.
Deste modo se conclui, com Aristóteles, que o corpo é a matéria, e a alma é a forma, e que a união do corpo com a matéria forma um todo verdadeiro e substancial. É esta união no ser que faz da alma e do corpo um só princípio de ação, que faz com que não haja ação humana na qual o corpo não faça a sua parte, nem tão humilde e material que não repercuta na alma. É este o princípio que coloca em cheque o racionalismo de Descartes, expresso na frase: Penso, Logo, Existo.
A IMORTALIDADE DA ALMA
Com a morte, o corpo se dissolve. Acontecerá o mesmo com a alma e morreremos inteiramente? O que é a imortalidade?
A imortalidade consiste na sobrevivência substancial e pessoal do eu, na identidade permanente da alma, que conserva as suas faculdades de conhecer e amar, sem as quais não há felicidade humana. Após a morte, a alma mantém a consciência da sua identidade, com as lembranças e responsabilidades do seu passado, sem as quais não poderia haver nem recompensa nem castigo - em uma palavra - não existiria o princípio da justiça divina. A metafísica demonstra que a alma é imortal por sua natureza incorruptível. A razão para a sua sobrevivência após a morte do corpo é demonstrada pelo argumento moral. Que esta sobrevivência é indefinida e ilimitada, prova-o o argumento psicológico.
O corpo se desagrega e se dissolve logo que se separa do seu princípio de unidade, da sua forma substancial que é a alma. Pelo contrário a alma, sendo como é, metafisicamente simples e espiritual, não pode decompor-se nem se desagregar. Não morre, pois, com o corpo. Este é o argumento metafísico da imortalidade da alma.
Se há Deus e lei moral, a justiça exige absolutamente que o crime seja punido e a virtude seja recompensada. Neste mundo, nem a natureza, nem a sociedade, nem a própria consciência dispõem de sanções suficientes para recompensar plenamente a virtude ou punir adequadamente o vício; é necessário, portanto, que haja outra vida onde a justiça seja plenamente satisfeita, e a ordem seja restabelecida. Este é o argumento moral, que demonstra a sobrevivência da alma, mas não prova que esta existência seja ilimitada na sua duração.
O argumento psicológico, que prova a perseverança indefinida da existência da alma humana depois da morte, assenta sobre o princípio de que Deus não pode, sem se contradizer a si próprio, dar um fim a um ser, sem lhe dar os meios de o atingir. Tudo na natureza do homem prova que ele é criado para atingir a felicidade perfeita; mas é evidente que não a pode alcançar neste mundo, e que deve haver uma outra vida onde a possa obter. E como por outra parte não existe felicidade completa sem duração ilimitada, segue-se que essa vida futura não pode e não deve ter limites.
O ser humano aspira a um objeto infinito, a uma verdade, beleza e bondade absolutas, cuja posse nos deve fazer felizes. Nossas faculdades superiores possuem capacidade ilimitada, que não se pode satisfazer completamente fora deste bem infinito, que não é outro senão o próprio Deus.
Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto até que descanse em Vós (Santo Agostinho)
Mas, o que encontramos neste mundo que apague esta sede de felicidade do homem, que preencha o vazio deste coração criado para o infinito? A natureza é tão limitada e o mundo tão pequeno; esta vida é tão curta e a realidade tão imperfeita! Queremos amar, queremos viver o mais possível, e por toda a parte só encontramos obscuridade, decepção, sofrimento e morte. Assim, é evidente a total desproporção entre os nossos meios e as nossas necessidades.
Logo, se há um Deus sábio e justo, esta contradição não pode ser definitiva; deve haver outra vida onde se restabeleça o equilíbrio entre o que desejamos e o que podemos, uma vida em que sejamos perfeitamente felizes. A duração ilimitada da imortalidade é evidente que constitui o elemento essencial da felicidade completa; não se pode gozar plenamente um bem quando receamos perdê-lo. A incerteza dói tanto mais quanto maior é o bem possuído. Como diria Marco Túlio Cícero:
Si amitti vita beata potest, beata esse non potest
(Se se pode perder a vida feliz, já não se pode ser feliz)
Logo, a vida futura da alma, a imortalidade, não tem fim, é infinita e ilimitada, e a sua tendência natural é a prática da virtude, em conformidade com os desígnios do seu criador, Deus.
Bibliografia
Aristóteles, J.J.Rousseau, S. Tomás de Aquino, Espinosa, John Stuart Mill, S. Agostinho, Bergson
Fonte: Hermanubis
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
A Escravidão Está na Mente

Por Radha Burnier
Presidenta Internacional da Sociedade Teosófica
Uma bem conhecida sentença em um dos Upanishads, afirma que a mente, por si só, é causa, tanto da escravidão, como da libertação do homem. A maioria das pessoas acreditam que está presa pelas circunstâncias e agem como se fossem vítimas, porque não compreendem as forças e condições existentes em torno delas. O homem primitivo, que observava o relâmpago e o trovão, o desaparecimento do sol e a descida da escuridão sobre a terra e vários outros fenômenos, sentia-os como ameaças e que ele devia apaziguar os deus e, para isso, recorrer a feiticeiros, aprender encantamentos, erigir colunas totêmicas e fazer todo tipo de coisas para afastar o mal que ele acreditava pudesse sobrevir. Os mesmos fenômenos, vistos pelo homem moderno, não geram nele mais o medo, porque o conhecimento o fez compreender as leis e forças operando por detrás dos fenômenos.
Há uma teia de forças na natureza que cria as condições nas quais as pessoas vivem. Elas incluem forças como a gravidade, a eletricidade e o magnetismo. O homem sabe como essas forças funcionam e é capaz de predizer as condições que serão criadas. Pode controlar as circunstâncias em torno dele, alterando e regulando tais leis. O conhecimento habilita-o a mudar as condições e a não considerar a si mesmo como vítima delas. Esta é a posição do homem agora em relação àquela parte do mundo fenomênica que passou a compreender.
Vôos à Lua e comunicação através de satélites com distantes partes da terra são maneiras de conquistar o ambiente. Mas o conhecimento do homem, mesmo agora, pertence a um campo muito limitado. Os homens brilhantes que podem manipular a natureza e neutralizar as forças de gravidade, etc., são também vítimas das circunstâncias no campo psicológico. A ignorância torna-os temerosos e inseguros e tão escravizados pelas forças interiores, quanto o homem primitivo o era em relação às forças externas, físicas. No campo psicológico também, as forças criam as condições e aquele que quiser ser livre e destemido, deve compreender as leis que operam. Uma das três grandes verdades proclamadas no livro “O Idílio do Lótus Branco”, declara: “CADA HOMEM É SEU ABSOLUTO LEGISLADOR, O DISPENSDOR DE GLÓRIA OU ESCURIDÃO PARA SI MESMO, O DECRETADOR DE SUA VIDA, RECOMPENSA E PUNIÇÃO”.
Em outras palavras, cada homem cria as condições ao seu redor, o seu carma. A escravidão nada mais é senão a prisão construída pelas forças-cármicas que cada um cria. A escrividão diz-se estar no ciclo de nascimentos e mortes, a compulsão para o sofrer. São modos diferentes de afirmar a mesma coisa.
A maioria das pessoas acredita que pode escapar das conseqüências de seus atos, mentais e físicos. Existem algumas que reconhecem, pelo menos teoricamente, que não é possível escapar das conseqüências das forças que liberam, mas não crêem realmente nisso. Se acreditassem no carma, seriam extremamente cuidadosas acerca de tudo o que fazem, o que pensam e sentem, seu relacionamento com as outras pessoas e assim por diante. A fraqueza da crença é tornada evidente pela negligência na conduta. È possível escapar às conseqüências de um ato no mundo físico durante o curso de uma vida. No caso de uma pessoa que rouba, ela pode ser presa imediatamente ou sua falta pode permanecer encoberta durante muito tempo; mas não pode escapar dos resultados indefinidamente, pois “os moinhos de Deus moem lentamente”, trituram até pedaços extraordinariamente pequenos. No entanto, o que é mais sério não é a descoberta do roubo e a pessoa ser presa, mas o efeito da conseqüência imediata no campo psicológico.
Aquele que engana outra pessoa e pensa que pode ir embora, ilude-se dolorosamente. Muitas pessoas encobrem fatos ou os deturpam ao relatá-los, pretendendo serem diferentes do que são. Não é raro se mostrar uma face diferente sob circunstâncias diferentes. Tudo isso acontecem porque no fundo da mente há um sentimento de que se pode escapar. Na verdade, porém, há um efeito imediato quando há qualquer ação. Quando há um ato de enganar, dá surgimento a um certo “momento” na psique da pessoa. Esta é a a imediata, mas invisível conseqüência. Há muitas coisas na psique que não são percebidas. Há as memórias conscientes e também as inconscientes. Se você encontra alguém a quem não vê ou na qual você não pensa há anos em sua mente consciente, pode não haver memória dessa pessoa, se ela é desta ou daquela maneira. Tudo desaparece. Posteriormente você a encontra e a reconhece. Esse reconhecimento significa que, embora a mente consciente não mantivesse nenhuma memória, a inconsciente manteve-a e essa recordação veio à superfície. O reconhecimento implica em comparar como agora ela aparece, seu comportamento, seus gestos, etc.
Contudo, há memórias mais profundas. As pessoas têm recordações da infância que estão além da lembrança, exceto sob hipnose ou em momentos de crise. Atrás do limiar da memória consciente há toda um área, como um iceberg oculto. Se a energia é liberada na psique, o “momento” também pode submergir abaixo do nível consciente. Quando há uma oportunidade adequada, ele consegue manifestar-se. Por exemplo, quando uma ação é fraudulenta, como dissemos antes, um “momento” é criado, que pode estar oculto e dormente, abaixo do nível consciente. Num determinado instante, transforma-se num impulso para fazer o mesmo tipo de coisa. Isto torna-se um círculo vicioso, de escravidão; a ação que cria a tendência, a tendência que impele à ação, seja ela de fraude, medo ou inveja, ou uma mistura de vários tipos.
No ser humano existem inúmeras tendências “empurrando” a pessoa indiretamente, queira ou não, saiba ou não. Quando uma pessoa sofre de timidez ou medo, cada sombra a faz sentir que pode haver um inimigo oculto. Quando há orgulho, um homem imagina que há intenção de ofendê-lo, mesmo diante de uma afirmação inocente a seu respeito. Além disso, a mente inconsciente conecta o sentimento com características externas pertencentes a outra pessoa, de quem o perigo ou o insulto é pensado decorrer. Assim, as pessoas têm reações compulsivas contra negros ou brancos, judeus, etc. e contra todos os tipos de coisas. “Momento”, tendências e compulsões vêm à tona no campo da ação, não apenas do passado recente mas das profundezas até de nossa natureza animal. A maioria das pessoas age de acordo com esse profundo condicionamento.
Enquanto há compulsão de dentro, um “momento” sobre o qual não há controle, não há liberdade de modo algum. É a escravidão que a mente cria, porque está num estado de não apercebimento, já que não se dá ao trabalho de descobrir o que está acontecendo a si mesma.
Os condicionamentos da mente criam enormes problemas – de cor, nacionalismos, diferenças raciais, etc. Por causa desse condicionamento existente, ela identifica-se com a família, a comunidade, a religião, etc. Mas a mente pode libertar-se se vê que está criando círculos dentro dos quais está escravizada. Não é necessário que alguém seja vítima de qualquer circunstância. Em lugar de criar “momentos” de insinceridade ou medo através do não-apercebimento, a pessoa pode gerar outras energias, tais como paciência, afeição e calma. Estas regras surgem através do apercebimento e têm uma qualidade de estabilidade. Não são reações.
Atrás da vigilância e do cuidado exercidos na vida diária, a pessoa pode começar a perceber o que é o estado de liberdade. Dentro da mente há possibilidades de escravidão, como de liberdade. Não se tem de rezar a algum Deus, encontrar um sacerdote, para libertar a si mesmo, mas apenas descobrir o que está profundamente no interior. O Bhagavad Gita fala do homem estável, que não é dependente, porque as circunstâncias não têm poder sobre ele. Isto é o que todos os seres humanos têm de aprender. Pela ativa vigilância, a pessoa cessa de ser vítima das condições e torna-se uma fonte de energia espiritual.
Fonte: Sociedade Teosófica no Brasil
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Pensamentos de Blavatsky

Helena Petrovna Blavatsky - a corajosa e fascinante personagem da renascença ocultista que floresceu na metade do século dezenove - foi uma revolucionária do pensamento humano. Sua obra monumental de informações e denúncias culturais abalou os dogmas e a história de nosso tempo. Ela passou quase toda sua vida mergulhada a desvendar o mistério do ser humano, construindo um sistema de pensamento novo e ao mesmo tempo antigo. H. P. B. foi, antes de tudo, uma poderosa pensadora. O pensar era a sua terrível arma contra a ignorância de sua época. Do alto de suas cátedras, os sábios oficiais e intocáveis foram queimados por uma nova forma de pensar o Universo.
Em 1921, um discípulo e amigo Winfred A. Parley, compilou uma extensa coleção de citações e pensamentos de H. P. B.; posteriormente, esse material foi publicado pela Editora Teosófica da Inglaterra.
No ano de 1970, foram convocados vinte teósofos de todo o mundo para selecionar outras citações da pensadora, as quais fazem parte hoje do Calendário da Sabedoria, publicado pela The Theosophical Publishing House. No Brasil a publicação desta obra foi feita pela Editora Pensamento, com tradução de Joaquim Gervásio de Figueredo, e cujo trabalho serviria de base para a nossa pesquisa.
Há, também, em português, editada pela Ground, um Glossário Teosófico, de H. P. B., enfeichando mais de 18.000 verbetes sobre esoterismo, ciências ocultas, hermetismo, espiritualidade, religião e outros segmentos do conhecimento, cuja leitura se torna obrigatória para o estudante de Teosofia.
A maioria dos pensamentos abaixo listados foram selecionados por membros da Sociedade Teosófica no Brasil.
"O universo é a combinação de milhares de elementos, e contudo é expressão de um simples espírito - um caos para os sentidos, um cosmos para a razão."
(Ísis sem Véu)
"Se há um espírito imortal desenvolvido no homem, ele deve existir em tudo o mais, pelo menos em estado latente ou germinal; pode ser apenas uma questão de tempo para que cada um destes germes torne-se plenamente desenvolvido."
(Ísis sem Véu)
"A Doutrina Secreta ensina o progressivo aperfeiçoamento de todas as coisas, tanto dos mundos como dos átomos. E este estupendo aperfeiçoamento não tem um começo concebível nem um fim imaginável. Nosso "Universo" é apenas um de um infinito número de Universos, todos eles "Filhos da Necessidade", porque na grande cadeia cósmica de Universos cada elo acha-se numa relação de efeito com referência ao antecessor, e de causa com referência ao sucessor."
(A Doutrina Secreta)
"O altruísmo é uma parte integral do auto-aperfeiçoamento. Mas temos de discernir. Ninguém tem o direito de inanir-se até a morte para que outrem possa ter alimento, a não ser que a vida deste último obviamente seja mais útil do que a do primeiro. Mas é seu dever sacrificar o próprio conforto e trabalhar pelos outros se estes estão incapacitados para o trabalho."
(A Chave da Teosofia)
"A harmonia no mundo físico e matemático dos sentidos é justiça no mundo espiritual. A justiça produz harmonia e a injustiça discórdia; a discórdia, numa escala cósmica, significa caos - aniquilação."
(Ísis sem Véu)
"Os maus pensamentos são menos prejudiciais do que os pensamentos utópicos e medíocres. Porque contra os maus pensamentos estais sempre alerta, e estando determinados a combatê-los e vencê-los, essa determinação vos auxilia a desenvolver a força de vontade. Os pensamentos medíocres, ao contrário, servem simplesmente para distrair a atenção e desperdiçar energias."
(Ocultismo Prático)
"A idéia da Absoluta Unidade estaria inteiramente fragmentada em nossa concepção se não tivéssemos algo concreto, diante de nossos olhos, que contivesse essa Unidade. E a deidade, sendo absoluta, deve ser onipresente; por isso é que nenhum átomo deixa de contê-LA em si. As raízes, o tronco e seus muitos galhos são três objetos distintos, e no entanto formam uma árvore."
(A Doutrina Secreta)
"Meditação, abstinência em tudo, observação dos deveres morais, pensamentos agradáveis, boas ações e palavras amáveis, como também a boa vontade com todos e o total esquecimento do Eu, são os meios mais eficazes de obter conhecimento e preparar-se para a recepção da sabedoria superior."
(Ocultismo Prático)
"Um alto desenvolvimento das faculdades intelectuais não implica a verdadeira vida espiritual. A presença de uma alma intelectual humana, altamente desenvolvida numa pessoa... é perfeitamente compatível com a ausência de Buddhi, ou a alma espiritual. A não ser que o primeiro evolua ou se desenvolva dos ou sob os benéficos raios da última, ele permanecerá sempre e tão-somente uma progênie direta dos princípios terrestres, inferiores, estéreis quanto às percepções espirituais, sepulcro magnificente, luxurioso, cheio de ossos secos de matéria_ decomposta em seu interior."
(Revista Lúcifer)
"A perfeição, para ser completa, deve nascer da imperfeição; o incorruptível deve brotar do corruptível, tendo a este por veículo, base e contraste."
(A Doutrina Secreta)
"O Homem, como Homem Arquetípico ou Adão, é feito para conter todo o Sistema Cabalístico. Ele é o grande símbolo e a sombra projetados pelo Cosmos manifestado, que em si é o reflexo do princípio impessoal e sempre incompreensível. Esta sombra supre com sua estrutura - o pessoal nascido do impessoal - uma espécie de símbolo objetivo e tangível de todas as coisas visíveis do Universo."
(Revista Lúcifer)
"Os antigos... compreenderam o fato de que as relações recíprocas entre os corpos planetários são tão perfeitas quanto as que existem entre os corpúsculos sangüíneos que flutuam num fluido comum, e que cada um é afetado pelas influências combinadas dos restantes, uma vez que cada um por sua vez afeta todos os demais."
(Ísis sem Véu)
"Os juramentos nunca impõem uma obrigação, até que cada homem compreenda plenamente: 1º) que a humanidade é a mais alta manifestação na Terra da Suprema Deidade Invisível; 2º) que cada homem é uma encarnação de seu Deus; 3°) quando o sentido de responsabilidade pessoal estiver tão desenvolvido nele que considere o perjúrio o maior insulto possível a si mesmo e à humanidade. Nenhum juramento impõe uma obrigação de fato, a não ser quando prestado por alguém que, sem qualquer juramento, guarde solenemente uma palavra de honra."
(Ísis sem Véu)
"A pessoa dotada da faculdade de pensar nas coisas mais insignificantes do plano superior do pensamento, em virtude de tal dom tem, por assim dizer, um poder plástico de formação em sua imaginação real. Sobre o que quer que essa pessoa pense, seu pensamento será tão ou mais intenso que o pensamento de uma pessoa comum, que por esta mesma força obtém o poder de criação."
(Revista Lúcifer)
"A humanidade - pelo menos em sua maioria - detesta refletir, mesmo em benefício próprio. Magoa-se, como se fora um insulto, ao mais humilde convite para sair por um momento das velhas e batidas veredas e, a seu critério, ingressar num novo caminho para seguir em alguma outra direção."
(A Doutrina Secreta)
"A mente recebe indeléveis impressões mesmo de conhecimentos ou pessoas casualmente encontradas apenas uma vez. Assim como alguns segundos de revelação da chapa fotográfica sensibilizada é tudo o que se necessita para preservar indefinidamente a imagem de um objeto, o mesmo acontece com a mente."
(Ísis sem Véu)
"O motivo certo para a busca do autoconhecimento é aquele que pertence ao conhecimento e não ao eu. O autoconhecimento merece ser procurado em virtude de ser conhecimento e não em virtude de pertencer ao eu. O principal requisito para adquirir o autoconhecimento é um amor puro. Buscai o conhecimento por puro amor, e o autoconhecimento finalmente coroará o esforço."
(Ocultismo Prático)
"A força centrípeta não poderia manifestar-se sem a centrífuga na revolução harmoniosa das esferas; todas as formas são produtos desta força dual da natureza."
(Ísis sem Véu)
"A sabedoria oriental ensina que o espírito tem de passar pelo ordálio da encarnação e da vida, e ser batizado com a matéria antes de poder atingir a experiência e o conhecimento. Só após isso ele recebe o batismo da alma, ou autoconsciência, e pode retornar à sua condição original de um deus, mais a experiência, terminando com a onisciência. Em outras palavras, ele pode retornar ao estado original da homogeneidade da essência primordial, somente através da frutificação do Karma, que é o único capaz de criar uma absoluta deidade consciente, distante apenas um grau do TODO absoluto."
(Revista Lúcifer)
"Vivemos numa atmosfera de escuridão e desespero... porque nossos olhos estão voltados e fitos na terra, repleta de manifestações físicas e grosseiramente materiais. Se, ao invés disso, o homem, prosseguindo na jornada de sua vida, olhasse não para o céu - o que é apenas uma figura de retórica - mas para dentro de si mesmo, e centralizasse seu ponto de observação no homem interior, muito logo escaparia dos rolos compressores da grande serpente da ilusão."
(Revista Lúcifer)
A magia, como ciência, é o conhecimento destes princípios e da maneira como a onisciência e onipotência do espírito e seu domínio sobre as forças da natureza podem ser adquiridas pelo indivíduo, mesmo estando ainda no corpo físico. Como arte, a magia é a aplicação deste conhecimento na prática."
(Ísis sem Véu)
"A filosofia platônica era a da ordem, sistema e proporção. Abrangia a evolução dos mundos e espécies, a correlação e conservação da energia, a transmutação da forma material, a indestrutibilidade da matéria e do espírito. Sua posição a este respeito estava muito à frente da ciência moderna, e enfeixava o arco de seu sistema filosófico com um fecho a um tempo perfeito e inabalável."
(Ísis sem Véu)
"O egoísmo pessoal é que excita e estimula o homem a abusar de seus conhecimentos e poderes. O egoísmo é um edifício humano, cujas janelas e portas estão sempre escancaradas para que toda espécie de iniqüidades entre na alma humana."
(A Doutrina Secreta)
"A doutrina fundamental da filosofia esotérica não admite privilégios ou dons especiais no homem, salvo aqueles adquiridos por seu próprio Ego, através de esforços e méritos pessoais, durante toda uma longa série de metempsicoses e reencarnações."
(A Doutrina Secreta)
"Para tomar-se autoconsciente, o Espírito deve passar pelos diversos ciclos de existência, atingindo na Terra o seu ápice no homem. O Espírito em si é uma abstração negativa inconsciente. Sua pureza é inerente, não adquirida por mérito; daí que para tornar-se o mais elevado Dhyan Chohan (Senhor de Luz), é necessário que todo Ego atinja a plena autoconsciência como humano, isto é, consciente, sintetizado para nós no Homem."
(A Doutrina Secreta)
"Atinge-se a cultura espiritual pela concentração. Deve ser continuada diariamente e ser usada a todo o momento. A meditação foi definida como a ´cessação da atividade externa do pensamento´. Concentração é a total tendência da vida para um dado fim."
(Ocultismo Prático)
"Não há nenhum bem ou mal em si, como não há nem "elixir da vida" nem "elixir da morte", nem veneno em si. Tudo está contido na única e mesma essência universal, dependendo os resultados do grau de sua diferenciação e de suas várias correlações. O seu lado de luz produz vida, saúde, bem-aventurança, paz divina, etc.; o lado de trevas traz morte, doenças, tristezas e conflitos."
(A Doutrina Secreta)
"A Natureza revela seus mais íntimos segredos e partilha a verdadeira sabedoria somente àquele que busca a verdade por amor à própria verdade, e que aspira ao conhecimento para conferir benefícios aos outros, não à sua insignificante personalidade."
(Revista Lúcifer)
"Karma é uma lei infalível, que nos planos físico, mental e espiritual da existência ajusta o efeito à causa. Assim como não existe causa sem efeito - desde uma perturbação cósmica até o movimento de nossas mãos; assim como cada coisa engendra sua semelhante, da mesma forma o Karma é aquela lei invisível e desconhecida que sábia, inteligente e eqüitativamente ajusta cada efeito à sua causa e leva esta ao seu produtor."
(A Chave da Teosofia)
"Não há nenhum Demônio, nenhum Mal fora do gênero humano para produzir um Demônio. O Mal é uma necessidade no Universo Manifestado, e um dos seus sustentáculos. É uma necessidade para o progresso e a evolução, tanto quanto a noite é necessária para a produção do dia, e a morte para a produção da vida, afim de que o homem possa viver por todo o sempre."
(A Doutrina Secreta)
"Uma lei oculta ensina que todo homem corrige seus defeitos individuais, aperfeiçoa, por pouco que seja, o organismo de que é parte integrante. Do mesmo modo, ninguém peca ou sofre os efeitos do pecado, sozinho. De fato, não existe nenhuma "separatividade". A mais achegada aproximação desse estado egoísta, que as leis da vida permitem, está na intenção ou motivo."
(A Chave da Teosofia)
"Resumindo tudo em poucas palavras, MAGIA é SABEDORIA espiritual. A Natureza é a aliada, aluna e serva do mago. Um princípio comum, vital, penetra todas as coisas, e é controlável pela vontade do homem perfeito. O Adepto pode estimular os movimentos das forças naturais nas plantas e animais num grau sobrenatural. Tais fatos não são obstruções da Natureza, mas aceleramentos em que são dadas condições de ação vital mais intensa."
(Ísis sem Véu)
"O Karma não cria nem planeja nada. É o homem quem planeja e cria causas, e a Lei Cármica ajusta o efeito. Tal ajustamento não é um ato, mas a harmonia universal que tende sempre a reassumir sua posição original, tal qual um galho de árvore que, puxado violentamente para baixo, retorna com igual violência. Se o braço que o puxou se deslocar ou quebrar, quem teria sido o causador do sofrimento? O galho ou a nossa insensatez?"
(A Doutrina Secreta)
"Uma completa familiaridade com as faculdades ocultas de tudo que existe na Natureza, tanto visível quanto invisível; suas mútuas relações, atrações e repulsões, bem como sua causa, investigada até o princípio espiritual que penetra e anima todas as coisas; a habilidade para prover as melhores condições para que tal princípio se manifeste - noutras palavras, um profundo e exaustivo conhecimento das leis naturais - essa era e é a base da Magia."
(Ísis sem Véu)
"A oração é uma ação enobrecedora quando é um intenso sentimento, um ardente desejo emitido de nosso próprio coração para o bem de outros, e quando inteiramente isento de qualquer objetivo egoísta, pessoal."
(A Doutrina Secreta)
"A vontade do Criador, pela qual todas as coisas foram feitas e receberam seus primeiros impulsos, é propriedade de todo ser vivente. O homem, dotado de uma espiritualidade adicional, tem a maior partilha dessa vontade. Ele obterá maior ou menor sucesso no uso do poder mágico da mesma, proporcionalmente à matéria nele existente."
(Ísis sem Véu)
"Nós produzimos causas, e estas despertam as forças correspondentes no Mundo Sideral. Elas são magnéticas e irresistivelmente atraídas por aqueles que as produzem, e reagem sobre tais pessoas, sejam praticamente os malfeitores ou simplesmente "pensadores" que nutrem maldades."
(A Doutrina Secreta)
"Agir e agir sabiamente no momento oportuno, esperar e esperar pacientemente quando é hora de repouso, põem o homem em sintonia com as marés cheias e baixas, de sorte que, com a natureza e a lei como apoio, e a verdade e a beneficência como farol, ele pode realizar maravilhas."
(Ocultismo Prático)
"A roda da Lei gira rapidamente. Mói noite e dia. Separa do dourado grão as cascas inúteis, e da farinha o farelo. A mão do Karma guia a roda, cujas rotações marcam as palpitações do coração cármico."
(A Voz do Silêncio)
"A idéia teosófica da caridade significa esforço pessoal pelos outros; compaixão e bondade pessoais, interesse pessoal pelo bem estar dos que sofrem; simpatia pessoal, providência e assistência em seus sofrimentos e necessidades."
(A Chave da Teosofia)
"Pela radiante luz do oceano magnético universal, cujas ondas elétricas abarcam o Cosmos, e em seu incessante movimento penetram cada átomo e molécula da infinita criação, os discípulos do mesmerismo - não obstante a pobreza de seus vários experimentos - intuitivamente percebem o alfa e o ômega do grande mistério. Sozinho, o estudo deste agente, que é o divino alento, pode desvendar os segredos da psicologia e da fisiologia, dos fenômenos cósmicos e dos espirituais."
(Ísis sem Véu)
"O reto pensamento é uma boa coisa, mas o pensamento solitário pouco vale; precisará ser traduzido em ação."
(Theosophist)
"Ninguém deve entrar no Ocultismo, nem mesmo tocar nele, antes de estar perfeitamente familiarizado com seus próprios poderes, e de saber como comensurá-lo com suas próprias ações. E isto ele só pode fazer estudando a filosofia do Ocultismo antes de entrar num treinamento prático. Caso contrário, fatalmente ele cairá na Magia Negra."
(Revista Lúcifer)
"Quedamo-nos estupefatos diante do mistério que nós próprios fabricamos, e dos enigmas da vida que não queremos resolver, e depois acusamos a grande Esfinge de nos devorar. Mas, em verdade, não há um acidente em nossa vida, não há um dia mau ou uma desgraça cuja causa não possa ser encontrada em nossas próprias ações, nesta ou noutra existência. Se alguém infringe as leis da harmonia ou, conforme a expressão de um teósofo, as "leis da vida", deve estar preparado para cair no caos que ele mesmo produziu."
(A Doutrina Secreta)
"O único decreto do Karma - decreto eterno e imutável - é a Harmonia completa no Mundo da Matéria, como o é no Mundo do Espírito. Portanto, não é o Karma que nos pune ou recompensa, porém somos nós mesmos que nos recompensamos ou punimos, segundo trabalhemos com a Natureza, pela Natureza e de acordo com a Natureza, obedecendo ou transgredindo às leis de que depende essa Harmonia."
(A Doutrina Secreta)
"Pitágoras ensinava que todo o universo é um vasto sistema de combinações matematicamente corretas. Platão mostra a deidade geometrizada. O mundo é sustentado pela mesma lei de equilíbrio e harmonia sobre a qual foi construído."
(Ísis sem Véu)
"Certamente o homem não é nenhuma criação especial. Ele é o produto do trabalho do aperfeiçoamento gradual da Natureza, semelhante a qualquer outra unidade vivente nesta Terra. Mas isto é apenas com referência ao tabernáculo humano. Aquilo que vive e pensa no homem e sobrevive a essa forma é o "Eterno Peregrino", a protéica diferenciação no Espaço e Tempo do Uno "Incognoscível" e Absoluto."
(A Doutrina Secreta)
"Parabrahman, a Realidade única, o Absoluto, é o campo da Consciência Absoluta, isto é, aquela Essência que está além de toda relação com a existência condicionada, e da qual a existência consciente é um símbolo condicionado. Mas desde que, em pensamento, passemos desta (para nós) Absoluta Negação, sobrevém a dualidade no contraste de Espírito (ou Consciência) e Matéria, Sujeito e Objeto.
(A Doutrina Secreta)
"A idéia que um homem tem de Deus é aquela imagem de luz ofuscante que vê refletida no espelho côncavo de sua própria alma, e contudo isso não é Deus, mas apenas Seu reflexo. Sua glória está ali, porém é a luz de seu próprio Espírito que ele vê: é tudo o que ele pode comportar. Quanto mais claro o espelho, tanto mais brilhante será a divina imagem. Mas o mundo exterior não pode testemunhá-lo no mesmo momento."
(Ísis sem Véu)
"Há uma lei fundamental do Ocultismo que diz não haver repouso ou cessação de movimento na Natureza. Aquilo que parece repouso é apenas a mudança de uma forma para outra; a mudança de substância anda de mãos dadas com a de forma - conforme nos ensina a Física oculta."
(A Doutrina Secreta)
"O pensamento é uma energia que afeta a matéria de várias maneiras, mas a consciência em si, como a entende e explica á Filosofia oculta, é a mais elevada qualidade do princípio senciente espiritual em nós, a Alma Divina (ou Buddhi) e nosso Ego superior - e não pertence ao plano da materialidade."
(A Doutrina Secreta)
"A Doutrina Secreta ensina a identidade fundamental de todas as Almas com a Alma Suprema Universal, sendo esta um aspecto da Raiz Desconhecida. Ensina também a peregrinação obrigatória para todas as Almas - centelhas daquela Alma Suprema -através do Ciclo Reencarnatório, durante todo esse período, de acordo com a Lei Cíclica e Cármica."
(A Doutrina Secreta)
A mente requer purificação toda vez que nos irritamos, que dizemos uma falsidade, ou divulgamos faltas alheias. Devemos purificá-la, toda vez que falamos ou fazemos qualquer coisa, com a finalidade de bajular, ou quando alguém é enganado pela insinceridade de nossas palavras ou de nossos atos."
(Ocultismo Prático)
"Os ensinos secretos referentes à evolução do Cosmos Universal não podem ser ministrados, já que não poderiam ser compreendidos pelas mais altas mentalidades desta época, e parece haver poucos Iniciados, mesmo entre os maiores, aos quais é permitido especular sobre este assunto... os Instrutores dizem claramente que nem mesmo os Dhyani-Chohans jamais penetraram nos mistérios que se acham além dós limites que separam do Sol Central os bilhões de sistemas solares. Portanto, os ensinos transmitidos se referem apenas ao nosso Cosmos visível, após uma Noite de Brahmâ."
(A Doutrina Secreta)
"Por aquela intuição superior adquirida por meio da Teosofia - ou Conhecimento Divino - que projetou a mente, do mundo da forma para o do espírito sem forma, o homem tem sido às vezes capaz, em todos os séculos e em todos os países, de perceber coisas no mudo interior ou invisível."
(A Doutrina Secreta)
"Lúcifer - o Espírito da Iluminação Intelectual e Liberdade de Pensamento-é, metaforicamente, o farol orientador que ajuda o homem a encontrar o seu caminho por entre as rochas e bancos de areia da Vida. Pois Lúcifer, em seu aspecto mais elevado, é o Logos, e no mais baixo, o "Adversário" - ambos refletidos em nosso Ego."
(A Doutrina Secreta)
"Para o Ocultista oriental, a Árvore do Conhecimento, no Paraíso do próprio coração do homem, torna-se a Árvore da Vida Eterna, e nada tem a ver com os sentidos animais do homem. É mistério absoluto que se revela somente através dos esforços do Manas aprisionado, o Ego, para libertar-se da escravidão da percepção sensória, e ver à luz da única e eterna Realidade presente."
(A Doutrina Secreta)
"Não pode haver nenhuma real libertação do pensamento humano nem expansão dos descobrimentos científicos, enquanto não for reconhecida a existência do espírito, e aceita como um fato a dupla revolução".
(A Modern Panarion)
"Vários são os pensadores que, ao estudar os sucessos e reveses das nações e grandes impérios, têm-se surpreendido com uma característica idêntica em suas histórias, a saber, a inevitável repetição de acontecimentos similares, depois de iguais períodos de tempo."
(Cinco Anos de Teosofia)
"Imaginar que um cérebro humano possa conceber algo que nunca dantes foi concebido pelo "cérebro universal" é falácia e vaidosa presunção. No melhor dos casos, o primeiro pode apanhar, aqui e ali, perdidos vislumbres do "Pensamento Eterno" depois que este assumiu alguma forma objetiva, quer no Universo visível, quer no invisível."
(A Modern Panarion)
"Nos idos dias de Sócrates e de outros sábios da antiguidade, como agora, aqueles que estão desejosos de aprender a grande Verdade sempre terão sua oportunidade se apenas "procurarem" encontrar alguém que os conduza à porta de ´quem sabe quando e como´."
(A Doutrina Secreta)
"Tudo é vida, e cada átomo, mesmo da poeira mineral, é uma VIDA, embora isso esteja além de nossa compreensão e percepção, porque está fora do âmbito das leis conhecidas por aqueles que rejeitam o Ocultismo."
(A Doutrina Secreta)
"Está bem, Ouvinte. Prepara-te, pois terás que viajar sozinho. O Instrutor pode apenas indicar o caminho. A Senda é uma para todos; os meios para chegar à meta variam com os peregrinos."
(A Voz do Silêncio)
Fonte: Levir
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